Quinta-feira, Maio 28, 2009

fazendo o de sempre...

O que estou fazendo agora? Preparando a aula de amanhã, lendo os textos de segunda-feira, torcendo para as larvas virarem moscas logo (é, até isso eu faço...), corrigindo provas, cobrando resumos dos alunos (é até esta semana!), pensando em novos experimentos para dar vazão às "velhas" idéias, pensando em novas idéias para resolver velhos problemas... enfim, estou fazendo o de sempre! E apesar de sempre fazer isso (e mais alguma coisa), não há uma rotina muito concreta na vida científica e acadêmica, são novidades e desafios diferentes a cada dia, "pepinos" (coitado deste membro das cucurbitáceas, fadado à representar os problemas do cotidiano) e realizações te esperam no dia seguinte (claro que isso também acontece com todo mundo que resolve levantar da cama e fazer alguma coisa, não é exclusividade da vida na universidade... mas ainda acho que a universidade abriga uma diversidade de acontecimentos e oportunidades ímpar, impossível morrer de tédio... (talvez morrer de raiva ou morrer de rir seja mais fácil :)). Mas hoje o dia reservou uma notícia especial: meu primeiro orientado (quer saber mais?), que atualmente cursa um programa de doutorado nos Estados Unidos, acaba de ser contemplado com um prêmio acadêmico por seu histórico em pesquisa, ensino e serviços. Esse reconhecimento me leva a pensar que fazer "o de sempre" e dedicar-me a esta vida que escolhi traz enorme satisfação. Esse premiado aluno é de São Sebastião do Paraiso (MG), me deu vontade de comemorar como um tradicional pãozinho com manteiga Aviação (uma marca registrada da cidade).

Sábado, Abril 11, 2009

O que Mendel queria com as ervilhas?

Reproduzo aqui uma mensagem que enviei a estudantes dos cursos de Ciências Biológicas que assistiram a minha última aula e tiveram uma breve apresentação sobre Mendel (o Pai da Genética), sob uma perspectiva... mas o interessante sobre essa história é que existem discussões atuais e bem fundamentadas sobre o que - afinal de contas - Mendel queria com as famosas ervilhas? E há versões diferentes... Além do comentário provocando os estudantes no sentido de promover a leitura de artigos científicos a respeito, indico aqui também um blog (História da Ciência) que traz uma apresentação bastante completa sobre o contexto social, cultural e histórico em que Mendel se inseria (leia aqui). A foto ilustra o botânico Karl Wilhelm von Nägeli que, de acordo com uma versão da história, foi responsável por induzir Mendel a estudar uma espécie de planta com um sistema reprodutivo extremamente complexo (e que não "obedecia" as Leis de Mendel).

Eis a mensagem:

"Pessoal,

Lembram-se da aula de hoje? Foi contada uma versão sobre a história de Mendel, sua investigação na busca da compreensão de padrões gerais de herança baseada na condução de experimentos com cruzamentos controlados e análise das classes fenotípicas e proporções fenotípicas recuperadas nas gerações F1, F2, etc.

Na aula foi apresentada uma versão dos fatos, normalmente a mais difundida e amplamente aceita. Mas comentei que há estudos que trazem uma interpretação diferente dos fatos, trazendo divergência e tornando esta história inconclusiva em vários aspectos importantes... o que faz com que a história da ciência e seus personagens sejam tão fascinantes quanto as próprias descobertas científicas e seus desdobramentos.

Indico aqui um artigo publicado no ano passado (outubro)*, na revista científica Journal of Heredity, que trata exatamente de um estudo que apresenta o "lado b" (usuários de MP3 e afins talvez não entendam a analogia...) ou seja, uma interpretação alternativa sobre onde Mendel realmente queria chegar com seus experimentos (baseando-se inclusive na análise da correspondência de Mendel a um botânico famoso da época chamado Nageli).

Especialmente interessantes são a Introdução do artigo e o texto do item "The Hieracium Enigma", recomendo aos mais curiosos esta leitura."

*devo ter me enganado com a data da publicação, pois a referência é deste ano (2009):
Journal of Heredity 2009:100(1):2–6.

em busca do tempo perdido...


é possível dar aulas, pesquisar e escrever um blog científico, simultaneamente? Quem sabe a resposta?
o via gene está em busca de opiniões e experiências ...

alguém se identifica com a figura?

:) ana claudia

Sábado, Abril 04, 2009

Novo blog jornalístico sobre ciências - Folha/UOL

O site da Folha de São Paulo - UOL publicou hoje uma nota sobre um novo blog de ciências chamado LABORATÓRIO, vale a pensa dar uma olhada.
ana claudia

Crodowaldo Pavan 1919 - 03/04/2009

Até ontem vivia Crodowaldo Pavan,

até ontem era parte da história viva da Genética no Brasil,

Ontem terminou... e hoje Pavan está na nossa memória,

na memória do aluno de graduação que fomos - inspirados por palestras que convocavam o jovem estudante de biologia a ver na ciência um caminho a seguir,

na memoria de quem somos agora - já no meio do caminho, trabalhando para provocar a curiosidade científica em outra geração de alunos de biologia e contando histórias sobre a nossa caminhada e, principalmente, dos caminhos trilhados por pessoas que construiram o conhecimento científico que hoje estudamos.


Crodowaldo Pavan foi uma destas pessoas. Elaborar sua biografia não é a intenção desta nota, mas foi um projeto proposto a um grupo de alunas do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da UFSCar - Sorocaba, com o objetivo de resgatar conceitos de genética básica através do estudo da biografia de quem dedicou a vida estudando biologia. Por conta de um trabalho de uma disciplina de graduação, jovens estudantes tiveram a oportunidade de observar o Prof. Crodowaldo Pavan (na época com 88 anos) falar de ciência com um inesgotável entusiasmo típico da juventude. Crodovaldo Pavan possuia inúmeras excelentes qualidades, como atestam - também inúmeras - publicações sobre sua biografia, na minha memória, ficará sempre a imagem de um professor carismático que sabe falar ao jovem e conquistá-lo para a vida científica.
Esta é uma qualidade e tanto.

Destaco aqui uma nota do Vice-Presidente da República que vi hoje no jornal:

"O Brasil perdeu um grande filho com a morte do cientista Crodowaldo Pavan. Suas pesquisas, especialmente na área da genética, destacaram-se no mundo inteiro e conquistaram, para ele e para o Brasil, o respeito da comunidade científica internacional. O País que todos queremos para nossos filhos e netos precisa de brasileiros como Crodowaldo.
Meus pêsames a seus familiares e admiradores.
José Alencar Gomes da SilvaVice-Presidente da República Federativa do Brasil"

A aventura de fazer ciência perde um grande idealista e provocador (que nos provoca a fazer ciência :)), mas as idéias continuam naqueles que o conheceram e que ainda conhecerão sua história (neste sentido, esta é uma tímida contribuição e um convite para que mais histórias sejam contadas).


um abraço,

ana claudia

Terça-feira, Dezembro 23, 2008

divulgação - pós-graduação

Pessoal,

sem desculpas... o viagene anda (aliás, não anda, está parado...) perdido numa calmaria sem fim, perdeu inclusive boas possíveis oportunidades de divulgação neste segundo semestre, uma delas uma entrevista pelo caderno de ciências do Jornal "A Tribuna" da cidade de Santos (São Paulo) sobre blogs científicos e outra uma palestra da simpática divulgadora de ciências (posso chamá-la assim?) Maria Guimarães que tratou do tema na sua apresentação da II Semana da Biologia da UFSCar - Sorocaba em novembro.

em algum momento pretendo resgatar o tempo perdido e retomar uma rotina mais digna de um blog científico - mas não será agora - escrevo apenas para divulgar neste instrumento (se há ainda alguma divulgação no texto publicado por aqui...) a página do Programa de Pós-Graduação em Diversidade Biológica e Conservação da UFSCar - campus Sorocaba:

www.ppgdbc.ufscar.br

onde consta uma base de informações importantes sobre o programa e estão divulgadas notas importantes sobre o exame de seleção (datas, programa, estrutura, docentes-orientadores, etc.)

voltarei em breve com mais tempo e textos...

abraço,

ana claudia

Terça-feira, Agosto 12, 2008

Diversidade Biológica e Evolução

Registro aqui uma ótima notícia que recebemos da CAPES há poucas semanas sobre a aprovação da proposta de pós-graduação (nível Mestrado) em DIVERSIDADE BIOLÓGICA E CONSERVAÇÃO na UFSCar - campus Sorocaba.
A notícia também foi divulgada via site da UFSCar e pode ser lida aqui..A relação dos novos cursos de pós-graduação aprovados pela CAPES no último APCN (aplicativo para propostas de cursos novos) pode ser vista aqui. É interssante ressaltar que dentre os cursos novos, foram aprovadas outras duas propostas envolvendo a palavra Diversidade Biológica (ou Biodiversidade): 1) Diversidade Biológica e Conservação no Trópicos (Universidade Federal de Alagoas) e 2) Ecologia e Conservação da Biodiversidade (Universidade Estadual de Santa Cruz em Ilhéus, BA). Dos cursos "antigos" esta palavra também compõe o nome dos programas de pós-graduação da Universidade Federal do Amapá (Biodiversidade Tropical) e da Universidade Federal do Amazonas (Diversidade Biológica), que contam com programas de Mestrado e Doutorado, notas 4,0. Como "prata da casa", aproveito para citar outro curso da UFSCar que também envolve a temática da bodiversidade e que atualmente apresenta nota 5 para seus programas de Mestrado e Doutorado, o curso de Ecologia e Conservação de Recursos Naturais.
O Mestrado em Diversidade Biológica e Conservação da UFSCar possui duas áreas de concentração: 1) diversidade biológica e evolução* e 2) ecologia e conservação. * Esta área de concentração foi erroneamente descrita na notícia divulgada no site da UFSCar (onde está escrito Diversidade Genética e Evolução, leia-se: Diversidade Biológica e Evolução). Na área de concentração em Diversidade Biológica e Evolução estão incluídas 2 linhas de pesquisa: Diversidade Genética e Evolução e Taxonomia, Sistemática e Biogeografia. Na outra área de concentração (Ecologia e Conservação) destacam-se as linhas de pesquisa em Mecanismos e Processos Ecológicos e Conservação e Manejo.
A linha de pesquisa em Diversidade Genética e Evolução, engloba o uso de marcadores moleculares para o estudo da diversidade genética em diferentes grupos de organismos. Inclui análises de estruturação populacional e definição de unidades evolutivas significativas, além atuar na resolução de unidades taxonômicas, bem como no estudo os processos que levam à diversificação.
Aviso repassado aos interessados. Teremos seleção de candidatos em breve e o início do curso está previso para março de 2009! Que venham os candidatos!
ana claudia


Quarta-feira, Julho 23, 2008

Blogs científicos em português I

aproveito para incluir aqui um comentário que fiz no blog do Brontossauro, que dizer, do Carlos Hotta (Brontossauros em meu jardim) sobre o "post" Deveríamos Educar com Blogs de Ciência? Como eu cheguei atrasada na discussão, trouxe meu comentário para cá para atualizar esta conversação interessante. Como o comentário é breve, acho que não está muito adequado como "post" do mês para compor a temática "A Blogosfera Científica em Português" do Roda de Ciências. Sem promessas, mas a temática está tentadora e gostaria de compor um "Blogs científicos em português II"... vamos ver, ao sabor dos ventos...

Eis o comentário enviado ao Brontossauros... :

Faz tempo que estou sem tempo para a "second life" no mundo virtual dos blogs científicos. Finalmente, no intervalo entre o hoje e o amanhã, deixei de lado (por alguns minutos) o destino provável do travesseiro para visitar um dos meus roteiros preferidos na web: os cativantes blogs científicos em português! É uma qualidade patente dos textos de alguns autores que seguem escrevendo, sem sucumbir à rotina dos compromissos urgentes (profissionais, acadêmicos, familiares, etc.): a Maria, a Lúcia, o João, o Mauro, vc (Carlos Hotta) e alguns outros. Tudo bem não ser comparável aos EUA em matéria de "blogs" e "posts", também não o somos em termos de publicações científicas, recursos para pesquisa, IDH, e tantos outros números... isso não descredencia a qualidade informativa e interativa de alguns dos nossos poucos blogs científicos, apenas a nossa escala é outra, sem conotação de melhor ou pior, apenas diferente, reflexo das milhares de outras diferenças que carregamos, não seríamos incoerentes no mundo do www, não é? Deixo aqui minha opinião de que ensino de ciências é diferente de divulgação científica, compartilha-se interesses comuns, mas vejo que existem diferentes metodologias e objetivos em cada área. Neste sentido um blog de ciências pode tanto ser um instrumento de formação em ciências (ensino), quanto de divulgação científica, e ainda pode proporcionar a integração ensino/divulgação.

Incluir comentários aqui


Em transição... transcrição e tradução

Prezados eventuais, resistentes e persistentes leitores do via,

Passada a primeira aventura (no bom sentido) acadêmica no novo ninho (UFSCar-Sorocaba), ou seja, o primeiro semestre de 2008, dedico-me agora a preparar o roteiro de aventuras didáticas do segundo semestre visando promover a formação de estudantes de Biologia em Genética Molecular.

Sobrará tempo para o viagene, possivelmente não... mas a esperança é a última que morre... não é assim que se diz?

No semestre passado houve a experiência de utilização do ambiente Moodle para complementar atividades em sala de aula da disciplina de Genética, aprendizagem com relação à elaboração de avaliações integradas entre disciplinas diferentes de uma mesma grade horária, reflexões e troca de idéias sobre sistemas de avaliação e de como motivar os alunos e estimular sua participação em sala de aula (ou mesmo fora dela...), entre outras...

Depois de tanto alimento para o cérebro gerado na experiência e na prática didática, falta estômago para digerir tudo rapidamente e eficientemente, e é ao que me dedico agora (além de preparar aulas, recuperações, pareceres científicos e projetos, claro). Neste clima de reflexão, voltei ao blog e insisto em encontrar uma forma de incluí-lo nos assuntos urgentes e pendentes que merecem minha atenção... mas, não só o blog sofre com minha incompetência gerencial, após eleger os alunos como prioridade absoluta, por tudo que eles representam ao meu aprendizado como docente e pelo que, talvez, eu possa contribuir para o aprendizado deles com relação à genética e também, por que não, à postura profissional, humana e ética (com relação a um modelo para inspirar ou para evitar :)).

Numa estratégia desesperada para trazer o via gene à tona, pensei em expor aqui um pouco da vivência na academia e algumas reflexões sobre ela (as publicáveis, claro!).

A experiência da avaliação integrada é uma inovação pedagógica que trouxe muito aprendizado e perspectivas interessantes inclusive no campo da divulgação científica. Aguardem o próximo "post" para saber mais :)

de volta,

ana claudia

Terça-feira, Março 18, 2008

blogueira desnaturada

caros visitantes esporádicos do via gene,


antes de mais nada: minhas sinceras desculpas! O "blog" anda às moscas... aliás nem isso, pois tem muita ciência interessante sendo feita - e a ser feita - sobre moscas... tenho duas teses e alguns artigos científicos que comprovam o quanto essas criaturas têm a nos ensinar sobre biologia, genética, evolução e outras histórias.


mas escrevo para registrar minhas desculpas e justificar que o "blog" está sofrendo as consequências da "síndrome do mundo real" que acometeu a autora, agora que migrou da maravilhosa "ilha da fantasia" (convenhamos, nem tããão fantasia assim :)) para a "hard life" (mas nem por isso menos divertida) que é o exercício da profissão docente na destemida UFSCar no novo campus de Sorocaba. Destemida porque encara o desafio da formação acadêmica de excelência, do crescimento e da implantação do novo campus e da germinação de novos núcleos de pesquisa e proto-propstas de pós-graduação, tudo isso sob o olhar curioso da sociedade que não espera menos do que o sucesso absoluto! Muito bom isso, não?


então... provavelmente vamos continuar lee - een - tooo - ooos nas postagens aqui no Blog até que uma rotina saudável seja estabelecida, que inclua a atividade de divulgação e blogação conforme ela merece ser feita.


quem sabe até seja possível encontrar algum potencial colaborador para as matérias do via gene entre os estudantes da UFSCar-S? Está lançada a provocação!


Estou em falta com o Prof. Osame e o Prof. Adilson por não ter respondido aos seus comentários em "posts" anteriores. Caríssimos: estou atenta aos desenvolvimentos recentes e apoio e admiro as iniciativas de integração e divulgação dos blogs científicos brasileiros. Estou na área, mas "very busy"... então, finalizo como comecei: me desculpem. Hei de me reorganizar e garimpar mais tempo para essas iniciativas tão necessárias e bem-vindas da divulgação científica. Parabéns a vocês!


Abraços,


ana claudia

Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008

UFSCar campus Sorocaba II



Prédio a esquerda na foto: salas de aula
Prédio ao fundo: salas de professores

UFSCar campus Sorocaba I

Semana que vem o campus novo da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos - www.ufscar.br) em Sorocaba será "ocupado" pela comunidade acadêmica e administrativa. As aulas no campus novo re-começam a partir do dia 17/03/08.

Quinta-feira, Dezembro 06, 2007

e nem nos damos conta...

continuando o "copy&paste" de textos re-publicados no Jornal da Ciência (JC e-mail 3405, de 06 de Dezembro de 2007), aqui vai mais um artigo sobre o desempenho de alunos brasileiros em Ciências avaliado recentemente pelo PISA (ver "post" anterior).

No pé do ranking, aluno brasileiro acha que sabe mais ciência do que finlandeses
Antônio Gois e Angela Pinho escrevem para a “Folha de SP”:
Quando fazem as provas de ciências do Pisa (exame internacional divulgado anteontem que compara o desempenho de jovens de 57 países), os alunos brasileiros ficam nas últimas posições.
No entanto, ao serem questionados sobre o próprio conhecimento da disciplina, eles se mostram mais confiantes até mesmo do que os líderes do ranking, os finlandeses.
Ao responder a um questionário na prova, em 2006, 81% dos brasileiros que fizeram o teste disseram que "geralmente conseguem dar boas respostas a testes de ciências na escola". No Japão, sexto país com melhor desempenho na prova, 29% escolheram essa opção.Na Finlândia, 69% disseram dar boas respostas, próximo à média de 65% dos 30 países da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), entidade que organiza o Pisa.
Os itens em que os brasileiros foram mais reticentes foram "eu consigo entender facilmente novas idéias em ciência na escola" e "temas de ciência na escola são fáceis para mim": 62% concordaram.
Para Marta Barroso, professora do Instituto de Física da UFRJ que já estudou o desempenho dos brasileiros em ciências no Pisa, é natural que alunos que saibam mais sejam mais críticos ao avaliar seu desempenho: "Lembre-se que "quanto mais eu sei, mais sei que nada sei". Certamente um aluno japonês tem mais idéia do que seja aprender e entender ciências que um brasileiro.Ela diz, no entanto, que também podem ter contribuído o fato de o questionário aplicado aos alunos ser muito longo -com perguntas pouco usuais para o estudante- e a possível percepção do estudante de que responder àquelas questões não era importante ou que poderia ser usado para puni-lo.
(Folha de SP, 6/12)

a ciência foi pro espaço... no mau-sentido

Só repassando a notícia que foi publicada ontem no site do Jornal da Ciência (JC e-mail 3404, de 05 de Dezembro de 2007), já um recorte do jornal Estadão:


"Pisa: Em ciência, 61% estão no pior nível

27,9% dos alunos não chegam nem ao grau mais baixo de compreensão
Resultado do Pisa (Programa de Avaliação Internacional de Estudantes*) divulgado ontem mostra que 61% dos alunos brasileiros estão abaixo ou no pior dos 6 níveis de desempenho em ciência determinados pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Ao dividir por área de conhecimento, a avaliação evidencia que os brasileiros tiveram melhor desempenho em biologia, deixando outras áreas, como astronomia, ainda com piores resultados.Em uma escala de 800 pontos, 390 foi a nota do Brasil em ciência no Pisa, o que rendeu ao país o nada honroso 52º lugar entre as 57 nações que participaram da avaliação.O Brasil ter ficado no pior nível de desempenho representa que 33,1% dos estudantes que fizeram a prova têm conhecimento científico muito limitado e só conseguem elaborar explicações científicas óbvias ou seguidas de informações já evidenciadas.Entretanto, o Pisa traz outro dado crítico: 27,9% dos alunos nem sequer atingiram tal escala, pois tiveram desempenho abaixo do nível 1.
Segundo Maurício Bacci, coordenador do curso de Ciências Biológicas da Unesp/Câmpus Rio Claro, os resultados do Pisa ilustram a realidade do ensino de ciência no Brasil. “Os alunos chegam às universidades sem formação prática. Com isso, os professores universitários acabam tendo de recuperar conteúdos de ciência que deveriam ser adquiridos na educação básica.” Entre os principais problemas apontados por Bacci, estão a falta de salários atraentes aos licenciados em Biologia, Física e Química e as condições de trabalho oferecidas nas escolas públicas. “É preciso estruturar as escolas públicas com laboratórios e, principalmente, investir em material humano.”
Áreas do conhecimento
O Brasil obteve melhor classificação na área dos sistemas vivos (a biologia), com pontuação 403. Em sistemas físicos (ciências químicas e físicas), a nota foi 385. Já em sistema espacial e planeta Terra (cosmologia, geologia e astronomia), fez 375 pontos, melhor apenas que Colômbia, Catar e Quirguistão.
De acordo com Luiz Carlos Menezes, professor do Instituto de Física da USP, a diferença de desempenho entre as áreas é pequena, mas pode ser reflexo da ênfase dada às ciências da vida nos últimos anos do ensino fundamental.“Hoje, ciência é sinônimo de ciências da vida no ensino fundamental. Os professores que atuam nessa etapa de ensino são licenciados em Ciências e não em Física e Química, com isso há uma tendência a valorizar essa área.” Embora os Parâmetros Curriculares Nacionais sinalizem para a necessidade de ter astronomia, cosmologia e geologia no ensino fundamental, Menezes diz que essas áreas foram praticamente varridas do currículo. “É preciso dar ênfase a essas áreas na formação de professores e nos livros didáticos.” O especialista em física explica que faltam professores formados para dar aulas que motivem os alunos a aprender. “Uma coisa é o aluno ser capaz de olhar para o céu e entender as razões que fazem o Sol nascer no leste. Outra é o professor fazê-los decorar os nomes dos planetas, sem relação alguma com a vida prática.”
O Pisa mostra que, em relação às competências adquiridas em ciência, os brasileiros ainda deixam a desejar. Apenas 33% aplicam o conhecimento científico para resolver um problema. Outro dado alarmante: 35% não tiram conclusões por meio de evidências científicas nem refletem sobre as implicações sociais da ciência e desenvolvimento tecnológico.
Marcelo Knobel, professor do Instituto de Física da Unicamp, acredita que o melhor caminho para reverter esse quadro é o investimento no professor. “Um licenciado em ciências, quando ensina a audição do corpo humano tem de apresentar aos alunos conceitos de som. As áreas do conhecimento biológico e físico têm de estar integradas e, para isso, é preciso bons programas de formação.”
Na escola
Vivian Froes, de 17 anos, no 3º ano do ensino médio da Escola Estadual Jair Toledo Xavier, na Brasilândia, zona norte da capital achou a prova fácil. “Caiu bastante aquecimento global.”Mas Vivian, que quer ser professora de História em escola pública, afirma que o péssimo desempenho do Brasil no Pisa mostra que algo está errado. “Minha escola é boa, temos de fazer até Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Nem todas são assim e tenho medo do que encontrarei quando me formar professora. Os baixos salários e a violência desanimam.”
(Maria Rehder)(O Estado de SP, 5/12)
*O Pisa, exame considerado o mais importante do mundo em educação, é realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) a cada três anos. Cerca de 400 mil alunos de 15 anos, de 57 países, fizeram a última prova.

Segunda-feira, Novembro 19, 2007

meu querido diário... genético?

Diretamente do Jornal da Ciência de hoje copia esta reportagem:
Amy Harmon escreve para "The New York Times":
A exploração do genoma humano é algo que durante muito tempo está restrito aos cientistas nos laboratórios de pesquisa. Mas isto está prestes a mudar. Uma nova indústria está capitalizando a queda dos custos da tecnologia de exames genéticos para oferecer às pessoas um acesso sem precedentes - e sem intermediários - ao seu próprio DNA.Por apenas US$ 1.000 e uma amostra de saliva, qualquer pessoa poderá se inscrever para descobrir o que a ciência sabe a respeito da maneira como os bilhões de bits do seu código biológico moldaram-na como um indivíduo. Três companhias já anunciaram planos para comercializar tais serviços.Quando me ofereceram a oportunidade de ser uma das primeiras pessoas a usar um desses serviços, eu concordei, mas com algumas reservas. E se eu descobrisse ser provável que morresse jovem? Ou que eu pudesse ter passado um gene indesejável para a minha filha? E, para falar em algo mais pragmático, e se no futuro uma companhia de seguros ou um empregador usasse tal informação contra mim?Mas, três semanas depois, eu já estava meio viciada na comunhão diária com os meus genes (uma questão recorrente: tal vício seria genético?).Por exemplo, as minhas mãos doeram no dia seguinte. Assim, naturalmente, eu chequei o meu DNA.Seria esse o primeiro sinal de que eu herdara a artrite que retorceu os dedos trabalhadores da minha avó paterna? Acessando a minha conta na 23andMe, a companhia pioneira que agora tem a custódia do meu código biológico, digitei a minha pergunta no Genome Explorer e cliquei em "return" ("retonar"). Basicamente, o que eu estava fazendo era uma "googlada" no meu próprio DNA.Passei horas todos os dias fazendo apenas isso, à medida que eram anunciados quase que diariamente novos estudos vinculando trechos de DNA a doenças e a características como aparência, temperamento e comportamento. Às vezes, o fato de surfar no meu genoma causou aquele mesmo choque de reconhecimento que ocorre quando alguém vê a si próprio inesperadamente no espelho.Quando cresci, eu me recusei a beber leite. Agora, fiquei sabendo que o meu DNA carece da mutação que facilita a digestão de leite pelos adultos, algo que tornou-se comum entre os europeus após a domesticação das vacas.Mas a experiência fez também com que eu questionasse as suposições sobre mim mesmo. Aparentemente eu não tenho predisposição para boa memória verbal, embora sempre tenha me orgulhado da minha capacidade de lembrar de ditados e citações. Será que eu deveria gravar mais as minhas entrevistas? Decidi que não; sou boa com citações. Venho praticando há anos. Lembrei a mim mesmo que o DNA não é a palavra definitiva.Não gosto de couve-de-bruxelas. Quem sabia que isso era genético? Mas eu tenho o fragmento de DNA que me confere a capacidade de sentir o gosto de uma substância que faz com que as verduras e legumes apresentem sabor amargo. Sou diferente das pessoas que não sentem o sabor amargo - pessoas que, na verdade, gostam de couve-de-bruxelas - devido a uma única diferença no nosso alfabeto genético de quatro letras: em algum lugar no cromossomo humano sete, eu tenho um G onde elas têm um C.Esta é apenas uma das cerca de dez milhões de diferenças, conhecidas como polimorfismo de nucleotídeo único (SNP, na sigla em inglês), espalhadas pelos 23 pares de cromossomos humanos nos quais a 23andMe inspirou-se para adotar este nome. A companhia criou uma lista dos meus "genótipos" - ACs, CCs, CTs e assim por diante, com base nas versões de SNP que possuo na minha coleção de pares de cromossomos.Por exemplo, tragicamente eu não conto com a predisposição para comer alimentos gordurosos sem ganhar peso. Mas pessoas que, como eu, são GG no SNP conhecido pelos geneticistas como rs3751812 são 2,9 quilos mais leves, em média, do que as AAs. Obrigado, rs3751812!E caso uma descoberta recente seja verdadeira, o meu GG no rs6602024 significa que sou além disso 4,5 quilos mais magra do que aqueles cujo código genético apresenta uma soletração diferente. Boas novas, exceto pelo fato de eu agora só poder culpar a minha preguiça pelo fato de não caber mais nas calças que usava antes da gravidez.E, embora haja grande controvérsia quanto ao papel que os genes desempenham na determinação da inteligência, foi difícil resistir a dar uma espiada nos SNPs que vêm sendo vinculados - mas de forma tênue – ao QI. Três me são favoráveis, três contrários. Mas encontrei esperança em um estudo divulgado na semana passada que descreve um SNP intensamente vinculado a um aumento do QI de bebês que são amamentados.Bebês com a forma CC ou CG de SNP aparentemente beneficiam-se de um ácido graxo encontrado apenas no leite materno, mas, os que têm a forma GG, não gozam desse benefício. O meu genótipo CC significa que eu me tornei candidata a um aumento de seis pontos no QI quando a minha mãe me amamentou. E, como, segundo as leis da genética, a minha filha necessariamente herdou um dos meus Cs, ela também se beneficiará do fato de eu tê-la amamentado. E, por falar nisso, onde foi mesmo que coloquei aquelas fichas de inscrição para a pré-escola?Eu nem sempre me senti confortável com relação ao meu genoma. Antes de cuspir no recipiente, liguei para várias grandes companhias de seguro para verificar se estaria prejudicando as minhas chances de conseguir cobertura. Elas disseram que não, mas isso é agora, quando quase ninguém conta com tais informações sobre a própria estrutura genética. Dentro de cinco anos, caso companhias como a 23andMe tenham sucesso, muito mais gente terá acesso a tais informações. E o que as companhias de seguro desejam saber não é exatamente o risco relativo do indivíduo contrair doenças?No mês passado, sozinha em uma sala da sede da 23andMe em Mountain View, na Califórnia, tendo pela primeira vez a minha senha, eu falei umas coisas meio sem sentido (propensão genética?) e caminhei pelo corredor para saber das novidades. Assim que visse os meus resultados, jamais poderia voltar atrás. Eu havia me preparado para o pior que pudesse descobrir naquele dia. Mas e se algo ainda pior surgisse amanhã?Alguns fornecedores de serviços de saúde argumentam que a população não está preparada para tais informações e que seria irresponsável fornecer tais dados sem a presença de um especialista que ajudasse a inserir esse conhecimento no seu devido contexto. E, em determinados momentos, enquanto reunia a coragem para avaliar os riscos que tenho de sofrer de câncer de mama ou Alzheimer, pude ver que tal argumentação faz sentido.A Navigenics, uma das companhias que deseja comercializar informações pessoais referentes ao DNA, tem a intenção de fornecer uma consulta telefônica com um conselheiro genético no momento de entregar os resultados. O serviço prestado pela companhia custa US$ 2.500 e ela a princípio fornecerá dados sobre 20 doenças.A DeCode Genetics e a 23andMe vão oferecer orientações. Todas as três companhias estão apostando que as pessoas desejarão informações instantâneas sobre novas descobertas. Eu sei que jamais conseguiria deixar escapar a oportunidade de preencher uma lacuna no meu quebra-cabeça genético.Decidi não submeter o DNA da minha filha ao exame - pelo menos não agora - porque não quero encarar nada a seu respeito como sendo predestinado.Se ela desejar tocar piano, quem se importa se não tiver uma afinação perfeita? Se quiser participar de uma corrida de cem metros rasos, para que saber se ela carece do gene característico dos velocistas? E será que eu realmente desejo saber - será que ela realmente gostaria de saber algum dia - que genes herdou de determinado genitor, avô ou avó?Mas não estou livre. O que quer que esteja espreitando nos meus genes, esteve lá durante toda a minha vida. Não olhar para isso seria como rejeitar alguma parte fundamental de mim mesmo. Compelida a saber (tendência genética?), naveguei rapidamente pelas telas de advertência do site. Li que não haveria nenhuma informação definitiva, e que novas descobertas poderia reverter as informações que eu recebesse neste momento. Ainda que o site me informasse que o meu risco de desenvolver uma doença fosse alto, poderia acontecer de não haver nada a ser feito quanto a isso, e, além do mais, eu não deveria encarar a informação como um diagnóstico médico. "Se, após levar esses fatores em consideração, você ainda desejar ver os seus resultados, clique aqui", informou a tela.Eu cliquei.Assim como outros usuários dos serviços da 23andMe, o meu primeiro impulso foi olhar as partes do código genético associadas às doenças que mais temo.Mas, ao me deparar com o gráfico de barras que mostra os genes bons em verde e os ruins em vermelho, tive uma sensação perversa de realização. O meu risco de desenvolver câncer do seio não é maior do que o da média, da mesma forma como o meu risco de padecer de Alzheimer. Vi que tenho uma tendência 23% menor do que a maioria das pessoas de sofrer de diabetes Tipo 2. E o risco de ficar paralisada devido a esclerose múltipla é quase nulo. Apresento um risco três vezes mais do que o indivíduo médio de sofrer da doença de Crohn, mas, ainda assim, a chance de que isso ocorra é inferior a 1%.Em suma, deparei-me com uma notável saúde genética, e eu sequer tinha freqüentado a academia nos últimos meses!Mesmo assim, o simples fato de estudar o meu DNA me deixou mais consciente dos riscos básicos de saúde que todos nós corremos. Abandonei o meu hábito de comer meus chocolates M&M no meio da tarde. E, a seguir, abri o meu Jornal Genético na parte relativa a doenças cardíacas para descobrir que tenho uma propensão 23% superior à média de sofrer um ataque cardíaco."Escolhas de estilos saudáveis de vida desempenham um grande papel em prevenir as obstruções que levam a ataques cardíacos", foi o que o site me informou.Obrigado, Jornal Gene. Mas de alguma forma até esse conselho banal soou mais forte quando a advertência veio do meu próprio DNA.De volta a Nova York, segui para a academia de ginástica, apesar de uma reportagem urgente que tinha que escrever, e das ainda não preenchidas fichas de inscrição pré-escolares da minha filha. Agora pelo menos sei que tenho mais tempo. Descobri um SNP que provavelmente indica uma grande longevidade.Mas, naquilo que passei a aceitar como sendo a lei genômica das médias, logo descobri que poderia muito bem passar esses anos extra de vida cega. Segundo os SNPs para degeneração macular que pesquisei na área do Genome Explorer do site da 23andMe, eu corro um risco quase cem vezes maior de desenvolver esta doença do que alguém que apresenta a mais favorável combinação A-C-G-T.E, ao contrário do conselho padrão do tipo alimentação-saudável-e-exercícios referente à saúde cardíaca, neste caso não há muito que eu possa fazer. Mesmo assim, achei o conhecimento a respeito do meu futuro potencial estranhamente confortador, ainda quando ele não se encaixava com aquilo que eu desejara. Pelo menos o meu risco de ter os dedos retorcidos quando for idosa não é grande como eu temia. Eu não tenho o SNP para artrite.Talvez eu simplesmente esteja digitando demais o teclado do computador.
(Tradução:Uol)(The New York Times, Uol.com/Mídia Global, 17/11)
artigo original aqui

Quinta-feira, Novembro 08, 2007

23 pares e mais um pouco...

Divulgação: hoje recebi um email informando sobre o nascimento de um blog sobre genes, genomas e a natureza humana. Batizado de 23 pares, apresenta-se o blog da Márcia Triunfol, bióloga, divulgadora de ciências e "n" outras habilidades, experiências e interesses, conforme ela comenta no "post" de inauguração "Coffee-Lattes, com muita espuma". O via gene deseja muito sucesso a mais esta iniciativa em prol da divulgação científica.
ana cláudia

Quarta-feira, Outubro 31, 2007

Prêmio Nobel-Abacaxi


James Watson e suas declarações desastrosas (retirado da Wikipédia):


"Watson declarou, em artigo publicado no Sunday Times Magazine em 14 de outubro de 2007, que está "inerentemente pessimista quanto às perspectivas da África" porque "todas as nossas políticas sociais estão baseadas no facto de que a inteligência deles é a mesma que a nossa – enquanto que todos os testes dizem que não é assim". Ele afirma desejar que todos fossem iguais, mas argumentou que "pessoas que têm de lidar com empregados negros descobrem que isso não é verdadeiro". Ele afirmou que não se deveria discriminar com base na cor da pele, porque "existem muitas pessoas de cor que são bastante talentosas, mas que não são encorajadas quando não obtêm sucesso no nível mais elementar.


"Não há nenhuma razão sólida para antecipar que as capacidades "intelectuais de pessoas geograficamente separadas em sua evolução provem ter evoluído de forma idêntica", escreveu. "Nosso desejo de reservar poderes iguais de raciocínio como alguma herança universal da humanidade não será suficiente para fazer com que assim seja.""


James Watson e suas desculpas (retirado da Wikipédia):


"Watson (...) desculpou-se por seus comentários, declarando: "para todos aqueles que extraíram uma inferência de minhas palavras de que a África, como continente, é de algum modo geneticamente inferior, posso somente me desculpar sem restrições. Não foi o que eu quis dizer. O mais importante, do meu ponto de vista, é que não há base científica para tal crença", e depois, "não posso entender como posso ter dito o que foi citado como eu tendo dito. Posso certamente entender por que as pessoas que leram estas palavras reagiram da forma que reagiram."


Em 25/10/2007, o filósofo Helio Schwartsman publicou um texto sobre uma recente declaração de James Watson (prêmio Nobel (pela estrutura do DNA) e prêmio Abacaxi (pelo preconceito)) em sua coluna no "site" da Folha OnLine. Pensei em escrever a respeito da declaração de Watson e da reação imediata que esta desencadeou, mas reconheci no texto do filósofo minhas impressões e opinião. Por falta de tempo e pela identificação com esta matéria, reproduzo aqui o que li na coluna do Hélio:


O DNA do racismo


"James Watson, o co-descobridor da molécula de DNA e ganhador do Nobel de 1953, pisou na bola. Em Londres para a divulgação de seu novo livro "Avoid Boring People" (evite pessoas chatas ou evite chatear as pessoas), ele deu declarações escandalosamente racistas. Acho que nem o Borat ou qualquer outro comediante querendo troçar do politicamente correto teria ido tão longe.


Em entrevista ao jornal britânico "The Sunday Times", o laureado disse na semana passada que africanos são menos inteligentes do que ocidentais e que, por isso, era pessimista em relação ao futuro da África. "Todas as nossas políticas sociais são baseadas no fato de que a inteligência deles [dos negros] é igual à nossa, apesar de todos os testes dizerem que não", afirmou.


Até aqui, com muito boa vontade para com Watson, poderíamos argumentar que o venerando pesquisador procura apenas exercer sua liberdade acadêmica, afinal, se há mesmo evidências a mostrar que negros são menos inteligentes, ele poderia ter um ponto. Mas já na frase seguinte ele mostrou que seu raciocínio não era exatamente científico: "Pessoas que já lidaram com empregados negros não acreditam que isso [a igualdade de inteligência] seja verdade".


Watson cometeu aqui pelo menos dois grandes pecados epistemológicos --deixemos por ora a questão moral de lado. Falou em "todos os testes" sem dizer quais e fez uma generalização apressada. Eu já lidei com patrões e empregados brancos, negros, amarelos e pardos, com pessoas burras e inteligentes, e posso asseverar que todas as combinações são possíveis.


Como era previsível, a reação às declarações de Watson foram efusivas. Ele foi desconvidado para vários eventos e houve até quem procurasse nos estatutos da Fundação Nobel uma brecha legal para cassar-lhe o prêmio. O experiente cientista, agora com 79 anos, acabou escrevendo um artigo em que pediu desculpas a quem tenha ofendido.


Não há dúvida de que Watson, reincidente em matéria de opiniões preconceituosas, merecia censuras. Receio, porém, que alguns de seus críticos tenham recaído nos mesmos erros que ele, isto é, afirmar coisas que não podem provar e proceder a generalizações problemáticas.


Os testes a que o laureado se referiu são provavelmente as tabelas de Richard Herrnstein e Charles Murray publicadas em "The Bell Curve" (a curva do sino ou a curva normal), de 1994, um dos livros mais explosivos da década passada. A obra pretendia sustentar que a inteligência medida por testes de QI é um fator preditivo de indicadores sociais como salário, gravidez precoce e problemas com a Justiça melhor do que o nível socioeconômico da família. O texto também afirma que negros dos EUA têm em média um QI mais baixo do que o de outros grupos sociais como brancos, judeus, asiáticos.


Sobretudo na imprensa, circulou a versão de que os autores diziam que a inteligência é dada pelos genes, mas Herrnstein e Murray não foram tão longe em seu determinismo. Eles afirmaram que permanece em aberto o debate sobre se e quanto genes e ambiente influem nas diferenças de QI entre os grupos étnicos --o que representa mais ou menos o consenso científico sobre a matéria.


"The Bell Curve" foi competentemente criticado por grande parte do establishment acadêmico norte-americano. De um lado, vieram as objeções conceituais, encabeçadas por cientistas como Stephen Jay Gould, que contestaram a idéia de que a inteligência possa ser reduzida a um teste de QI. Fazê-lo implicaria aceitar uma série de pressupostos de engolir, como o de que uma noção tão complexa possa ser traduzida num único número e que ela permaneça invariável ao longo de toda a vida do indivíduo. Aqui, estudar não serviria para nada além de acumular informações, coisa que computadores fazem melhor do que seres humanos.


Um pouco mais tarde, uma segunda leva de trabalhos, iniciada por Michael Hout e colegas da Universidade de Berkley, mostrou que os próprios dados de Herrnstein e Murray apresentavam problemas metodológicos, que exageravam a importância dos testes de QI como fator preditivo e diminuíam a do background familiar.


O debate é apaixonante, mas eu receio que, da forma como foi travado, ele esconda o ponto central, que é o de mostrar por que o racismo é errado. E essa é muito mais uma questão moral do que científica.


A evidência empírica não favorece o argumento da igualdade entre os homens, pela simples razão de que eles não são iguais. E opor-se ao racismo não pode depender de uma ficção filosófica que começou a ser escrita por John Locke no século 17, ao criar o conceito de "tábula rasa", segundo o qual os homens nascem como uma folha em branco, e que todo o conhecimento que adquirem, bem como as diferenças que acabam por desenvolver, é fruto das condições externas a que são submetidos. Um rápido passeio pelos rudimentos da neurologia mostra que já nascemos, senão prontos, pelo menos com uma série de estruturas mentais pré-definidas. E elas têm muito em comum, mas em certos pontos variam significativamente de pessoa para pessoa. Embora Locke seja um dos pais espirituais do liberalismo, a "tábula rasa" fez carreira entre pensadores de esquerda do século 20. Por alguma razão obscura, em vez de defender que todos devem ter os mesmos direitos (o que já estaria de bom tamanho), resolveram que a igualdade deveria ser um dado da natureza, mesmo que isso contrariasse o senso comum e as observações diretas.


É engraçado como estamos dispostos a aceitar diferenças entre pessoas (fulano é mais inteligente do que ciclano), mas não entre grupos étnicos. Em relação a alguns assuntos, comportamo-nos como se filhos não se parecessem com seus pais, como se não houvesse algo chamado hereditariedade, que em algum grau é dada pelos genes, e contribui para a expressão das mais variadas características de uma pessoa.


Não fazemos objeção a um juízo do tipo: negros são em média mais altos do que japoneses, mas basta alguém sugerir que os asiáticos tenham uma inteligência média (definida por testes de QI) superior à do grupo de ascendência africana para desencadear uma revolução. O mesmo vale para as aptidões femininas para a matemática ou a predisposição masculina para a infidelidade conjugal.


Médias são um conceito traiçoeiro. Representam um valor obtido a partir resultados válidos para vários indivíduos, mas que não podem ser extrapolados a nenhum indivíduo em particular. Na média, a humanidade tem um testículos e um seio. Nossa experiência ensina que é perfeitamente possível encontrar um indivíduo negro mais inteligente (por teste de QI ou qualquer outro critério) do que um branco anglo-saxônico, judeu, coreano ou o que for. Se de fato há uma predisposição de origem genética para a inteligência, como parece que há, ela não chega, exceto em casos patológicos, constituir uma barreira intransponível ao sucesso intelectual de ninguém. A vantagem de uma pessoa mais favorecida pelos genes pode ser facilmente revertida por outras características como a disciplina no estudo, para citar um único exemplo.
O argumento contra o racismo, o sexismo e outras chagas que desde sempre atormentam a humanidade deve ser moral. De outra forma, se um dia inventarem um teste confiável para medir a inteligência e ele mostrar discrepâncias entre grupos, o que acontece? O racismo estará legitimado?


Por maiores que sejam as diferenças entre indivíduos e grupos de indivíduos, quer elas tenham origem nos genes ou no ambiente (ou numa interação entre eles, como parece mais provável), o fato é que é em princípio errado prejulgar alguém por características (reais ou supostas) que não observamos nessa pessoa, mas no grupo ao qual consideramos que ela pertence.


Podemos ir um pouco mais longe e afirmar que o homem tem uma estrutura psíquica que favorece atitudes etnocêntricas e mesmo racistas. Pensamos, afinal, através de operações mentais de categorização e generalização. Se um membro da tribo vizinha uma vez me atacou, é evolucionariamente útil que eu parta do pressuposto de que todos aqueles que pertencem àquela tribo inimiga tentarão me agredir e antecipe o ataque. Só que esse tipo de raciocínio, que fazia sentido no passado darwiniano, perdeu inteiramente a razão de ser em sociedades modernas. Se ele já foi útil para manter-nos vivos, hoje, a exemplo da capacidade de armazenar energia na forma de tecido adiposo, é apenas um estorvo. Serve para separar e fomentar violência. As forças da civilização exigem que abandonemos essa forma primitiva de pensar e utilizemos a razão e não reações instintivas no trato com outros seres humanos. É isso que Watson, mesmo com toda sua genialidade científica, não foi capaz de fazer. "


Hélio Schwartsman, 42, é editorialista da Folha. Bacharel em filosofia. Escreve para a Folha Online às quintas.

Segunda-feira, Setembro 24, 2007

Sobre jornalistas e geneticistas na Nature Reviews Genetics

a última edição do periódico científico "Nature Reviews Genetics" traz uma publicação interessante sobre a comunicação entre jornalistas e geneticistas (seção Perspectives, ou aqui para quem tem acesso à revista). O título do artigo é "How geneticists can help reporters to get their story right" por Celeste Condit (Departament of Speech Communication, University of Georgia). Segundo a autora, este artigo visa explicar aos geneticistas as forças que moldam o noticiário científico, de forma a minimizar os problemas mais comuns: "Hype" (sensacionalismo científico), determinismo genético e discriminação. Parte do problema parece ser devido ao chamado "hype-space conflict", onde o jornalista tem que lidar com o conflito de usar o pouco espaço que tem apresentando ou 1) um conteúdo mais "chamativo" e "promocional" ou 2) mais informativo, descritivo e imparcial. Além disso, o artigo discute também a questão de reportagens que refletem tendências pessoais do jornalista, independente do conteúdo científico propriamente dito. Muito do artigo baseia-se na divulgação das idéias sobre determinismo genético e sobre raças humanas. O artigo conclui com uma pergunta:

"Grounds for hope arise from the willingness of many journalists to improve their ability to communicate about genetics in an effective fashion. Should geneticists themselves do any less?"

Nota de uma geneticista: concordo que temos que fazer a nossa parte no que diz respeito à divulgação científica "além da academia". Mas é importante notar que a sociedade espera que o geneticista comunique/divulgue ciência primordialmente através da publicação de artigos científicos (ao menos essa atividade é rotineiramente avaliada e exigida de um pesquisador). Deste ponto de vista, o geneticista tem que investir energia em 2 tarefas: comunicação para público especializado e comunicação para o público leigo. Provocação: quem tem que se esforçar mais? Na minha opinião, ainda é o jornalista, já que esta é sua atividade primordial, ou não é?


Quinta-feira, Setembro 06, 2007

via gene KIDS

Uma inovação (da minha parte pelo menos) para divulgar ciência no universo infantil. Sem tempo para atualizar os comentários do próprio via gene... será possível que o via gene kids tenha mais sorte? Só o tempo dirá... da minha parte fica a intenção e a disposição, com um pouco de organização há alguma chance de sucesso.
Está registrado o nascimento deste pequeno "baby-blog", que seja uma experiência divertida e uma oportunidade de treinar outras formas de comunicação da ciência.
O que pode ser mais infantil que GELATINA? "Abra a booooooca, é Royal!"


Domingo, Agosto 19, 2007

quem é a vítima?

A resposta, como sugere o texto abaixo, aponta para a sociedade brasileira, que financia bolsistas/cientistas à "fundo perdido"... mas esta resposta corre o risco de ser precipitada no cenário histórico de investimento e desenvolvimento em atividade científica no Brasil. Reconheço que o compromisso do retorno do bolsista ao Brasil (após realizar o Douotorado no exterior financiado pela CAPES, CNPq, etc.) é uma obrigação aliada à estratégia de capacitar o País em um recurso humano ainda raro: cientistas. Mas não posso deixar de fora a realidade do Brasil, onde o "doutor" convive com poucos, inconstantes e limitados recursos de financiamento de pesquisa científica. Além disso, a "fuga de cérebros" é fenômeno que atinge o mundo todo (exceto os EUA - centro de atração desses "cérebros"). A resposta pode ser menos óbvia do que parece...
Recorte e cole: notícia retirada do site da Folha Online:
"União cobra R$ 54 mi de ex-bolsistas do CNPq e Capes

[ANGELA PINHO da Folha de S.Paulo, em Brasília]

Desde 2002, o governo federal pediu a devolução de cerca de R$ 54 milhões que ex-bolsistas de doutorado favorecidos por ajuda oficial teriam recebido de forma irregular.

O levantamento da CGU (Controladoria Geral da União) envolve a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) --principais fomentadores do benefício.

Os motivos dos processos variam de irregularidades como o abandono dos estudos até a falsificação de documentos. A maioria dos casos, porém, é de ex-bolsistas que fizeram doutorado no exterior e não cumpriram a norma de ficar no Brasil por igual período.

Os "doutores que se formam no exterior" foram alvo de crítica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele disse haver "contra-senso" entre os que criticam o Bolsa Família e não a "bolsa de US$ 2.000 para um doutor se formar no exterior".

O número de cobranças é pequeno em relação ao de bolsas concedidas. Só o CNPq ofereceu 249.632 entre 2002 e 2006, em um total de R$ 2,6 bilhões. Mas o valor pode ser alto para uma só pessoa, e quem não paga ainda tem o nome enviado ao Cadin -banco de dados de devedores do governo.

É o caso de Cristina Campolina, coordenadora do curso de história da Universidade Federal de Minas Gerais. O TCU a condenou a devolver R$ 655 mil de sua bolsa de doutorado para a Universidade de Illinois (EUA) entre agosto de 1986 e fevereiro de 1991.

Em sua defesa, ela disse que vive em "extrema penúria financeira", mas não adiantou. O tribunal determinou que ela quite a dívida e lhe aplicou uma multa de R$ 22 mil. Campolina afirma que não terminou a tese porque seu orientador dizia que só aceitaria o trabalho se ele tivesse documentos inéditos, os quais ela nunca achou.

Diante da impossibilidade de quitar a sua dívida, ela diz que tentará revalidar os créditos do doutorado no Brasil e defender a tese na UFMG. Porém, como não cumpriu o prazo para a devolução do dinheiro --acrescido de juros pela demora no pagamento--, deve ser acionada pela Advocacia Geral da União.

É o mesmo caso do físico Ricardo de Paula e Silva Masetti Lobo. Em 2004, ele foi condenado pelo TCU a devolver R$ 184 mil. Lobo fez doutorado na França entre 1992 e 1996. Após apresentar sua tese, passou um período nos Estados Unidos e foi para Paris, onde vive hoje.

Embora afirme que há "excelentes" órgãos de pesquisa no Brasil, ele diz que desistiu de voltar porque, na época, não havia laboratórios em sua área de pesquisa no país -uma propriedade específica de "luz síncrotron", no campo da física de partículas. O TCU, porém, rejeitou seu argumento.

"Se a obrigação [voltar ao Brasil] não foi cumprida (...) significa que recursos pertencentes à sociedade brasileira, sabidamente escassos, foram empregados em proveito pessoal do bolsista e, até mesmo, em proveito do país que passou a abrigá-lo", disse na decisão o relator, Augusto Cavalcanti.

Lobo lamenta que a questão tenha chegado ao tribunal. "A discussão deixou de ser científica e virou administrativa." A Capes e o CNPq, porém, argumentam que a caso só vai ao TCU depois do fracasso de uma "negociação amigável".

O presidente da Capes, Jorge Guimarães, cita como medidas para tentar impedir que pesquisadores não voltem ao Brasil acordos com embaixadas para não renovar o visto de bolsistas e até uma análise mais criteriosa antes de conceder bolsas em áreas que o risco do não-retorno é maior, como economia.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, fala também no programa de pós-doutorado criado pela pasta e na contratação de 10 mil professores para universidades federais desde 2003 como incentivos à permanência dos doutores no Brasil.

Para quem já tem as dívidas, contudo, o entendimento agora é com o tribunal."

Terça-feira, Agosto 07, 2007

contribuição asiática

Estudos das características morfológicas de dentes de hominídeos indicam, segundo artigo que será publicado na PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences), que a composição das populações humanas européias tem forte componente asiático. Novamento incluo o link para o site de notícias da Agência FAPESP comentando este artigo. Mais lenha para alimentar a questão da origem Africana x Asiática.
Trecho da reportagem da Agência Fapesp:
"Agora, novo estudo aponta que o homem moderno nem é tão africano em sua origem como se acreditava. Quem afirma é um grupo de pesquisadores europeus, após análise de mais de 5 mil dentes de hominídeos dos gêneros Australopithecus e Homo. Segundo o estudo, populações asiáticas tiverem um papel maior do que as africanas na colonização do continente europeu há milhões de anos"

Quinta-feira, Julho 19, 2007

um único berço: a África

Post-link só para circular nota sobre evolução humana. O viagene está temporariamente em marcha-lenta (lentíssima!). A previsão de recuperação para este segundo semestre é de 50%, caso contrário continuamos em primeira (marcha), não de ré - eu espero :)


Com o título: Mais africano do que nunca, o site da Agência Fapesp de divulgação científica publicou hoje uma nota sobre um estudoa da revista científica Nature que confirma a hipótese de origem única - na África - da espécie Homo sapiens (sabem de quem eu estou falando?)


Segue reportagem na íntegra:

"Estudando variações genéticas globais e medidas cranianas de diferentes regiões do mundo, pesquisadores da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e da Escola Médica Saga, no Japão, demonstraram que o Homo sapiens teve origem única: na África.

Os resultados da pesquisa, publicados na edição desta quinta-feira (19/7) da revista Nature, podem encerrar uma longa polêmica entre as teorias evolutivas antagônicas que tentam explicar a origem do homem moderno.


A teoria, conhecida como out of Africa (“saída da África”), defende que todos os habitantes do planeta descendem de um único grupo de Homo sapiens que teria deixado o continente africano há cerca de 2 mil gerações.

Por outro lado, a teoria multirregional, refutada pelo novo estudo, defende que diferentes populações de Homo sapiens teriam evoluído independentemente, em diversas regiões, a partir do Homo erectus, que deixou a África há 2 milhões de anos.


Os autores do artigo agora publicado afirmam que os resultados do estudo representam o golpe de misericórdia na teoria multirregional. Os pesquisadores estudaram a diversidade genética de populações humanas e mediram cerca de 4,6 mil crânios de coleções acadêmicas ao redor do mundo. A pesquisa mostrou que, à medida em que as populações se afastaram da África, houve uma perda da diversidade genética e das variações em atributos físicos.

Até agora, análises genéticas têm apoiado a teoria da origem única na África. Enquanto isso, mensurações anatômicas produziram resultados mistos. A nova pesquisa procurou cruzar os dois métodos. De acordo com o coordenador do grupo, Andrea Manica, do Departamento de Zoologia da Universidade de Cambridge, um dos principais argumentos da teoria multirregional foi refutado quando se verificou que houve perda de diversidade genética nas populações à medida em que os humanos modernos se afastaram da África.


“Alguns cientistas haviam usado dados de medidas cranianas para argumentar que os humanos modernos se originaram em locais múltiplos do mundo. Nós combinamos dados genéticos com novas medidas de uma amostra mais ampla para mostrar definitivamente que os humanos modernos são originários de uma única área da África subsaariana”, disse Manica.

Segundo os pesquisadores, a redução da diversidade genética conforme as populações se afastavam da África foi resultado de “gargalos” ou de eventos que temporariamente reduziram as populações durante a migração.

As mensurações dos 4,6 mil crânios provenientes de 105 populações mostraram que as variações não apenas eram maiores entre as amostras do sudoeste africano como decresciam na mesma proporção dos dados genéticos, à medida em que se afastavam do continente.


Para garantir a validade da evidência de origem única, os cientistas usaram seus dados de modo a buscar origens não-africanas em humanos modernos. “Tentamos encontrar uma origem adicional não-africana, mas isso simplesmente não foi possível. Nossos achados confirmaram que os humanos vieram mesmo de uma única área da África subsaariana”, destacou Manica.

O artigo The effect of ancient population bottlenecks on human phenotypic variation, de Andrea Manica e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com. "

Quinta-feira, Junho 21, 2007

crise nas universidades...

viagene volta num post-relâmpago para uma nota sobre a atual crise nas universidades paulistas, onde manifestações diferentes com motivações diferentes têm criado um certo caos de comunicação e alimentam polêmicas sobre a legitimidade de invasões, greves, notas de repúdio, etc... fica-se com a impressão de que DIÁLOGO é coisa ultrapassada - avançado mesmo é INVADIR! Leia aqui um comentário de Geraldo Di Giovanni (professor da Unicamp) com o qual eu concordo em grande parte*.

*particularmente nunca vi nada errado em haver festas na universidade, mas sou de um tempo quase pré-histórico quando as festas eram eventos quase "artesanais", em horário de "matinê" e promoviam a integração cultural inclusive (como as famosas BIOART dos anos 90) e não super-produções da madrugada.

O blog Roda de Ciência está promovendo um debate sobre o tema este mês. Por favor inculam eventuais comentários aqui.

Quarta-feira, Abril 04, 2007

Orkut na Academia

Diretamente do "site" de notícias da Agência FAPESP:
Quem você conhece: a revolução da social network

04/04/2007 Agência FAPESP

O Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo, em São Carlos (SP), promove, no dia 5 de abril, às 11 horas, a palestra Quem você conhece: a revolução da social network.

O evento, que é aberto ao público, será apresentado por Orkut Buyukkokten, engenheiro de software e gerente de produtos do Google, que falará sobre o desenvolvimento do site de relacionamentos Orkut, com enfoque nos aspectos sociais e técnicos para manter um sistema que superou os 40 milhões de usuários no mundo.

Mais informações: eventos@icmc.usp.br
Viagene: é realmente uma revolução na internet esse Orkut, e tópico dos mais polêmicos na academia. Vale a pena conferir!

Quinta-feira, Março 22, 2007

Blog do Marcelo

Não é sobre o Marcelo Leite - desta vez... mas queria promover a divulgação do Blog do Marcelo Knobel "Diário de bordo: cultura científica EUA 2007" que foi criado para divulgação de uma aventura científica (ou o que o próprio denomina "cultura científica") nos Estados Unidos. Esta oportunidade surgiu como parte de um programa da Fundação Eisenhower (bolsa Eisenhower Multinações) e contemplou este professor do Instituto de Física da Unicamp.

Eis a saudação do viagene comentada no blog do Marcelo Knobel:

Parabéns pela iniciativa de submeter seu currículo à seleção e, obviamente, por ter sido selecionado. Boa sorte nesta viagem-aventura-científica e que sobre tempo para atualizar o blog (ferramenta extremamente "feliz" para uma oportunidade como esta). Vou fazer um "link" no Via Gene para esta nota da Unicamp e para o seu blog, OK? Espero que além de divulgar suas andanças pelo "caminho de Santiago" científico dos EUA, seu blog também tenha um papel importante como modelo de estratégia de divulgação científica e contribua para promover a validade esta atividade para nossa comunidade científica (a Unicamp já inova neste sentido, mas pré-conceitos ainda persistem). Quem sabe você consegue "emplacar" um blog científico no quadro de blogs da Folha de SP? Futebol, F1, gastronomia, política, etc. já estão contemplados há tempos... será a ciência desinteressante de ser "bloggada" ou serão os cientistas que resistem ao formato e à exposição nestas "condições" :). Enfim, sucesso!

A notícia veiculada pelo site da Unicamp pode ser lida aqui.

Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007

língua-mãe ou madrasta?



"Should we therefore make additional efforts to incorporate scientific English into our culture or should we improve our native scientific language? There seems to be no easy solution, although both alternatives present considerable challenges for any non-English-speaking countries. "
ou seja:
"Devemos nos esforçar mais para incorporar o Inglês científico na nossa cultura ou devemos melhorar nossa linguagem científica nativa? Parece não haver uma solução fácil para esta questão, embora ambas as alternativas representam desafios consideráveis para qualquer país que não fala Inglês."
Vale a pena ler a discussão apresentada neste artigo da última EMBO Reports sobre o desafio de escolher entre o uso do idioma oficial (Inglês) ou da língua nativa em publicações científicas. Entram neste tema questões como índice de impacto, soberania nacional, visibilidade na comunidade científica, dificuldades no domínio da língua inglesa, etc.


Espero ter tempo para ampliar esta discussão no viagene, aguardem.




Terça-feira, Janeiro 30, 2007

ciência e a arte de falar simples: uma tentativa


De volta depois de 2 meses...

Texto inspirado no tema de janeiro para o blog Roda de Ciência: a arte de falar simples


Nunca fui escoteira... mas sempre quis ser. Conheci a prática do escotismo através da intensa convivência com amigos “lobinhos” - denominação dada às crianças de 7 a 10 anos que praticam escotismo - durante a minha infância e que se estendeu até a adolescência. Mas na minha época, ao invés da matilha, a opção feminina para o grupo escoteiro eram as Bandeirantes... também não fui bandeirante por nutrir algum preconceito, confesso: diziam que aí se praticavam atividades associadas a costura e cozinha (mal sabia eu o benefício de me habilitar nestas práticas, que agora me faltam...) e achei que estava muito distante do sonho da aventura de acampamentos e excursões na “selva”, no manejo de canivetes, cordas, lanternas e fogueiras, no contato com a natureza e no trabalho – e diversão – em equipe.

- E o que tem isso a ver com o tema “a arte de falar simples”?

A conexão se fez quando fui convidada para dar uma palestra sobre quem é o biólogo para um grupo escoteiro há quase 10 anos atrás. Senti-me tentada a aceitar o convite pelas razões “históricas” reveladas acima. Devo esclarecer que há no escotismo uma diferenciação de “patentes”, a partir dos ternos “lobinhos” até o “chefe-escoteiro”, e cabe ao escoteiro cumprir determinadas tarefas para receber um grau “superior”. Uma destas tarefas era “entrevistar um biólogo”, e para inovar, o escoteiro desta história, optou por apresentar um biólogo em “carne e osso” (no caso, eu) para a turma. E aí surgiu a oportunidade e a necessidade de adaptar o discurso acadêmico ao formato do “falar simples” para divulgar a ciência feita pelo biólogo. Será que o escoteiro poderia imaginar que a conversa seria sobre a vida e a arte das moscas varejeiras?!

O que parecia uma tarefa simples se transformava num desafio cada vez maior à medida que crescia minha consciência do abismo que pode haver entre estas duas linguagens de divulgação, a acadêmica e a informal. Por isso mesmo é preciso um artista para mediar esta transformação do conteúdo, e nem todos somos Charles Chaplins capazes de traduzir a complexidade da vida humana e suas relações através de obras primas que se revelam para todas as idades e “escolaridades”, numa linguagem “universal”.

Munida de um puçá*, um pôster, uma gaiola de moscas e mais algumas surpresas (como larvas e pupas), fui ao encontro deste desafio. Foi um começo meio desafinado, que foi se transformando conforme via os rostos das crianças e adolescentes respondendo ao mundo novo – do biólogo – que ia sendo apresentado ali. A curiosidade é realmente uma aliada inestimável para o divulgador de ciências e, escoteiros, além de sempre alertas, são criaturas extremamente curiosas (até por serem crianças!). Claro que uma gaiola cheia de moscas verdes e um “tupperware” com carniça e larvas esfomeadas foram elementos importantes para despertar essa curiosidade, seja pelo interesse no sistema biológico em si ou pela perspectiva “meio nojenta” – para quê serve isso?

*Visto que o tema é “falar simples”, fica o esclarecimento: puçá: ferramenta formada por uma vara e uma redinha de filó presa ao redor de um aro que serve para capturar pequenos insetos (classicamente associado à captura de borboletas, mas também serve para pegar moscas! ver foto do "post"); larvas: “filhotes” de moscas (fase do ciclo de vida da mosca, popular “verme”); pupa: casulo (fase do ciclo de vida em que ocorre a metamorfose, transformando a larva em mosca adulta).
Tupperware: potinhos de plástico com tampa que revolucionaram os anos 80!

Foi uma experiência inesquecível! Mostrar o ciclo biológico de um organismo, falar de classificação taxonômica, comentar o que são relações filogenéticas (não vale dizer que mosca varejeira “é prima” da mosca doméstica), que mosca tem DNA (inclusive na mitocôndria – mitoquê?), que DNA é uma estrutura dinâmica que conta histórias, histórias evolutivas reveladas por marcas que são passadas por gerações... isso tudo tão fascinante!

E como funciona isso? Interrompe uma pequena apontando para o puçá.

E dá-lhe procurar um inseto para que todos vejam um biólogo em ação. Sorte a minha eu ter conseguido pegar uma micro-mariposa (único inseto voador que assistia à palestra), enquanto me esforçava para não comprometer a figura do biólogo... mal sabiam eles que minhas habilidades com a pipeta (micropipeta, para ser exata) e um tubo eppendorf superam em muito minha desengonçada performance com o puçá (até porque pegar moscas varejeiras com puçá é tecnicamente mais fácil do que pegar mariposas ariscas).

Mas, apesar de divertido, descobri que o “falar simples” é uma tarefa complexa, e sendo arte, requer talento, dedicação e inspiração. Ser simples ao falar de ciência não é o mesmo que ser simplório... ou seja, existe uma linguagem científica, onde diferentes modalidades da ciência adotam termos próprios, o conhecido jargão, para definir conceitos e se expressar da melhor forma possível. O “falar simples” deveria traduzir completamente a linguagem científica? Acho que não é bem assim. No meu mundo ideal, o “falar simples” seria uma ponte para transportar o interessado (ou leigo?) para esse mundo particular, sem “facilitar” a ponto de entediar, nem improvisar a ponto de deturpar a informação. A linguagem científica se utiliza de termos próprios e desconhecidos do público geral para tentar traduzir a própria natureza, assim como Saramago nos provoca a consultar o dicionário para trilhar seus densos – e inspirados – escritos. A arte do “falar simples” está no sucesso de uma divulgação científica que não violenta a linguagem científica, que acrescenta conhecimento àquele que lê – promovendo uma ampliação do universo deste – atraindo-o para uma outra dimensão. Ser um divulgador de ciência não é ser um tradutor, é ser um artista.
Incluir comentários neste link.

Quarta-feira, Novembro 22, 2006

para ver na tv...

Nota interessante do Jornal da Ciência sobre programa de tv que vai ao ar amanhã discutindo temas polêmicos em genética:

Texto reproduzido na íntegra:

“Tome Ciência”, nesta quinta-feira: Faço o que meu gene manda?

Programa é transmitido às 8h, pela SescTV


A História documentou a necessidade de colonizadores e conquistadores de justificar, com base na ciência, a escravidão, o genocídio e a estratificação da sociedade. Hoje, pesquisadores e leigos perguntam se de fato as grandes mazelas da sociedade têm origem na genética. O comportamento violento, as tendências criminosas, o homossexualismo, a inteligência, o abuso de drogas, a esquizofrenia são herdados? Ou a educação e a cultura desempenham papéis predominantes?E ssa é uma discussão polêmica e apaixonada, debatida por defensores das duas principais correntes do pensamento.

Participantes:
Jorge Moll Neto, neurologista, coordenador da Unidade de Neurociência Cognitiva e Comportamental da Rede D'Or de Hospitais, co-autor, com o neurologista Ricardo Oliveira, de um mapeamento das emoções no cérebro.

Suzana Herculano Houzel, neurocientista do Departamento de Anatomia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, autora de livros sobre o funcionamento do cérebro e nossas emoções e desejos.

Sérgio Smith, médico e psicólogo do Departamento de Neurofisiologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Ricardo Waizbort, doutor em literatura, que trabalha com filosofia da biologia na Casa de Oswaldo Cruz, da Fiocruz.

A SescTV é transmitida pelo sistema NET digital nas cidades do RJ e SP (canal 90) e pela Net normal para o resto do país (verificar o canal de sua região ), no canal 3 da Sky, no 211 da DirecTV e no 10 do Tecsat. Em SP, também por UHF, pelo canal 14.

O encontro e a discussão destes temas promete...

Terça-feira, Novembro 21, 2006

email-denúncia: o ensino de biologia em risco?!

Reproduzo a seguir partes de um email denunciando a qualidade do ensino praticado em biologia. Se esse episódio é uma situação isolada ou ocorre de forma mais abrangente é discutível, mas não deixa de ser uma ilsutração triste de uma realidade possível no ensino de ciências (biologia, neste caso).
Achei pertinente trazer este tema à tona pela relevância e pela oportunidade de ampliar esta discussão num ambiente informal e democrático como o "blog". Gostaria de estimular que fossem "postadas" opiniões e comentários (inclusive respostas para algumas das questões "ensinadas" pelo ilustre professor de biologia - personagem "denunciado" nesta "matéria"). O mérito vai para a autora do e-mail pela sua maturidade em questionar a validade dos conteúdos apresentados pelo suposto mestre e sua independência e iniciativa para "buscar a verdade" pela rota alternativa: fora da escola. O relato é muito bem escrito e espirituoso até. Vale a pena conferir, mas alerto que podem ocorrer reações adversas como raiva, frustração, desânimo, indignação, entre outras... Mais uma sugestão de temática para discussão em foro mais amplo como o Roda de Ciência.
PARTE I

"Eu possuo um professor de Biologia que costuma fazer afirmações absurdas e sempre que o questiono ele finge não ter falado determinadas coisas (...) dá explicações ainda piores (...).

Entre muitas coisas, ele disse que cromossomos acrocêntricos não possuem satélite; que o sangue do tipo A é ácido e do tipo B é básico; que existe uma águia com 12 metros de envergadura; que tubarões possuem dentes do tipo siso...

(...) nas últimas aulas ele falou que as pálpebras são uma evolução de chifres. Questionei então como há animais que possuem pálpebras e chifres ao mesmo tempo, então ele disse que nesse caso não são pálpebras, e sim anexos da epiderme.

Gostaria então de saber se há alguma veracidade nisso (...)"


CONTINUA...

Parte II

"Infelizmente o ensino no país está todo errado. Acredito que não seja só na minha cidade, mas no Brasil inteiro segue-se a regra apostilas+macetes e o aprendizado fica pra segundo plano. Até metade do ano eu me irritava com isso, mas conseguia levar. Eu tinha uma visão meio inocente da coisa e era até egoísta - pensava que se eu cursasse Engenharia Mecânica na faculdade poderia me livrar de certas "responsabilidades".

Então quando chegaram as férias de metade de ano, minha mãe me deu um livro do Sagan (O Mundo Assombrado Pelos Demônios), e eu comecei a ler e procurar coisas diferentes. E quando recomeçaram as aulas comecei a questionar mais, e anotar no caderno para pesquisar depois sempre que algum professor falava algo absurdo demais. E o caso do professor de Biologia não foi único. Eu possuo outro (de Biologia também) que é todo místico e adora falar sobre milagres e lições de moral. Um professor de Inglês chegou a falar que o homem não foi à Lua (...). E a maioria não se importa em ensinar a matéria em si, apenas a mostrar como se resolve um exercício.

Quanto aos sisos do tubarão, estávamos numa aula sobre o aparelho digestivo. E como a digestão começa na boca, aprendemos os dentes. Então ele fez um desenho no quadro sobre os incisivos, caninos, molares... e falou "vocês reclamam quando tem que tirar 4 sisos, é porque não conhecem o tubarão que possui XXX dentes do siso" (não lembro agora qual a quantidade que ele falou). Ainda nessa aula, ele falou sobre muitas pessoas estarem nascendo já sem os sisos, e puxou para o lado da evolução. Falou que a galinha não voa porque a asa que ela tem funciona como braços e começou a comparar vários animais. Então disse das pálpebras - não lembro exatamente o que o levou a dizer isto, mas já estou acostumada a ouvir informações que não correspondem exatamente à matéria.

Os cromossomos acrocêntricos pelo menos na minha apostila possuem satélite (mas ele nos mandou riscar!), e pelo que eu pesquisei no Google também possuem. Aí resolvi imprimir e mostrar a ele. Neste dia foi o cúmulo, pois ele teve a cara de pau de dizer que nunca falou que eles não possuíam satélite. Mas ele até nos mandou riscar...

Sobre a ave de 12m de envergadura (que segundo ele vive em algum deserto dos EUA), perguntei a ele onde ele viu ou leu tal coisa, porque a maior ave do mundo vive na Amazônia, e a ave símbolo dos EUA que possui a maior envergadura, pode chegar no máximo a 2.25m. Então ele tentou se esquivar falando que viu num documentário. Eu perguntei qual. Ele disse que não lembrava o nome. Então perguntei qual canal da televisão, porque eu poderia facilmente ver na revista da programação qual programa era. Por fim ele acabou admitindo que o tal documentário PODERIA estar errado.

Este é um dos professores preferidos da maioria dos alunos, outro dia uma menina me falou vários absurdos porque eu e uma amiga costumamos rir das coisas que ele fala. O pior da história não é exatamente ele, é quase todo mundo querer desesperadamente passar em um vestibular sem necessariamente ter aprendido algo e todo esse esquema músicas+macetes... E ironicamente eu estudo em um colégio particular na capital do estado com o 2º menor índice de analfabetismo. (...)

(...)


Uma pequena novidade: eu possuo aula nos dois períodos (matutino/vespertino) e hoje para minha "sorte" as três primeiras aulas da tarde foram trocadas para três aulas seguidas de ninguém mais, ninguém menos que o "famoso" professor. Enquanto explicava os diferentes tipos de tecido, ele falou que a pressão interna no corpo é igual a pressão externa! Se fosse assim, quando nos cortamos o sangue não sairia pra fora. Já encontrei um bom site sobre o assunto, só preciso esperar minha família comprar tinta para a impressora e levarei isto para ele ler (espero que o faça)."
Obs: este texto foi publicado com a concordância da autora do email. A identidade dos envolvidos foi preservada para evitar constrangimentos desnecessários e não minimiza a autenticidade do relato e seu impacto.

Sexta-feira, Novembro 17, 2006

a entrevista na íntegra

Pensei em publicar no via gene a íntegra da entrevista concedida em Julho/06 para a revista Com Ciência Ambiental e assim estender um pouco mais este tema sobre "blogs" científicos. Pensei em divulgar o texto completo depois de refletir sobre o comentário do Luis Brudna (Gluón Blog) no "post" anterior: "Luis Brudna said... Tenho que melhorar minha divulgacao. Quase nunca sou citado. Se bem que meu blog tah cada vez mais balaio de gato. Tenho me desviado um pouco da ciencia. :-)".

Apesar de gostar de ver o via gene citado na "mídia" e em um veículo que agrega reportagens de qualidade, a nota publicada foi bastante econômica com relação ao universo de "blogs" científicos brasileiros (em expansão) e fiquei tentada a rever minhas respostas às questões da entrevista: como será que eu contribui para esta visão reduzida sobre a diversidade de blogs científicos?

Com algum alívio vi que indiquei os "links" do Ciência em Dia* como referência. Pensando bem, não sei porque não incluí os "links" do próprio via... mas talvez a Rita Nardy (responsável pela entrevista) possa um dia nos esclarecer porque optou por uma lista tão restrita (será que ela acessa o via? ).

Aproveito para agradecer publicamente à Editora Casa Latina pelo envio de um exemplar da revista!

ENTREVISTA:

Rita Nardy: Andei pesquisando os Blogs nacionais, e achei muitos bons blogs escritos por jornalistas (como o do Marcelo Leite e Salvador Nogueira) e poucos feitos por cientistas (destaque para o seu e o do Prof. Adilson, São Carlos). A Sra tem essa mesma percepção? Resposta: existem poucos Blogs Científicos de modo geral, independentemente do “autor” do blog ter formação formal jornalística ou científica. Para citar um exemplo, só no jornal Folha de São Paulo existem ao menos 2 blogs sobre futebol, 1 sobre cultura e 1 sobre política, mas nenhum sobre ciência**, apesar dos jornalistas Marcelo Leite e Salvador Nogueira – que você citou – serem colaboradores freqüentes deste veículo de comunicação. A minha percepção é que está havendo um aumento – discreto – de excelentes blogs científicos mantidos por cientistas/pesquisadores, principalmente associado ao interesse em promover divulgação científica de qualidade com novas ferramentas e em novos formatos (no caso o blog) e o debate de temas importantes envolvendo políticas científicas, produção de conhecimento, estratégias de pesquisa e fomento, questões acadêmicas, entre outros tópicos de interesse científico que nem sempre geram interesse jornalístico imediato, mas que estão presentes no dia-a-dia do cientista. Ultimamente tenho consultado mais blogs de cientistas do que de jornalistas (algo em torno de 6:1), mas ainda considero que o blog do jornalista Marcelo Leite é uma referência de blog científico brasileiro e contribuiu, direta ou indiretamente, como estímulo para a criação de outros blogs científicos (de cientistas). Por outro lado, é importante trazer para a discussão que o esforço de divulgação científica, principalmente associado ao formato “blog”, dificilmente reverte em reconhecimento acadêmico ou da comunidade científica, podendo desestimular o ingresso de pesquisadores nesta área, acredito que o mesmo não ocorre com o jornalista.

Rita Nardy: A sra. conhece alguma pesquisa feita sobre o tema ou cadastro de blogs de ciência no Brasil?
Resposta:
existe uma discussão em andamento no sentido de buscar formas de identificar e integrar os blogs científicos brasileiros, na intenção de formar uma rede de blogs científicos com conteúdos integrados e acessíveis a partir de uma plataforma operacional comum. Mas esta é uma iniciativa ainda embrionária que está sendo discutida por alguns blogs científicos. Pesquisa propriamente dita (atrelada a financiamento específico) ou cadastro formal de blogs de ciência no Brasil eu não conheço, mas um cadastro informal de blogs científicos pode ser encontrado nos “links” listados no blog do Marcelo Leite, do Osame Kinouchi & col.*** e outros.

Rita Nardy: O seu blog tem bastante consistência e informação, o que a motivou a criar o blog?
Resposta:
Obrigada pela opinião sobre o via gene. O que motivou a criação do blog foi a facilidade operacional deste recurso e a possibilidade de divulgar alguns conteúdos (informações, discussões temáticas, opiniões, etc.) antes restritos à esfera dos pesquisadores e alunos do laboratório de genética animal (via lista ou grupo eletrônico) para um “público” mais amplo interessado nestas mesmas questões acadêmicas e científicas. Além da divulgação, o blog promove maior interação através da janela de comentários, onde o “visitante” pode manifestar sua opinião, tornando-se um ambiente democrático e de conteúdos dinâmicos. Eu já tinha por hábito enviar comentários, opiniões, sugestões e reflexões sobre tópicos em ciência para a equipe do meu laboratório de pesquisa, via e-mail, então adaptar estes conteúdos e este hábito ao formato-blog só precisou quebrar a resistência do cientista à exposição em um novo ambiente, a internet.
Rita Nardy: Como percebe a resposta dos internautas aos temas que discute no seu Blog? (se possível citar alguns exemplos)
Resposta: temas mais amplos geram mais resposta (comentários) dos visitantes do blog. Nem sempre os temas que escrevo com maior entusiasmo e informação são os que geram maior número de comentários... engraçado, não? Alguns temas aparecem de forma recorrente em diferentes blogs científicos e normalmente são os que dão mais “ibope”, pois muitos dos internautas que comentam no via gene também possuem blogs científicos ou são presença constante no painél de comentários destes blogs. Vários blogs comentaram, por exemplo, sobre uma notícia da revista científica Nature listando os 5 blogs científicos mais populares, gerando uma ampla discussão entre blogueiros e internautas que rendeu painéis de comentários mais ativos. Até a cabeçada do Zidane no final da copa do mundo foi comentada desta forma disseminada e rendeu numerosos comentários, apesar do contexto científico ficar um pouco deslocado, neste caso.

Rita Nardy: A comunidade científica utiliza os blogs como fonte de informação?
Resposta: não acredito... depende do que se entende por “fonte de informação”. Sim, existem cientistas que consultam blogs como também consultam o site de notícias da FAPESP, o Jornal da Ciência da SBPC, a Folha Ciência do jornal FSP e outros sites, para ter um “apanhado geral” das notícias científicas em pauta e uma atualização sobre o andamento de pesquisas em outras áreas. Entretanto, segundo o registro de visitas do via gene, a maioria dos visitantes chega ao blog através de consultas em buscadores como o Google, a partir de uma ampla diversidade de palavras-chave e entram em páginas do blog por acaso. Com base nisso, avalio que a maioria dos visitantes do blog é esporádica e de não-cientistas (visitas recorrentes são uma minoria, mas normalmente de cientistas e especialistas/entusiastas em ciências).

Rita Nardy: Nessa "massa" confusa de informação que se transformou a internet, os blogs vem para facilitar o acesso a informação? Por quê?
Resposta:
no caso dos blogs científicos normalmente há uma “temática” que orienta os conteúdos apresentados e pode facilitar o acesso a determinado tipo de informação: o via gene normalmente dispõe sobre assuntos ligados à genética, evolução, bioinformática, políticas científicas, aspectos diversos da blogosfera científica, questões acadêmicas ligadas à pós-graduação e formação de recursos humanos para pesquisa científica, entre outros. Neste sentido, o blog promove a discussão e o acesso a informações dentro destas temáticas, principalmente. Mas há iniciativas que visam a discussão de temas de ciência e cidadania, além de assuntos de interesse amplo, incluindo geopolítica, comportamento humano e futebol, até. Essa é uma possibilidade do formato-blog, a liberdade de organização de conteúdos segundo a inspiração do autor.

Rita Nardy: Como o interneuta deve proceder para avaliar as informações constantes em um blog? (Exmplo no caso de ciências seria checar as informações do cientista em questão no currículo lattes, CNPq.)
Resposta:
é preciso ter alguma cautela, o blog não é necessariamente – nem pretende ser – uma fonte formal de informação científica, para isto existem publicações e veículos especializados. O blog é um ambiente mais descontraído onde o autor pode especular de forma mais livre dos rigores da publicação científica sobre um determinado tema. Sendo assim, a questão de “avaliar as informações constantes em um blog” não faz muito sentido… publica-se opiniões, especulações, críticas, e manifestações de qualquer outra natureza, conforme critérios próprios do autor do blog. Se o autor for um cientista, provavelmente estará vinculado a alguma instituição de pesquisa, terá o currículo disponível on-line (Lattes/CNPq) e suas “credenciais” poderão ser “checadas”, mas as “credenciais” que importam para um bom blog científico não são necessariamente as mesmas. Na minha opinião, a leitura de alguns dos comentários publicados em um blog é suficiente para se ter uma idéia inicial da sua qualidade como divulgador de idéias científicas.

FIM DA ENTREVISTA

* o Marcelo Leite apresentava uma listagem ampla incluindo diversos blogs e sites, inclusive o Glúon :)
** depois desta data (Julho/06), o jornal Folha de São Paulo incorporou novos "blogs" (pelo menos 5, mas nenhum científico, vale ressaltar).
*** este "blog", ao que tudo indica, foi desativado.
Observação: os asteriscos foram acrescentados posteriormente à entrevista, para incluir notas de atualização.

Terça-feira, Novembro 07, 2006

Com Ciência Ambiental


Foi publicada uma pequena, mas interessante, nota sobre blogs científicos (reprodução parcial neste link) no 4° volume (Outubro/2006) da revista Com Ciência Ambiental (Editora Casa Latina). Além de divulgar a matéria, com o privilégio de ver o Via Gene publicado num veículo de divulgação científica "tradicional", aproveito para divulgar esta nova revista, que acrescenta qualidade e excelentes reportagens ao universo da divulgação científica brasileira, com um foco especial para as questões ambientais. Desculpem o aviso com atraso (estamos em pleno Novembro e eu aqui divulgando uma notícia de Outubro...), mas o referido volume ainda está nas bancas e vale a pena conhecer a revista! Aproveito para agradecer ao contato da Rita Nardy que me consultou via e-mail e elaborou algumas perguntas quanto a minha experiência com o Via Gene e promoveu a publicação da Nota.
Abraços,
ana claudia

Quarta-feira, Outubro 25, 2006

4 notas sobre Crodowaldo Pavan


Rapidíssima: na última edição do Jornal da Ciência da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) saíram 4 notas destacando a contribuição do cientista e geneticista Crodowaldo Pavan para a ciência Brasileira e mundial. C. Pavan ganhou recentementeo Prêmio Professor Emérito - Guerreiro da Educação (promovido pelo Centro de Integração Empresa-Escola - Ciee). As notas podem ser lidas aqui, aqui, aqui e aqui.

Segunda-feira, Outubro 23, 2006

garimpando ciência...

Uma nota rápida que vi hoje na Agência FAPESP sobre um programa que busca textos jornalísticos com enfoque científico. O projeto foi desenvolvido pelo LABJOR da UNICAMP, parece bem interessante, vale a pena conferir!
Pequeno trecho da reportagem:
Agência FAPESP - O Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Universidade de Campinas (Unicamp) desenvolveu um sistema capaz de detectar automaticamente matérias de ciência e tecnologia na mídia impressa, possibilitando uma avaliação da cobertura jornalística em termos quantitativos e qualitativos.
O mecanismo, batizado de Sapo (Science Authomatic Press Observer), foi apresentado na sexta-feira (20/10) durante o seminário “Estratégias para a divulgação científica na sociedade do conhecimento”, em São Paulo.

“Ele é capaz de ‘farejar’ edições on-line de jornais e descobrir onde está a ciência. Trata-se de um banco de dados que coleta, seleciona e organiza os conteúdos de ciência e tecnologia”, explicou Yurij Castelfranchi, do Labjor, um dos responsáveis pela criação do sistema.
Leia mais aqui.

Sexta-feira, Outubro 20, 2006

pequeno príncipe...

Sexta-feira, Setembro 29, 2006

marca do penalti... gol do Daniel

um texto interessante do Daniel Doro Ferrante (Blog = It's equal but it's different) sobre os bastidores da publicação científica, focando a questão dos "rounds" de revisões e críticas argumentativas (por parte de orientadores, co-orientadores e colegas) aos quais um trabalho é exposto até assumir sua forma final como manuscrito que será submetido para publicação (da onde surgem novas rodadas de discussão envolvendo revisores anônimos e editores). Após incorporar mais algumas modificações, aí sim surge a formal FINAL do artigo que é publicada na revista científica. Como identifiquei vários pontos em comum entre a minha - parca - experiência e a reflexão do Daniel, resolvi deixar um "link" para o seu texto aqui. Aproveito para "ressuscitar" um "post" que comenta algo próximo a isso aqui (tudo bem... não é tão "próximo" assim...).

Terça-feira, Setembro 26, 2006

Oportunidade Jovens Doutores em São Paulo

Rapidíssima - para os jovens doutores bolsistas da FAPESP ou do CNPq, aqui vai uma boa notícia: lançado o programa Primeiros Projetos (ver chamada aqui), que oferece algum auxílio para despesas de custeio e capital (30 mil) além da bolsa. Lembra um pouco o extinto programa PROFIX do CNPq (que em 2002 disponibilizava 45 mil para o projeto de pesquisa, 2 bolsistas de Iniciação Científica e 1 de apoio técnico, 1 viagem internacional/ano para participação em evento científico, além da bolsa, por um período de 4 anos - um sonho de consumo de todo jovem-doutor, melhor que isso só um vínculo empregatício mesmo!!). Mas, o destaque aqui é para a iniciativa do "Primeiros Projetos"... em uma próxima oportunidade volto ao Profix (que deixou saudade, além de várias publicações e excelentes recursos humanos "no mercado" acadêmico).
é isso...

Sexta-feira, Setembro 15, 2006

Craig Venter em Petrópolis

Nota relâmpago: Craig Venter - um dos decifradores do genoma humano (tido como o BadBoy da genômica por ostentar a figura de cientista-mega-empresário capitalista, ao qual a mídia ainda acrescenta uma imagem de anti-acadêmico para polemizar ainda mais) estará no Brasil participando de um evento em Petrópolis, RJ, mais precisamente no LNCC (Laboratório Nacional de Computação Científica).

Apesar do chamariz (Venter), queria mesmo é divulgar o evento do LNCC:

Global Dialogues on Emerging Science and Technology (GDEST) - BIOINFORMATICS

informações básicas podem ser encontradas no "link" acima e a inscrição (vagas limitadas) pode ser feita neste "site".

deu no DOU (Diário Oficial da União)...

mais sobre a regulamentação do acesso ao patrimônio genético... aqui está a matéria que saiu ontem no Jornal da Ciência sob o título: "Publicada resolução que diminui burocracia para a pesquisa da biodiversidade" que representa um avanço no sentido de evitar o "enquadramento" de pesquisadores da biodiversidade brasileira como "piratas do patrimônio genético", evitando assim uma série de constrangimentos, mal-entendidos e conflitos de natureza variada entre pesquisadores e autoridades. Sobre esse assunto veja mais aqui e aqui e aqui e aqui (com entrevista) - os 3 últimos "links" são textos da Maria Guimarães (ver blog Ciência e Idéias).

Leia a íntegra da Resolução n° 21 de 12 de setembro:
“Conselho de Gestão do Patrimônio Genético
Resolução Nº. 21, de 31 de agosto de 2006
O Conselho de Gestão do Patrimônio Genético, tendo em vista as competências que lhe foram conferidas pela Medida Provisória nº. 2.186-16, de 23 de agosto de 2001, e pelo Decreto nº. 3.945, de 28 de setembro de 2001, e o disposto no art. 13, inciso I, do seu Regimento Interno;
Considerando que diversos tipos de pesquisas e atividades científicas poderiam enquadrar-se sob o conceito de acesso ao patrimônio genético para fins de pesquisa científica simplesmente pelo fato de utilizarem ferramentas metodológicas moleculares para a sua execução de modo circunstancial e não propriamente porque seus objetivos ou perspectivas estejam relacionados com o acesso ao patrimônio genético;
Considerando que a finalidade dessas pesquisas e atividades, assim como seus resultados e aplicações, não interferem no principal objetivo da Medida Provisória nº. 2.186-16, de 2001, que é a garantia da repartição justa e eqüitativa dos benefícios resultantes da exploração econômica de produto ou processo desenvolvido a partir de amostras de componentes do patrimônio genético, resolve:
Art. 1°
As seguintes pesquisas e atividades científicas não se enquadram sob o conceito de acesso ao patrimônio genético para as finalidades da Medida Provisória nº. 2.186-16, de 2001:
I - as pesquisas que visem elucidar a história evolutiva de uma espécie ou de grupo taxonômico a partir da identificação de espécie ou espécimes, da avaliação de relações de parentesco, da avaliação da diversidade genética da população ou das relações dos seres vivos entre si ou com o meio ambiente;
II - os testes de filiação, técnicas de sexagem e análises de cariótipo que visem a identificação de uma espécie ou espécime;
III - as pesquisas epidemiológicas ou aquelas que visem a identificação de agentes etiológicos de doenças, assim como a medição da concentração de substâncias conhecidas cujas quantidades, no organismo, indiquem doença ou estado fisiológico;
IV - as pesquisas que visem a formação de coleções de ADN, tecidos, germoplasma, sangue ou soro.
§ 1º. As pesquisas e atividades científicas mencionadas neste artigo estão dispensadas da obtenção de autorização de acesso a componente do patrimônio genético.
§ 2º. O critério estabelecido nesta Resolução tem a finalidade exclusiva de orientar o enquadramento destas atividades sob a Medida Provisória nº. 2.186-16, de 2001, sem prejuízo do atendimento das exigências estabelecidas em outros instrumentos legais, bem como em tratados internacionais dos quais o Brasil seja Parte.
Art. 2°. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
Marina Silva
Ministra de Estado do Meio Ambiente”
(Assessoria de comunicação do Ibama).

Sexta-feira, Setembro 08, 2006

Internet e Academia: the good, the bad & the ugly

Apesar de ter sugerido este tema, temo que identificar os aspectos bons (“good”), ruins (“bad”) e horríveis (“ugly”) da relação internet e academia seja uma tarefa subjetiva e muito influenciada pela experiência individual. Além destes, existem ainda os aspectos “polêmicos”, que dificultam a atribuição de adjetivos. Enfim, estou curiosa para descobrir quais questões seriam consenso nesta ciranda de setembro do Roda de Ciência e se há controvérsias, e quais os argumentos? Esclarecimentos prévios (talvez desnecessários?): ACADEMIA aqui se refere ao ambiente acadêmico ou universitário, onde predominam as atividades de ensino e pesquisa, voltado para a formação de recursos humanos, no sentido mais amplo que o termo “formação” compreende. E INTERNET se refere ao conjunto de ambientes e ferramentas virtuais em ampla expansão e diversificação que tem revolucionado a comunicação e o acesso à informação, no sentido mais amplo que o termo “revolucionar” compreende.

GOOD
De modo geral, a INTERNET promove o acesso quase irrestrito à informação (pessoas, opiniões, bancos de dados, artigos, instituições, formulários, “softwares” e aplicativos para uso “on-line” ou “downloads”), a operacionalização deste acesso através de sofisticadas ferramentas de busca (tipo Google, PubMed-Medline, Blast – para os entendidos em sequenciamento :), Wikipedia e outros), a realização de um “n” número de operações (compras/comércio, movimentações bancárias, ensino à distância, vídeo-conferência, “uploads” de documentos, envio de mensagens instantâneas ou via correio-eletrônico) e outras inúmeras atividades (“blogs” incluídos) que nem me atrevo a tentar listar, pois o risco de soar incompleta é grande, dado o grau de inovação das iniciativas em tecnologia da informação. O grande e inegável benefício da INTERNET é a DEMOCRATIZAÇÃO do acesso à informação (não necessariamente o Conhecimento, mas este também pode estar incluído aí) e à comunicação. Invocar a democratização nem sempre significa que não haja um público excluído (seja devido à censura institucional, seja por falta de infra-estrutura básica (computador+provedor)), mas esta situação ocorre a despeito da realidade tecnológica disponível.

A minha impressão atual é de que a Academia tem uma relação íntima e altamente dependente com a Internet. O uso de informação on-line e atualizada já é um vício acadêmico, a comunicação via e-mail permite o gerenciamento de listas/grupos de discussão (de um laboratório, uma classe, um curso, um departamento, da universidade, etc), o contato direto com pesquisadores/professores, a transferência de diferentes conteúdos em uma variedade enorme de formatos (arquivos), além de – supostamente – preservar o sigilo desta informação, e onde cada endereço eletrônico deveria corresponder a uma única identidade.

Páginas da “web” dedicadas a disciplinas, cursos e universidades ou institutos de pesquisa podem ser verdadeiros catálogos com informações sobre praticamente tudo relacionado ao tema. Na página da UNICAMP, por exemplo tem-se acesso desde o regimento geral, e despachos da administração até o cardápio do “bandejão”, sendo possível consultar ramais telefônicos e contatos (email) de funcionários dos mais diferentes departamentos e cursos. Eu mesma já encaminhei uma mensagem de e-mail diretamente ao reitor da UNICAMP há alguns anos para comentar a questão dos recém-doutores e o reconhecimento da sua contribuição nas atividades de pesquisa e ensino da Universidade (para a qual recebi uma resposta quase em tempo real!).

Ainda na UNICAMP, uma iniciativa recente é a digitalização das teses de mestrado e doutorado defendidas na instituição e disponibilizadas via arquivo pdf. As minhas teses de mestrado e doutorado já foram “downloadadas” 30 e 47 vezes, respectivamente, impressionante. Estou curiosa para saber quando (e se) a tese de doutorado do jornalista de ciência Marcelo Leite estará disponível para “download” :). Em uma consulta relâmpago me deparei com o seguinte título: “No “mundo dos jornalistas”: interdiscursividade, identidade, ethos e generos”, de autoria de Jauranice Rodrigues Cavalcanti (tese apesentada para obtenção do título de doutorado), com 98 “downloads” e 370 visitas (fiquei no chinelo... :)). Consulta à palavra-chave “BLOG” gerou apenas um resultado (Entre o publico e o privado : um jogo enunciativo na constituição do escrevente de blogs da internet) de um doutorado em lingüística, mas já confirma que a academia “pousou” seus olhos vigilantes e interrogativos nesta “modalidade” de divulgação on-line. Registre-se ainda 6 títulos para “internet e educação”.

O cadastro e a busca de pesquisadores e grupos de pesquisa operacionalizado pela plataforma Lattes do CNPq é outra experiência que tem tido uma enorme repercussão na comunidade científico-acadêmico, seja pela sua obrigatoriedade seja pela disponibilidade de um extenso banco de currículos com dados completos e atualizados (uma vez que estas informações são consultadas nos julgamentos de propostas de pesquisa).

O portal CAPES de acesso a periódicos científicos é outro ambiente da internet que compõe a linha “democratização” do conhecimento científico, promovendo o acesso ao conteúdo de inúmeros periódicos científicos – mais ainda pode ser melhorado – a um conjunto de instituições consorciadas. Além deste formato de acesso restrito a assinantes ou consórcios, iniciativas de promover o acesso aberto a publicações científicas de alto impacto figura entre um dos maiores benefícios da relação internet-academia (ver exemplo aqui da PLoS – Public Library of Science).
Da minha área de atuação uma das contribuições mais evidentes e significativas com relação ao desenvolvimento de projetos de pesquisa em genética e biologia molecular é o GenBank, um banco de dados que cadastra sequências nucleotídicas (mais de 100 Gb – gigabases - de informação em 2005) e uma variedade de ferramentas de busca e análise destes dados. Um verdadeiro portal para desenvolvimentos em bioinformática, sendo um banco de dados de referência para projetos de caráter mais específico (como o banco de genomas mitocondriais AMiGA).

O ensino à distância é uma realidade mais recente, e extremamente popular no caso de universidades particulares, que representa uma inovação na relação professor-aluno (polêmicas à parte, incluo esta atividade sob a guarda de “GOOD”).

Poderia facilmente me estender sobre o benefício da relação internet-academia (pois é o que predomina, na minha opinião), mas não é este o propósito do comentário, mas sim refletir que esta relação “saudável” nem sempre é regra e outros aspectos chamam a atenção...

BAD
Mas... e o que dizer de verdadeiros fenômenos de popularidade como portais de relacionamento social (Orkut) e afins? Salas de bate-papo (ou “chats”), comunicadores instantâneos como o Messenger, Skype, e similares, grupos eletrônicos, como o Yahoo Groups e inúmeros outros aplicativos ou ambientes “on-line” que promovem alucinadamente a comunicação via rede mundial de computadores (blogs, incluídos?)? Algumas destas atividades chegam a ocupar o “status” de pragas acadêmicas, devido à interferência que podem causar quando competem pela atenção do usuário (aluno ou pesquisador ou funcionário) com as “tradicionais” atividades de ensino e pesquisa, função primeira da academia. Sob a perspectiva do uso democrático e consciente dos recursos virtuais, limitar o acesso à Internet, instituindo regras de uso e censura de “sites” ou atividades específicas, parece violar o benefício maior da rede: a comunicação livre.
Mas, por mais que se queria preservar a liberdade do uso da internet (eu tenho defendido esta “causa” sempre que me confronto com situações de possível “mal-uso” do recurso), há de se reconhecer que abusos são REAIS, freqüentes, diversificados e podem sim comprometer o andamento de atividades acadêmicas. Não acredito que inovações da comunicação – mediadas pela internet - possam promover “desvios de comportamento” que transformem indivíduos satisfatoriamente integrados ao ambiente acadêmico em viciados integralmente absorvidos pela Internet (“chat maníacos”, “bloggeiros”, “orkuteiros” e outros “internáuticos” de plantão), apesar de reconhecer que existem “riscos” e até profissionais especializados em tratar de “viciados em Internet” (seja lá o que for isso...). A via do diálogo pode ser uma estratégia eficiente se houver disposição das partes envolvidas – o agente e o gerente.

Patologias à parte, é possível gerenciar o “bad” da Internet na academia, desde que respeitadas algumas regras básicas para uma convivência saudável, no laboratório de pesquisa ou na sala de aula. Assim como se desliga um celular numa sessão de cinema, o uso de recursos de Internet durante o “expediente” acadêmico deveria priorizar o aprendizado e a construção e divulgação de conhecimento científico-acadêmico. A escolha em utilizar o recurso de forma consciente pode ser estimulada, ao invés de “castigar” o mau-uso com restrições e censuras (há diversas instituições ou departamentos que bloqueiam eletronicamente o acesso a determinados “sites” como solução para minimizar abusos de uso da Internet, será que resolve?).

UGLY
Os vilões de praxe estão representados pelos inúmeros e constantes vírus de computador e variantes que contaminam a correspondência de e-mail e outros ambientes de Internet como spams, ad-wares e afins, incluindo mensagens na forma de corrente e propagandas comerciais, ideológicas e inutilidades de natureza variada.

As atividades comentados em “BAD” também podem ser promovidas à classificação “UGLY” quando ocorre o uso indiscriminado da infra-estrutura computacional (normalmente cara) mantida pela academia numa dimensão de larga-escala e com a explícita conivência institucional. Descrevo um episódio (sem dar nome aos santos...): ao participar de um concurso público para vaga de professor universitário na universidade XXX, procurei a biblioteca da instituição para fazer um levantamento bibliográfico e preparar a prova didática (uma aula sobre um tema sorteado com 24hs de antecedência) tive 2 surpresas: 1) havia na biblioteca uma grande quantidade de computadores com acesso IRRESTRITO à Internet disponível para a comunidade acadêmica, predominantemente alunos (horário: 9h30m) e 2) TODOS os computadores estavam ocupados e acessando páginas do Orkut (horário: 12h30m).

No primeiro momento achei que estava no primeiro mundo: computadores modernos para todos, promovendo a consulta ao acervo da biblioteca e a periódicos eletrônicos, porém sem restrição de acesso (o que diferia da estrutura disponível em algumas bibliotecas da Unicamp, onde apenas podia-se navegar pelo sistema de bibliotecas da instituição). Poder consultar emails, ler uma notícia de jornal, visitar algum “blog”, trocar algumas idéias via messenger naquele computador poderia transformar a própria biblioteca num ambiente ainda mais interativo, atraente à comunidade acadêmica por prover o acesso à www, propício para a troca de informações, enfim, ampliar o benefício da internet para atender tanto aos interesses acadêmicos – primordialmente - quanto à diversificada gama de interesses daquele integrante da academia, o que promove o bem-estar e a qualidade das relações entre instituição e membros.

No segundo momento constatei a triste (na minha opinião) realidade: não havia diversidade, o interesse em acessar a internet convergia integralmente, sem exceção, para as páginas do “site” de relacionamentos Orkut. A cena: todos os computadores ocupados, a funcionária da biblioteca me informa que se alguém (eu, no caso) precisar usar o computador para uma consulta aos acervos ela pede que o orkuteiro “libere espaço”. Um tanto constrangedor, não?!

Enfim, a internet na academia deve seguir um padrão liberal ou mais controlado? Será que estamos preparados para gerenciar nossa “liberdade” (ter liberdade para usar o recurso é diferente de fazer “mau-uso” do mesmo)? Será que estamos amadurecidos para fazer escolhas e ampliar os benefícios da relação academia-internet?
Favor postar comentários aqui

Quarta-feira, Setembro 06, 2006

Charge do Jornal da Ciência - SBPC

Este "post" é pela charge mesmo, muito espirituosa! Está divulgada na página do Jornal da Ciência da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência).

Segunda-feira, Setembro 04, 2006

notas da EMBO Reports

Sempre encontro comentários interessantes nos conteúdos da EMBO Reports, e algumas notas são de acesso livre, como a que comento neste "post". A opinião (ou "viewpoint") intitulada: "Writing readable prose: When planning a scientific manuscript, following a few simple rules has a large impact" vale a pena ser divulgada e lida. Mais curioso é que cobra da redação científica (logo, do cientista), não apenas o rigor no conteúdo desenvolvido, mas também na apresentação do texto, que deve produzir um resultado palatável e conquistar o leitor também pela forma. Retirei alguns trechos que achei interessante destacar, até porque me "atingem" diretamente (como incluir informação via "parênteses") :). Eis alguns trechos (quem tiver dicas à acrescentar ou discordar delas, pode contribuir para ampliar esta discussão):
1) "More than a decade ago, Martin Gregory observed in Nature that "There are two kinds of scientific writing: that which is intended to be read, and that which is intended merely to be cited. The latter tends to be infected by an overblown and pompous style. The disease is ubiquitous, but often undiagnosed, with the result that infection spreads to writing of the first type" (Gregory, 1992). It seems that little has changed."
ana: bem direto, não?
2)"Those who want to read about science for pleasure are advised to pick up the science pages of a newspaper or a popular-science magazine instead."

ana: é impressão minha ou isso tem "tudo a ver" com a discussão de Agosto do Roda de Ciência sobre Divulgação Científica (ver contribuição do via gene)? Enfim, segundo especialistas, conquistar o público vale também para a divulgação científica acadêmica, aquela que prima por figurar nas melhores revistas indexadas e de circulação internacional, então o pesquisador vai realmente ter que arregaçar as mangas e investir e valorizar a forma, assim como faz com o conteúdo.
3) "Long-winded sentences with multiple clauses, disclaimers and parentheses are hard to read and are guaranteed to discourage even the most interested readers."
ana: esta sou eu, me identifiquei, e agora? Ainda tem alguém aí, lendo...?
4) "Of course, research is rarely a linear process from observation to hypothesis to experimental proof: any scientist knows how often his or her research backtracked or branched off in unexpected directions. But this is not relevant for the reader; in fact, there is nothing more disconcerting than trying to assemble a story from a jigsaw puzzle of results."
ana: comentei sobre essa não-linearidade em algum lugar, quando falava da importância de comemorar o "aceite" da publicação científica como forma de valorizar o trabalho e o empenho do aluno ou pesquisador que tem que enfrentar, justamente, essa não-linearidade (não é fácil convencer alguns alunos de Iniciação Científica que a ciência não funciona de forma linear... a idéia que se tem é de uma certa "mágica" - olha os parênteses aí de novo :( ).
5) "The purpose of writing a research paper is not only to present results, but also to explain, interpret, predict, suggest, hypothesize and even speculate."
ana: aliás, chegar a esse momento é que devia ser a motivação do esforço científico, sua verdadeira contribuição.
6) "If a paper ignores readers' interests, they in turn might ignore the paper."
ana: "its sad but its true", como já dizia o Metallica. Nada mais justo!

mídia em luto

Era uma vez o caçador de crocodilos... leio hoje na Folha de SP matéria que deixo o "link" aqui sobre a morte do apresentador, um dos primeiros no gênero, depois veio uma série de imitadores... puxa, profissão arriscada MESMO! Estou pasma...

Sexta-feira, Setembro 01, 2006

notas mínimas

apenas fazendo as vezes de "roteador"...

1 - repasso uma nota da Agência FAPESP comentando um estudo publicado hoje pela Science (Science express*, Fruit Fly Tracks Global Warming) sobre alterações genéticas em Drosophila subobscura e a caracterização de mudanças climáticas globais baseado em estudos populacionais da relação entre frequências de inversões cromossômicas (nas drosófilas) e o aumento da temperatura ambiental (ver resumo ou, para quem tiver acesso à revista, leia na integra aqui). Material complementar ao artigo - "Material & Métodos" e tabelas - está disponível aqui)
*Science express = portal que disponibiliza a versão eletrônica de artigos selecionados, previamente à publicação impressa (ou segundo jargão da área: "in advance").
2 - circulando pela Science Magazine, achei algo interessante numa relação de "highlights" sobre ciência na web (NetWatch): o Textbook Revolution, "site" que disponibiliza livremente material didático e livros-texto (principalmente Biologia e Biologia Molecular). Vale a pena conferir! Uma curiosidade: a partir do "link" Textbook Disclaimer Stickers acessa-se uma cômica relação de adesivos criados a partir de um original (absurdo!) elaborado pelo estado da Georgia (EUA) que alerta sobre conteúdos de evolução em livros didáticos de biologia:
"This textbook contains material on evolution. Evolution is a theory, not a fact, regarding the origin of living things. This material should be approached with an open mind, studied carefully, and critically considered"
Parece que a ultima decisão judicial foi favorável à remoção dos tais adesivos criacionistas dos livros de biologia, segundo nota que reproduzo do "site" citado:
"The infamous Cobb County sticker is now officially unconstitutional (read the decision), although the district is appealing the judgment."

Terça-feira, Agosto 29, 2006

ciência e divulgação científica: uma comunicação possível?

Contribuição de Agosto do Via Gene ao Roda de Ciência (ver nota aqui):

Ainda estamos em Agosto... então aqui estão algumas impressões sobre o tema do mês.

Desde a iniciação científica, no início da década de 90, tenho formulado uma idéia – mais ou menos flexível – do que é a Ciência (fica a inicial maiúscula como reconhecimento do fascínio que esta palavra evoca em mim): um campo de intensa experimentação teórica e prática, calcado no raciocínio lógico, na argumentação sobre fatos, observações de causa e efeito, elaboração e teste de hipóteses explicativas, embebido na criatividade e na liberdade à formulação de idéias, cuja orientação mais ampla (ou seria presunção?) é a compreensão da Natureza, de como ela opera e de como pode ser explorada (ainda mais presunçoso, não?). Além da formação de novas idéias, há neste fenômeno humano de “fazer ciência” a formação de pessoas, recursos humanos capacitados para pensar e agir cientificamente, o que é algo ainda mais fantástico! Concordo com a Lúcia Malla que esta é uma questão CENTRAL.

Neste ponto surge a educação científica e o ensino de ciências neste breve divagar...

Imagino que o ensino de ciências possa servir como uma “ponte” para me ajudar a desenvolver alguma idéia com relação ao que entendo como Divulgação Científica (já adianto que não entendo nada... mas não deixo de me entusiasmar com a idéia de que ainda posso aprender uma ou duas coisas) .

Ciência, ensino e divulgação são diferentes em conceito e forma, mas como irmãs/irmãos, pertencem a uma mesma família, compartilham valores e co-evoluem, aprendendo umas com as outras. Será que a Ciência serve aos cientistas, o ensino aos estudantes e a divulgação aos leigos? Então: cientista pesquisa, professor ensina e jornalista informa? Seria então algo como: a “produção” de conhecimento – a “transmissão” de conhecimento – a “generalização/popularização” do conhecimento? E, às vezes, tem-se a impressão que esses conceitos são estáticos, dinâmica = zero... Mas, e se o cientista se desafiasse a divulgar?! E se o professor se aventurasse na pesquisa científica e o jornalista experimentasse a veia do ensino de ciências?! Subversivo, não? Ou seria inovador? Um sopro de liberdade em prol do todo científico?

Tudo bem que nem todo cientista tem “talento” para atuar como divulgador ou educador, e ainda há uma “tendência” – dentro do ambiente acadêmico – a uma super-valorização do cientista estritamente (ou deveria dizer “estreitamente”?) pesquisador, que gerencia seu tempo e esforço para total dedicação à produção de dados experimentais e redação de artigos científicos (que são os atuais “eleitos” como credencial para qualificar o cientista – se isso é bom ou ruim é outra discussão, mas é fato). Desviar-se para uma atividade de ensino ou divulgação enfrenta alguma resistência (para dizer o mínimo), como toda atividade/atitude romântica.

É nesse sentido que vejo a necessidade de estabelecer mais linhas de COMUNICAÇÃO entre ciência e divulgação científica: seja o pesquisador dedicar-se, também, para a “popularização” da ciência (algo mais “home-made”, “do-it-yourself” – como esse “blog”, por exemplo) ou ampliar sua interação com a mídia especializada, como consultor, crítico, comentador “free-lance”, etc. Alguém falou da questão do exibicionismo, o tipo “James Watson” de publicidade científica... acho complexo isso, pois é preciso uma certa dose de “exibicionismo” – ou vaidade, que seja - para tolerar a exposição pública e irrestrita. Então exibicionismo não é necessariamente ruim – acho que alguém também comentou sobre isso nessa discussão temática de Agosto, não? Seja como for, a imagem do cientista como criatura distante da realidade mundana, incomunicável (alguém mencionou a visão do conhecimento científico como hermético) e acima do bem-e-do-mal (cujas “verdade” não são questionadas – também comentado anteriormente) precisa de uma reformulação urgente! A comunicação mais dinâmica, promovendo uma interatividade democrática (poderia ser anárquica?) com diversidade de opiniões e idéias é uma realidade possível (como exemplifica o Roda de Ciência), que me entusiasma.

A inovação na comunicação é necessária, uma vez que congressos científicos e eventos formais (onde há extensa e intensa apresentação de trabalhos e divulgação de conhecimentos científicos) ainda são fóruns de participação “privilegiada”, um clube de cientistas. Mas, mesmo estes eventos, vez por outra experimentam (afinal é da natureza primária do cientista experimentar) ou se aventuram no espaço da divulgação e do ensino: vide exemplo da minha área específica que integra a programação do Congresso Brasileiro de Genética da SBG – o Genética na Praça**, onde a “academia” abre espaço para a participação de professores, estudantes e comunidade em geral. Pode ser tímida ainda a manifestação de iniciativas desta natureza, mas há espaço e tempo para que evoluam.

Enfim o comentário que se pretendia breve, foi extenso e, nem por isso, amostrou propriamente as diversas reflexões e questões pontuais que vão se formando na minha – por vezes confusa – cabeça. Nada aqui se pretende absoluto ou final, são apenas idéias – me desculpo desde já se desconexas ou mal-apresentadas – que me ocorrem sobre o tema. Depois de um período “incubada” com pendências e compromissos urgentes da vida – estritamente – científica e acadêmica, me restabeleço com o ideal do pesquisador/educador/divulgador de ciência que vislumbro com admiração, e ofereço esta contribuição ao Roda.

ana claudia

**posso estar enganada, mas não encontrei nenhum "link" para o "Genética na Praça" na programação deste ano do Congresso Brasileiro de Genética, é possível que tenha saído da "estrutura" do evento... o que seria uma pena e invalida parte do meu comentário (ao menos a "propaganda" sobre o que a SBG estaria fazendo em prol do ensino e educação em Genética...). Mas para compensar: achei uma iniciativa curiosa chamada Genética na Escola, vale a pena conferir e reabilita a SBG.

obs: por favor incluir eventuais comentários aqui.

Terça-feira, Agosto 15, 2006

Vi aqui a matéria que reproduzo na íntegra abaixo (ponto para as varejeiras!):
Larvas terapêuticas

15/08/2006 Por Eduardo Geraque

Agência FAPESP - "Primeiro, é necessário uma série de cuidados. A partir disso, larvas de moscas varejeiras (Lucilia sericata) podem ser muito úteis para o tratamento de feridas na pele, causadas por diabetes ou outros tipos de doença, como o câncer.

Essa prática, adotada por certas tribos de aborígines australianos – e que segundo relatos, teria sido usada pelos maias –, tem mostrado excelentes resultados. É o que mostra o livro Terapia larval de lesões de pele causadas por diabetes e outras doenças, que acaba de ser lançado pela Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

“Muitas vezes os tratamentos convencionais disponíveis não conseguem curar determinados ferimentos ou, então, apresentam efeito demorado. Por meio da aplicação nas feridas de larvas de moscas criadas em laboratório e esterilizadas obtém-se a limpeza e a cicatrização rápida das lesões”, explica Carlos Brisola Marcondes, autor do livro e professor do Departamento de Ciências Biológicas da UFSC, à Agência FAPESP.

O livro, além de mostrar a importância da técnica, que teria sido adotada com sucesso em soldados durante a Segunda Guerra Mundial, também mostra suas limitações. Ela não deve ser usada, por exemplo, em cavidades do corpo ou em fístulas.

“Essa técnica é usada hoje em aproximadamente 20 países. Em lugares como Grã-Bretanha, Alemanha e Israel ela tem se mostrado muito útil, servindo para evitar amputações e até salvar vidas”, explica Marcondes.

Segundo o autor, a publicação do livro tem dois objetivos básicos. “Ele pretende informar a classe médica e a população em geral da utilidade da terapia e também incentivar a implantação dessa técnica no Brasil”, disse."

Sexta-feira, Agosto 11, 2006

pesquisa sobre blogosfera no BR

Nota rápida via Agência FAPESP de hoje:
"Atualmente, na internet, existem mais de 38 milhões de blogs. A estimativa é que em seis meses esse número deverá simplesmente dobrar. A incrível e dinâmica "blogosfera" será discutida este fim de semana pelo programa de rádio Pesquisa Brasil.

Os ouvintes terão oportunidade de conhecer o trabalho da pesquisadora Alessandra Aldé, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). A cientista social é uma das poucas brasileiras a se debruçar sobre o assunto a partir de uma visão científica. Essas publicações eletrônicos, por exemplo, já estão influenciando a vida política do país, como ocorreu durante o auge do chamado escândalo do mensalão."

Segunda-feira, Agosto 07, 2006

mini-me?


mais uma nota sobre códigos-de-barras de DNA ou "DNA barcodes: agora pequenos trechos do gene mitocondrial COI (que abriga os ~ 600pb que têm sido rotineiramente utilizados em projetos de identificação taxonômica molecular para uma série de organismos animais) estão sendo propostos como sequências com potencial identificador de espécie que podem ser recuperadas de material com DNA degradado ou de amostras de museus. Veja comentário sobre o artigo dos minibarcodes neste "post" do Barcode of Life Blog.

Roda de Ciência

Muito breve... sem dar a devida dimensão que a iniciativa merece, mas sem deixar passar em brancas nuvens: está no ar o "blog" Roda de Ciência que pretende ser um espaço da blogosfera científica - em português - para a divulgação de temas que serão apresentados mensalmente e comentados pelos "bloggueiros" de plantão e outros entusiastas das ciências. Neste espaço estão sendo cadastrados "blogs" de ciência e apresentados temas de interesse científico para um fórum de discussão amplo para os próximos meses. O Tema de Agosto é "Ciência vs Divulgação Científica: a importância da comunicação". Estão todos convidados a participar! Parabéns à iniciativa do time do "blog" Ciência & Idéias!

Sexta-feira, Agosto 04, 2006

direto da toca...

só para registrar que esta foi uma boa semana para o via gene, o gráfico mostra que os primeiros dias de Agosto receberam médias de visitas parecidas com a semana pós "efeito Marcelo Leite" no início de Julho, com destaque para a quinta- feira e seu piquinho animador. É só... de volta à toca!

Terça-feira, Agosto 01, 2006

o sábado que vale uma quinta!


Não estranhe o título... sem tempo para deixar uma opinião sobre alguma coisa mais curiosa ou provocativa em ciências, fica aqui mais um comentário sobre as visitas ao via gene (que continuam tímidas, mas "densas" - devido ao privilégio de receber "visitas comentadas"). Depois de registrar o "efeito Marcelo Leite", as visitas retornaram ao seu nível basal, mas achei curioso constatar que neste último sábado (29/07) o via gene recebeu 25 visitas (!) se aproximando do "score" da última quinta-feira (27/07) de 27 "hits" (é sabido que quartas e quintas são privilegiadas em termos de acessos, reflexo de uma atividade "on-line" mais intensa, um fenômeno que parece ser generalizado na www - alguém comentou algo a respeito anteriormente, depois incluo o "link", OK?). Neste sentido, foi um sábado de Aleluia (!) precedido por uma "sexta-feira 13"... bem, esta foi só uma micro-observação diretamente do micro-universo em que me encontro hoje (este final de mês está exigindo atenção demais e dispersão de menos...).

Segunda-feira, Julho 31, 2006

cadê o Osame?

Me desculpem aqueles que não sabem quem é o Osame (dica: frequentador assíduo de blogs científicos, autor prolífico do blog SEMCIêNCIA e docente da USP, só para listar algumas características mais óbvias).

Mas acho importante incluir esta pergunta (desculpem se inconveniente e muito particular - meio coisa de bloggeiro sem assunto... :( ), uma vez que parte do interesse do via gene é promover e preservar a divulgação científica em todos os seus veículos, inclusive - claro - o "blog" científico. Como o Osame "bloga" uma média de 5 "posts" por dia, isso faz com que sua "ausência" deixe um "gap" (uma lacuna) na pequena - mas expressiva - blogosfera científica brasileira.

Dadas as explicações: Osame, onde você está?

Quem tiver alguma idéia, favor incluir via comentários...

abraços e votos de uma breve "recuperação" ao nosso colega de blog!

Sábado, Julho 29, 2006

"oops effect": orfãos do GenBank

Mais uma nota interessante para aqueles que se dedicam a estudos com sequenciamento de DNA (e outros curiosos científicos) que acabou de sair na última versão da revista PLoS Biology. O artigo investiga casos de publicações científicas que omitem (propositalmente ou não) informações sobre o número de acesso no GenBank de sequências analisadas no trabalho, ou que nem submetem as sequências ao cadastro do GenBank (apesar da política da revista ser explícita quanto à necessidade de depositar todas as sequências utilizadas no estudo no GenBank e incluir o número de registro no manuscrito submetido para publicação). Foi uma surpresa encarar esses índices e a possibilidade de alguns erros serem intencionais por parte dos autores do artigo. Vale a pena conferir esta "denúncia"!
Refrência: Noor MAF, Zimmerman KJ, Teeter KC (2006) Data sharing: How much doesn’t get submitted to GenBank? PLoS Biol 4(7): e228. DOI: 10.1371/journal. pbio.0040228
alguns trechos retirados do artigo-denúncia:

"We know from personal experience that authors of published papers reporting DNA sequences sometimes intentionally fail to deposit their sequences to GenBank and refuse to release them upon request. Is this a rare exception, or do many papers make it past coauthors, associate editors, editors, reviewers, and journal staff without providing the purportedly required data accession numbers?"
mais um pouco:
"Between 3% and 20% of papers in these journals did not include GenBank accession numbers, and between 3% and 15% of studies never submitted their DNA sequences at all."
e a seguir, a finalização:
"The databases of GenBank, EMBL, and the DNA Databank of Japan [2,3,4] serve as a model for data sharing from which the entire scientifi c community can learn. Although they sometimes get bad publicity for errors in DNA sequence submissions (e.g., see [5]), the positive impact they have had on all areas of biology is enormous."
O artigo pode ser acessado (livremente) na íntegra aqui.

nota importante sobre acesso ao patrimônio genético

Vi hoje uma nota publicada no Jornal da Ciência reproduzindo notícia do Estadão (jornal "O Estado de SP"):

DECISÃO DO CONSELHO TIRA CIENTISTAS DA ILEGALIDADE

um avanço na comunicação entre IBAMA e comunidade científica no sentido de desburocratizar atividades científicas envolvidas com coletas de material biológico e inventários de biodiversidade, que esbarravam na medida provisória 2.186, que visa combater a biopirataria e a preservação do patrimômio genético.

trecho da notícia:
"A partir de agora, pesquisas taxonômicas que incluam seqüenciamento de DNA, mas que não tenham finalidade econômica ou comercial, não precisarão mais passar pelo CGEN (Conselho de Gestão do Patrimônio Genético)."

Boa notícia!

um pouco mais sobre a proposta aqui.

Quinta-feira, Julho 27, 2006

cientista robô?

Acaba de sair um artigo na revista Bioinformatics com o seguinte título:

"An ontology for a Robot Scientist"

(referência: Soldatova, L.N.; Clare, A.; Sparkes, A. & King, R.D (2006) Bioinformatics, 22(14):e464-e471; doi:10.1093/bioinformatics/btl207)

Repasso a seguir um trecho do resumo do artigo (publicado no formato de acesso-aberto ou acesso-livre):

Motivation: A Robot Scientist is a physically implemented robotic system that can automatically carry out cycles of scientific experimentation. We are commissioning a new Robot Scientist designed to investigate gene function in S. cerevisiae. This Robot Scientist will be capable of initiating >1,000 experiments, and making >200,000 observations a day. Robot Scientists provide a unique test bed for the development of methodologies for the curation and annotation of scientific experiments: because the experiments are conceived and executed automatically by computer, it is possible to completely capture and digitally curate all aspects of the scientific process. This new ability brings with it significant technical challenges. To meet these we apply an ontology driven approach to the representation of all the Robot Scientist’s data and metadata.
Pergunta: será que a atividade do cientista pode ser reduzida ao formato robótico? Não deveria ser algo mais na linha "robô científico" (= que executa tarefas científicas/conotação técnica) do que cientista-robô? Ou será que preparar uma bateria de reações de PCR, sequenciamento ou qualquer outra peripécia das bancadas de laboratórios de biologia molecular é suficiente para qualificar o sujeito (ou máquina) como cientista? Parece que cada vez mais, termos como reflexão e criatividade perdem espaço no mundo tecnológico (e eu sou favorável ao "tecnológico", mas sem perder a dimensão do talento humano). Um robô dificilmente será um cientista, assim como não será um artista (por mais que possa ser uma "fotocopiadora de luxo", com habilidade para trabalhar na bancada, não terá nunca "o brilho nos olhos" que vem com a descoberta científica). Faça uma observação rápida com qualquer aluno de iniciação científica e a evidência será monumental a favor do entusiasmo humano como parte integrante da definição de cientista!

Terça-feira, Julho 18, 2006

ciência do BR em alta?

relâmpago: ver aqui, via agência FAPESP, nota da CAPES sobre o produção de artigos científicos brasilieros que registra crescimento de 20%... posição do Brasil no "ranking" = 17° (não mudou apesar dos 20% extra). A notícia no portal da CAPES está aqui.

Quarta-feira, Julho 12, 2006

umas coisas interessantes da Nature desta semana:

1- Propaganda da Invitrogen:
Não, o propósito não é fazer propaganda desta empresa (até porque estou mais para a anti-propaganda desde que perdi 4 meses de trabalho com kits-problemas – algo que já comentei em algum lugar deste blog). Mas queria comentar algo sobre a “natureza perversa” das reações de PCRs (até porque eles andam muuuuito na minha cabeça ultimamente, bem mais do que eu gostaria...), e que achei que a tal propaganda se aproveitou disso, veja o que ela diz:
Get successful PCR the first time with AccuPrime(TM) enzymes and primers from Invitrogen. Put an end to waste: reduce rework, optimization, and repeat reactions. Start getting used to PCR you can count on.”
As palavras riscadas (era para ser riscado, mas não achei o recurso no blogger, então optei por re-traduzir como fonte: Webdings) são apenas para confirmar que a intenção não é – mesmo – propagandística (aliás, vez por outra me deparo com palavras e textos riscados em blogs e sites, mas nem sempre entendo o recado... já vi o The Loom utilizar esse recurso para corrigir algo no texto por sugestão “postada” via comments ou alguém falar mal do President Bush e riscar para...? o governo paranóico dos EUA não filtrar?!). Seja como for reparem: 1) “successful (...) first time”, pois, via de regra, PCRs nunca funcionam de primeira e sempre há uma longa e desgastante etapa de padronização experimental para fazê-los funcionar (como se ganhou um Nobel com isso? :)); 2) “reduce (...) repeat reactions”, sempre a tal otimização e finalmente 3) “you can count on”, sim pois esta “ferramenta”-mestre da biologia molecular deveria te ajudar – em teoria - e não te fazer entrar em parafuso! Mas parece que aqui funciona uma citação que vi na tese de uma aluna do lab. que era – mais ou menos assim: ops! Não vou poder re-escrever aqui antes da defesa da tese (27 de julho) para não me adiantar na idéia dela (salvo se eu for autorizada...), mas volte aqui depois desta data que eu incluo a tal citação que revela tudo sobre o estado de espírito das reações de Biologia Molecular.
Mas, vamos ao que interessa:
2 – questão de gênero
Neste comentário “Does gender matter?” (Nature 442, 133-136, 2006), Ban Barres argumenta contra a noção de que as mulheres não progridem nas áreas das ciências devido a inabilidade inata, que tem sido levada à sério por algumas “autoridades” acadêmicas. A introdução é uma historinha curiosa:

When I was 14 years old, I had an unusually talented maths teacher. One day after school, I excitedly pointed him out to my mother. To my amazement, she looked at him with shock and said with disgust: "You never told me that he wasblack". I looked over at my teacher and, for the first time, realized that he was an African-American. I had somehow never noticed his skin colour before, only his spectacular teaching ability. I would like to think that my parents' sincere efforts to teach me prejudice were unsuccessful. I don't know why this lesson takes for some and not for others. But now that I am 51, as a female-to-male transgendered person, I still wonder about it, particularly when I hear male gym teachers telling young boys "not to be like girls" in that same deroga-tory tone.”

É um texto que vale a pena ler, só para nos lembrarmos que tais questões são polêmicas vigentes e não devem passar em brancas nuvens...
3 – questão de direitos autorais

But would giving authors such rights (no caso, o direito de publicar/reproduzir livremente seus artigos) really damage journals? After all, many authors already post the final version of their paper on the web regardless of what their rights agreement says. A study by Jonathan Wren, a bio-informatician at the University of Oklahoma in Norman (J. D. Wren Br. Med. J. 330, 1128–1131; 2005), revealed that the final versions of more than one-third of articles in high-impact journals are freely available online” - veja o gráfico que ilustra o post (se eu conseguir incluir a imagem... ela não quer entrar...).

A nota “PS I want all the rights” (Nature 442, 118-119, 2006, de Emma Marris) é uma opinião interessante sobre os direitos autorais de publicações/revistas que não adotam o sistema open-access em conflito com a cobrança de instituições de pesquisa e financiamento para que os autores exijam diretos sobre estas publicações.

natureza: a "mãe" nua e crua

O livro infanil "Tem um cabelo na minha terra: uma história de minhoca" de Gary Larson é recomendado para crianças de 4 a 8 anos no site do submarino, mas na realidade é uma leitura sensacional para qualquer idade (eu mesma fui comprar de presente para a filha de um amigo e acabei comprando 2: um para mim! Bem... talvez eu não seja uma boa referência de "adulto"...). O autor Gary Larson (The Far Side) é famoso por seus quadrinhos cômicos retratando temas de biologia e história natural com uma ironia incomum e impregnado de conteúdo científco. Neste livro, a visão romântica da natureza é descaracterizada em prol da realidade desconcertante do mundo biológico, apresentada ao leitor pela perspectiva de uma família de minhocas (!). O livro foi publicado em 1998 (título original: There's a Hair in My Dirt!: A Worm's Story), após a fase Far Side Story, mas a crítica ao naturebismo romântico é atual e bem-humorada. O que inspirou este breve comentário no Via Gene foi um "post" recente do jornalista científico Marcelo Leite (Ciência em Dia) sobre o livro Challenging Nature - The Clash of Science and Spirituality at the New Frontiers of Life de Lee M. Silver que critica essas "...visões embasbacadas sobre uma Mãe Natureza benevolente, Gaia e quejandos." (palavras de M. Leite).
Mais um pouco sobre Gary Larson retirado da Wikipedia:
"One of Larson's more famous cartoons shows two chimpanzees grooming. One finds a human hair on the other and inquires about "doing a little more 'research' with that Jane Goodall tramp?" The Jane Goodall Institute thought this was in bad taste, and had their lawyers draft a letter to Larson and his distribution syndicate, in which they described the cartoon as an "atrocity". They were stymied, however, by Goodall herself, who revealed that she found the cartoon amusing. Since then, all profits from sales of a shirt featuring this cartoon go to the Goodall Institute."
PS - a menção ao site da empresa Submarino não tem nenhuma intenção propagandística, apenas informativa, além disso descobri que o mesmo livro está mais barato no site das Lojas Americanas...
PS2 - acabei de ver (via Google) que já fizeram até adaptações para o teatro desta história de G. Larson, conforme informa o artigo "O papel do teatro na divulgação científica: a experiência da SEARA da Ciência" publicado na edição de dezembro da revista Ciência e Cultura (SBPC) do ano passado (2005).

Segunda-feira, Julho 10, 2006

o melhor da copa 2006



http://www.stoo.cc/images/SAimages/6561zidane.gif

Veja no "link" acima a última cena da Copa do Mundo de 2006 que provavelmente ficará na memória de muitos (desculpem-me, mas não sei como incluir a animação diretamente na página... espero que o "link" sirva...). Bem, que dizem que o homem é um excelente cabeceador... No contexto evolutivo, Zidane parece estar meio distante dos primatas... quem sabe houve alguma hibridação, numa linhagem ancestral, com Ruminantia: Caprinae? Será que ele ficou "de bode" com a expulsão e por isso não foi receber a medalha? O que será que o italiano disse que despertou tal ira? E a tradução labial, cadê?! Provavelmente deve ser algo impublicável, mesmo para um "blog"...

Sábado, Julho 08, 2006

efeito Marcelo Leite


Sem tempo para um "postar" um comentário apropriado ao acontecimento do mês (ou do ano?) no Via Gene: 160 acessos num dia ... mas também não poderia deixar de destacar o "efeito Marcelo Leite" no número de acessos ao Via Gene... se continuar assim, vou ter que mudar o nome para "Via Láctea" (desculpem o trocadilho infame), ou seja, se você está lendo isso, há uma grande chance de que tenha sido redirecionado a este site via o blog Ciência em Dia (ou seja... via Marcelo LEITE) que fez um comentário, nesta matéria, sobre um post do Via. Valeu a nota Dr. Leite!

Quinta-feira, Julho 06, 2006

outros top-blogs científicos

Só para completar: os TOP5 blogs citados no último post se referem a blogs mantidos por pesquisadores/cientistas propriamente ditos ("working scientists", conforme a metodologia de busca dos blogs científicos mais populares). Então, ampliando um pouco a lista de blogs de ciência, a Nature apresenta também outros TOP5 blogs "alimentados" por escritores/jornalistas/entusiastas:

TOP1 - sciencebase
TOP2 - Science Blog
TOP3 - THE LOOM
TOP4 - Bad Astronomy
TOP5 - Archaeology

Quarta-feira, Julho 05, 2006

breves notas da Nature

Mais uma vez pequenas notas sobre algumas notícias do último volume da revista científica Nature:

1 - Blog também é ciência - mais uma vez a blogosphera científica conquista espaço em uma das mais conceituadas revistas científicas da atualidade. Aqueles que desdenham do potencial informativo e de divulgação deste "sistema de comunicação" on-line, open-access, altamente atualizado e de autoria não-anônima (o cientista exposto - taí outro bom nome para um "blog" científico) representado pelos blogs científicos vão, aos poucos, perdendo o bonde para uma comunidade científica mais comunicativa e aberta a inovações que democratizam o conhecimento e a participação irrestrita através de fóruns e painéis de comentários não-moderados (preservando-se a pauta científica, claro). A Nature lista os "TOP 5 blogs" científicos e explica sua metodologia via-technorati de "rankeamento". Uma versão mais extensa, incluindo os 50 blogs científicos mais "populares" também aparece como link na página da Nature.

Eis os TOP 5:
TOP1 - Pharyngula
TOP2 - Panda's Thumb
TOP3 - RealClimate
TOP4 - Cosmic Variance
TOP5 - The Scientific Activist

Alguns pontos de vista com os quais eu concordo:
1- Segundo Paul Myers, do blog Pharyngula: "A blog's more like the conversation you'd have at the bar after a scientific meeting";
2- Segundo Stefan Rahmstorf, do blog RealClimate: "the blog fills "a hunger for raw but accessible information" that goes deeper than newspaper articles, but is more easily understood than the scientific literature"; e
3- Segundo Sean Carroll, do blog Cosmic Variance: "Citing other blogs is a sure-fire way to get their notice and maybe a citation in return". But he cautions that citation counts and rankings can be a distraction. "It would be a shame if people worried about traffic and not about having a good blog".

2 - a caixa preta dos artigos científicos - do Editorial:
"That might seem obvious. But despite the efforts of our editors and referees, papers in the biological sciences are still being submitted — and occasionally published — that do not adequately describe the reagents used. Unless efforts are redoubled to eliminate this practice, we could see an era of 'black box' biology, in which outside researchers cannot work out what was done in an experiment."

Um editorial muito interessante comentando a publicação de artigos com metodologias incompletas ou ausentes em áreas de fronteira de conhecimento (como RNAi = RNA de interferência) e a política da revista em coibir tal prática e desestimular a submissão de artigos onde a metodologia não esteja explícita ou que informações complementares não sejam fornecidas pelos autores a quem quer que as solicite. Questões de patentes e desenvolvimentos na indústria e em empresas de biotecnologia são citadas como os agentes responsáveis pela prática de omitir informações estratégicas para a reprodução de determinado experimento - que as vezes passa desapercebida por revisores e editores - prática que será combatida com maior rigor.

3- a questão do peer-review - mais 4 breves comentários (acesso livre) sobre peer-review e autoria de artigos científicos. Destaco um que achei interessante - "Second Thoughts on who goes where in author lists" - que mostra a crescente importância do "corresponding author" (autor para o qual são encaminhadas eventuais questões, dúvidas ou solicitações de "reprints", normalmente o coordenador - mas não necessariamente o executor ou responsável direto - da pesquisa, o chefe-de-laboratório ou o idealizador do experimento). Dependendo do critério de avaliação, este autor (o "corresponding" ou "communicating author") é pontuado tal qual o primeiro autor do artigo ou recebe até uma pontuação maior (se não me engano, no último concurso para pesquisador da EMBRAPA, o candidato recebia maior pontuação quando citado como "corresponding author" do que se fosse um co-autor em outra "posição" da lista de autores - excetuando-se a posição de primeiro autor, cuja pontuação era a maior). Enfim, é uma discussão interessante. Como disse o autor da nota (William F. Laurance), antes de assiná-la: "Please note that I am the first, last and communicating author on this Correspondence", bem-humorado, não?

4- Um texto interessante do blog A Blog Around the Clock - que não é dos TOP5 da Nature (mas está entre os TOP50) - que também comenta sobre a blogosphera científica e seu impacto no futuro da ciência. Abaixo um trecho da introdução à matéria "postada":

"With a new blog being started every 7.5 minutes, and about 2 million blogs in existence right about....now...I want to start thinking about them a little bit more, particularly in the context of my own interest - science. What follows is likely to be an incoherent rant, but I need to write this in order to organize my own thoughts, so bear with me and please post comments. First, a bit of thought about blogs in general, then some thoughts about science, then later I will be putting the two together to try to see the role of blogs in science and how they may affect the way science is done in the future."

e... mais um pequeno trecho para despertar seu interesse nesta leitura:

"So, what is the role of blogs going to be in the future of science? I believe the blogs are going to speed up the internationalization of science, with positive effects for both American and foreign scientists. What expert science bloggers are doing right now and will do even more in the future is take expensive information and make it free. People with access to expensive journal subscriptions will link, excerpt, and comment on technical papers as soon as they are published, thus making them available to scientists in small schools, in foreign countries, and, importantly to, gasp - blasphemy! - amateur scientists. That is exactly what I intend to do with Circadiana. My scientific colleagues in Algeria, Argentina and Poland can contact me (or each other) and start fruitfull collaborations, not just read an occasional paper two months after its publication.."

That's all folks!

incrível... HULK?!


"You are Spider-Man

Spider-Man 70%
Robin 65%
Hulk 65%
Green Lantern 65%
Superman 55%
Wonder Woman 45%
Batman 40%
Supergirl 40%
The Flash 40%
Iron Man40%
Catwoman 20%


You are intelligent, witty, a bit geeky and have greatpower and responsibility."

Claro que isso é só uma entrada lúdica para animar um pouco este espaço (espero não comprometê-lo demais com essas gracinhas...)


Entrei num link (via blog do Daniel*) que te leva a descobrir com qual personagem das HQs você mais se identifica (se bem que, na minha opinião, falou incluir alguns "anti-heróis" para dar mais credibilidade à consulta - já pensou vc se identificando com o Coringa ou o editor-chefe do jornal do Peter Parker? Ou quem sabe, com a "mocinha" que está sempre à perigo, ops, EM perigo... :)).

Resultado: 70% de identidade com o "sempre-em-crise" Homem-Aranha, depois 65% de i.d. com o melancólico e sempre-alerta Robin, empatado com o politicamente incorreto e autêntico, porém facilmente irritável, Hulk... humm... fica para reflexão... tão confiável quanto se orientar pelo horóscopo todo dia... :)

Fica só essa notinha lúdica para atualizar um pouco as postagens do viagene...

*aliás Daniel, não estou conseguindo entrar no seu blog normalmente... será que alguma re-configuração recente "bloqueou" minha entrada via explorer (vou tentar com outro browser)? Só quando opto por "abrir arquivo com o programa... explorer" é que consigo visualizar sua página, mas depois não consigo incluir comentários... e o "Planeta Daniel" também está inacessível... ele já existe?

Quinta-feira, Junho 29, 2006

biologia animada

Neste site o prof. Luis Fernando Marques-Santos, do Depto de Biologia Celular da Universidade Federal da Paraíba disponibiliza ilustrações animadas de processos moleculares e celulares. Há uma quantidade enorme de visualizações possíveis (replicação e transcrição de DNA, tradução de RNA, Ciclo de Krebs, transporte de elétron na mitocôndria - beeeem legalzinho - e inúmeros outros). Vale a pena conferir (se bem que a página ficou um pouco "pesada" no meu computador...).

especial células-tronco na Nature

São vários pequenos artigos sobre o estado-da-arte dos estudos com células-tronco, esses artigos estão no formato acesso-livre (!) e tratam de diversos temas conforme consta no editorial: um glossário sobre biologia de células-tronco, reprogramação e totipotência, orientação da divisão celular durante o desenvolvimento e o câncer, o estabelecimento de "nichos" pelas células-tronco, a questão da imortalidade celular, a variabilidade e complexidade dos neurônios (todos artigos de revisão), além de artigos de estudos em andamento: o uso de células-tronco no tratamento de distúrbios neurológicos, em terapias de doenças cardíacas e doenças do sangue. Enfim, uma compilação muito informativa para quem busca uma atualização e uma maior compreensão do mundo das células-tronco. Este "encarte" especial foi patrocinado pela Invitrogen.
Nota 10!

Terça-feira, Junho 27, 2006

softwares e patentes em Bioinformática - parte 2

Agora foi a vez de Jonathan D. Wren, da Universidade de Oklahoma, publicar um editorial sobre a questão das patentes de softwares com o artigo "Theory and reality for software patents: good in concept, not so good in practice" (Bioinformatics (2006) 22 (13): 1543-1545). O que ele faz é tentar responder à pergunta: "Are software patents bad for developers and researchers? " apresentando a patente como instrumento de proteção de propriedade intelectual que garante a valorização, o reconhecimento e a compensação (financeira) do autor/inventor de determinada inovação, sem a qual corre-se o risco de comprometer a motivação de desenvolvedores e pesquisadores.
Para quem tiver acesso à revista, a íntegra do artigo da Bioinformatics pode ser consultada no seguinte registro: doi:10.1093/bioinformatics/btl168
(no momento estou com a conexão caseira - a UNICAMP suspendeu o expediente de hoje devido ao jogo do Brasil vs Gana - sem acesso ao arquivo.pdf do editorial). Mas vale a pequena nota e o estímulo para que possa haver mais discussão sobre este debate, sempre atual.
PS - votos de um bom jogo para todos!

Quinta-feira, Junho 22, 2006

recorde

Daniel Ferrante (blog) diria que estas "estatísticas não são significativas (e eu concordaria com ele...) pois os "log files" estão muito mascarados nesta forma mais simplificada de contabilizar "hits" (ou visitas) disponibilizada pelo MAPSTATS. Mas não resisti a "publicar" (vou começar a chamar esses "posts" do via gene de "publicações", quem sabe assim aumento meu "impact factor" ou meu "índice Hosame"?) o recorde de visitas (+ de 50) de ontem (notar apenas a linha vermelha, a azul é meio "artificial", pois pode indicar vários acessos de um mesmo computador/pessoa). As quartas-feiras - e dias "vizinhos" - normalmente têm os índices mais animadores. E o Google continua sendo a ferramenta que mais re-direciona internautas curiosos para o site do via gene, assim como o blog do jornalista científico Marcelo Leite - que aliás anda meio "parado" ultimamente... será que ele está de férias?

Quarta-feira, Junho 21, 2006

open-access em crise

Recentemente comentei sobre o impacto de artigos publicados no formato de 'open-access' (algo como acesso livre), inspirada em uma análise publicada na revista PLoS Biology. A edição de hoje da Nature (441:914) publicou uma notícia sobre o balanço financeiro da PLoS, que enfrenta uma crise. Abaixo está um trecho que comenta a figura ao lado:
"The figure show that PLoS lost almost $1 million last year. Moreover, its total income from fees and advertising currently covers just 35% of its total costs. And although this income is increasing — from $0.75 million in 2003–04 to $0.9 million in 2004–05 — it lags far behind spending, which has soared from $1.5 million to around $5.5 million over the past three years."
Em periódicos científicos onde o acesso às publicações é restrito aos assinantes (pessoas físicas ou instituições), como a Nature, os custos de publicação, edição e revisão são parcialmente cobertos pela assinatura (= leitores). Publicações de acesso aberto aderiram ao sistema conhecido como 'author pays' open-access model: os custos são cobrados dos autores do artigo e o usuário final (= leitor) é isento de cobrança. Mas segundo o comentário da Nature, este modelo está seriamente comprometido, uma vez que cobre menos do que 35% dos custos e fica-se com a expectativa (ou dependência) do apoio financeiro por parte de fundações filantrópicas para reverter este quadro. Outra consequência é o aumento do valor cobrado dos autores para ter seu artigo publicado numa revista científica com índice de impacto de ~14.7 (PLoS Biology), passando de US$1.500/artigo para US$2.500/artigo (uau!). E o autor favorável à divulgação irrestrita de conhecimento científico trava um conflito com o bolso (= recursos para pesquisa) e corre o risco de continuar publicando em revistas de acesso restrito (onde normalmente não há custo adicional para os autores). Fica-se na torcida para que publicações de acesso aberto encontrem sua sutentabilidade financeira e sejam mais um recurso em prol da divulgação de ciência!
rapidinho: outro artigo da Nature de hoje comenta no potencial de diferenciação de células pós-natal e sua possível aplicação em tratamentos de células capilares (!), cuidar da careca dá publicação na Nature (e imagino a fortuna que deve ganhar quem desenvolver a "cura" deste fenômeno). Mas esta foi só uma notinha de natureza lúdica (apesar do estudo ser sério: "Mammalian cochlear supporting cells can divide and trans-differentiate into hair cells" Nature 441: 984-987).
rapidinho 2: o tal Graduate Journal da Nature às vezes traz alguma nota interessante, desta vez foi sobre a redação de manuscritos científicos e os conflitos que o autor enfreta ao apresentar e interpretar seu estudo (Write and wrong, por Katja Bargum). Aqui vai um pequeno trecho desta nota:
"Then there is the eternal temptation to promise more than your results deliver. My paper is on kin selection and insects. Do I suggest that it will change the way we study ants, the way we see social insects, or the roots of social interaction? The insanely inflated claims of some papers make me side with a friend of mine, who once suggested that articles should include only methods and results, leaving interpretation to the reader."

ao primeiro orientado...

20 de junho de 2006: nesta data foi a defesa da dissertação de mestrado de Marcos Túlio de Oliveira, trabalho desenvolvido sob minha co-orientação em conjunto com a Profa. Ana Maria Lima de Azeredo-Espin, que apresentou parte dos resultados obtidos pelo projeto PROFIX/CNPq (iniciativa do CNPq que estimulou a fixação de recém-doutores no Brasil, 2002-2006, ver adendo). O Túlio iniciou suas atividades de pesquisa como aluno de iniciação científica do laboratório de genética animal do CBMEG/UNICAMP e recebeu ontem o título de MESTRE, defendendo a dissertação " Estrutura e evolução do genoma mitocondrial na família Muscidae (Diptera: Calyptratae)", trabalho que inclui 4 artigos científicos (dois artigos publicados (1 e 2) , um em revisão e outro que será submetido para publicação este mês). Em breve, seu esforço, criatividade e energia entusiasmada farão parte do programa de doutorado da Universidade de Michigan, sob orientação da Dra. Laurie Kaguni. Boa sorte nesta nova etapa da sua carreira e muito sucesso na sua busca por realização profissional e pessoal! Fica aqui esta pequena nota de estímulo e reconhecimento.
referências e adendo:
1 - Marcos Túlio de Oliveira; Azeredo-Espin, AML; Lessinger, AC (2005). "Evolutionary and structural analysis of the cytochrome c oxidase subunit I (COI) gene from Haematobia irritans, Stomoxys calcitrans and Musca domestica (Diptera: Muscidae) mitochondrial DNA." DNA Sequence, 16 (2): 156-169.
2 - Marcos Túlio de Oliveira; Da Rosa, AC; Azeredo-Espin, AML; Lessinger, AC (2006). "Improving Access to the Control Region and tRNA Gene Clusters of Dipteran Mitochondrial DNA". Journal of Medical Entomology, 43 (3): 636 - 639. FREE PDF

adendo: a) um texto muito interessante publicado no Jornal da Ciência por Sérvio Pontes Ribeiro sobre a questão dos recém-doutores no Brasil e uma correspondência de mesmo teor publicada na Nature em 2001 (Sérvio P. Ribeiro; Mendonça-Júnior, MS; Barbosa, EM; de Souza Neto, JA (2001). "Brazil has the talent: just let us get on with the job". Nature 413: 16-16); b) uma iniciativa coordenada pelo Dr. Marcelo Einicker Lamas para divulgação de resultados do programa Profix/CNPq no encontro da FeSBE - 2004. c) extraído de um site do CNPq:
Objetivo: Incentivar a permanência no País ou o retorno ao Brasil de pesquisadores doutores, sem vínculo empregatício com entidades nacionais, mediante mecanismos que viabilizem sua inserção temporária em instituições de ensino e pesquisa, institutos de pesquisa científica e tecnológica federais e estaduais, [...]. Publicado em: 07/02/02 (Edital PROFIX/CNPq nº 02/2001)



Quarta-feira, Junho 14, 2006

algumas notas da Nature

tentarei ser breve... mas encontrei pequenas notas no último volume da revista Nature (volume 441) que vale a pena comentar ou deixar, ao menos, um "link" para divulgá-las via viagene (desculpem-me pelo via via) .

Nota 1: o mercado da publicação científica

"Many researchers will turn up their noses at this practice. Scientists, after all, are supposed to be motivated by curiosity, by a devotion to finding the truth, by a desire to solve various philosophical or social problems — not by money."

Este pequeno trecho foi extraído do editorial do volume 441 da Nature e comenta sobre esta prática ou estratégia que tem sido empregada por países asiáticos visando promover a produção de conhecimento científico através de "prêmios" para autores que publicarem artigos em revistas com alto índice de impacto. O editorial se refere à nota "Cash for papers: putting a premium on publication" que comenta sobre os resultados indesejáveis associados a este "incentivo". Enfim, será que isso dá certo?

Nota 2: Nature em ritmo de Copa do Mundo

ver no arXiv o artigo comentando na notícia "Goal fever at the World Cup" onde demonstra-se por A+B o "efeito psicológico" do primeiro gol, tido como um clássico clichê futebolístico, onde o primeiro gol desencadeia um estado de confiança que normalmente leva o time à vitória. O Osame vai gostar das análises estatísticas, além do tema ser futebol e um pouco de comportamento humano. O resultado Austrália (3) x Japão (1), de virada, desmente um pouco esta constatação, mas os autores alegam que o efeito é menos significativo em jogos da Copa do Mundo, e mais evidente em campeonatos de ligas nacionais. Não deixa de ser curioso. E até a Nature se rende a "comentar" sobre futebol neste clima de COPA 2006, quem diria...

Nota 3: "Referee factor": reconhecimento ao revisor anônimo

esta é outra sugestão interessante (que aliás, está há tempos comentada em algum lugar do meu currículo Lattes, se soubesse que podia ter submetido a sugestão à Nature....) . A proposta é incluir o reconhecimento desta atividade quando da avaliação do pesquisador/revisor, onde o mérito também está vinculado à qualidade da revista (fator de impacto) que solicita o parecer. Uma vez que revisar - seriamente - manuscritos submetidos para publicação pode ser uma tarefa dispendiosa e, implica no reconhecimento do mérito do revisor escolhido, fica aí mais esta sugestão para compor os currículos dos cientistas.

Nota 4: híbrido ou nova espécie? Uma síntese é possível?

Sob o título: "Speciation by hybridization in Heliconius butterflies" (doi:10.1038/nature04738) este estudo apresenta como uma espécie nova de borboleta surge a partir da hibridação de duas espécies distintas. Além do tema fascinante, as ilustrações são um convite à parte.


Terça-feira, Junho 13, 2006


É hoje!! Viva o Brasil e boa sorte para a seleção! Vou colocar a camiseta da seleção que ganhei da Invitrogen (e esquecer - temporariamente - os 4 "kits" de clonagem que comprometeram quase 3 meses de trabalho... até eu decidir usar o "kit" da Amersham - obrigada André Vettore (do Instituto Ludwig) pela dica). Enfim, esta é uma mensagem pró-Brasil na COPA 2006! Bom jogo a todos!

Sexta-feira, Junho 09, 2006

softwares e patentes em Bioinformática

Na Bioinformatics de hoje (Bioinformatics = revista científica top 1 da área Bioinformatics 2006 22(12):1415; doi:10.1093/bioinformatics/btl166) , saiu um pré-editorial comentado a questão de patentes vs softwares livre. Segundo os editores serão apresentados 2 editoriais (o primeiro neste volume e o segundo no próximo) com diferentes opiniões sobre esta questão, abrangendo tópicos como acesso a softwares, patentes e propriedade intelectual. O editorial deste volume é assinado por Steven L. Salzberd e John Quackenbush ("It is time to end the patenting of software"; Bioinformatics 2006 22: 1416-1417; doi:10.1093/bioinformatics/btl167 ). O próximo será de Jonathan D. Wren, apresentando uma perspectiva diferente. A revista está aberta a contribuições dos leitores nesta discussão, cujos resultados serão incorporados para orientar futuros desenvolvimentos no escopo de publicações da Bioinformatics.
Vale a pena conferir, esta discussão promete!

Quinta-feira, Junho 08, 2006

debate sobre "peer-review" na Nature

Rapidíssima: mais um fórum para discutir a questão da revisão de manuscritos submetidos para publicação (manuscrito = versão preliminar do artigo científico que é avaliada no processo de "peer-review"). É um debate interessante e uma questão que precisa evoluir com urgência e incorporar as invovações em formato que a cada dia apresentam idéias mais criativas e democráticas para promover a divulgação do (bom) conhecimento científico. Claro que a questão passa pela forma como os pesquisadores/cientistas são avaliados, uma vez que a publicação "válida" para a promoção (e reconhecimento institucional) da carreira do cientista é aquela vínculada a revistas com alto índice de impacto, de pesquisador com histórico de artigos com alto número de citações, onde o pesquisador aparece como primeiro autor, com poucos (?!) co-autores... e assim por diante. Não acho que estes aspectos sejam irrelevantes, muito pelo contrário, mas que o sistema precisa evoluir e incorporar críticas, isso precisa... enquanto o pesquisador depender da avaliação dada por este sistema hermético, dificilmente vai "ousar" orientar a publicação dos seus estudos para novos formatos. "It's sad, but it's true... "(como diria a letra do Metallica).
Abaixo a Nota da Nature:
Nature Peer review trial and debate. Peer review is commonly accepted as an essential part of scientific publication, but the practice varies across journals and disciplines. What is the best method of peer review, and how can new technology be used to improve traditional models? Each week the Nature Peer review trial and debate will publish analyses and perspectives from leading scientists, publishers and other stakeholders to address these questions. Visit the peer review commenting forum to read and post comments on peer review.
Nature Peer review trial and debate:
Peer review commenting forum:
Connotea resources:
Mais sobre iniciativas (2) da Nature no sentido de inovar o sistema de "peer-review" aqui.

Quarta-feira, Junho 07, 2006

a pré-história do DNA mitocondrial do Neandertal

A análise do DNA mitocondrial tem se mostrado, cada vez mais, um recurso valioso para recuperar informação genética (reduzida a pequenos trechos de sequência nucleotídica) de material de museu, fósseis e amostras degradadas. A possibilidade de vislumbrar (ou mais propriamente, inferir) lances da história evolutiva humana a partir da informação contida no DNAmt de uma amostra do Homem de Neandertal beira a ficção científica, mas é uma realidade incontestável, já há alguns anos. Desta vez o estudo em questão saiu publicado no periódico científico Current Biology, sobre a diversidade genética do DNAmt Neandertal de 100 mil anos de idade ("Revisiting Neandertal diversity with a 100,000 year old mtDNA sequence" doi:10.1016/j.cub.2006.05.019 ). Estudos anteriores haviam utilizado amostras com "idades" entre 20 e 40 mil anos, época em que se supõe que Neandertais e Homo sapiens possam ter co-existido e, eventualmente (mais suposição ainda) produzido híbridos. Este estudo se propôs a voltar mais no tempo, de modo estudar a diversidade genética do DNAmt de amostras Neandertais não-contemporâneas do homem moderno - nota: acredita-se que eventos de substituição de populações humanas, hibridação e outros episódios evolutivos possam ser revelados através da comparação de polimorfismos (diversidade) encontrados no DNAmt de humanos modernos e Neandertais (considerando as diferentes idades) - e assim contribuir para avaliar o impacto que o contato Moderno X Neandertal produziu e sua relação com o desaparecimento desta última linhagem. Este estudo apresenta a amostra Neandertal mais antiga já analisada em termos de DNA.
É importante notar que o estudo é baseado na análise de - apenas - 123 nucleotídeos (ou pares de base - pb) de uma região hipervariável do genoma mitocondrial (HVR-I) de 1 amostra de 100.000 anos, comparados com a mesma região de outros 9 espécimes de Neandertal (bem mais novinhos) e de um banco de dados com 171 HVR-I humanas. Apesar do feito fantástico de recuperar informação genética deste tipo de amostra (onde, devido ao grau de degradação da molécula de DNA, foi impossível recuperar sequências íntegras com mais de 170pb), obviamente não se espera uma revolução em termos de desvendar a história evolutiva humana com tão pouca informação. Então não é se se estranhar que o artigo termine com a seguinte frase:
"Thus, more Neandertal sequences
than the six presently available
and longer than 100 bp are
needed to fully understand the
extent of the past diversity of
Neandertals
."
Contudo, associados a outros estudos, estes resultados podem - sim - auxiliar na compreensão deste cenário evolutivo fascinante.
Material suplementar utilizado neste estudo pode ser encontrado aqui.

Quinta-feira, Junho 01, 2006

cursos on-line de bioinfo

rapidinho:
para aqueles que se interessam por Bioinformática, repasso um e-mail que acabei de receber da Bioinformatics Organization, sobre cursos on-line. Me pareceu interessante e digno de uma pequena nota, afinal todo esforço é válido na formação e capacitação de recursos humanos nesta interface fascinante (a gente que viveu a era sem-internet - sim, ela existiu - e com escassos recursos de bioinformática tem uma tendência a valorizar iniciativas como esta).
aqui está o texto da mensagem de e-mail:
The non-profit Bioinformatics Organization (Bioinformatics.Org) is pleased to announce the expansion of its educational services with the introduction of on-site and on-line training courses in bioinformatics. Since 1998, Bioinformatics.Org has been providing free hosting services for bioinformaticists. They've been focused largely on software development projects, but we're now expanding both research and educational services. Training courses and static tutorials will employ the open-source Moodle course management system to manage student registration and course materials. It's located here: http://edu.bioinformatics.org (Note: Account registration will be separate for this system until it can be integrated with the rest of the Bioinformatics.Org website. If you are member of Bioinformatics.Org, you'll need to re-register for this site in order to useit.) While the on-line course materials will remain gratis, courses lead by an instructor will often require a fee -- tiered for academics and economies -- to compensate the instructor and to help the Organization. Our very first course is on-site and targeted toward laboratory researchers who wish to learn how two open-source scripting languages can become powerful tools for data analysis.

Peer Review: ups-n-downs

Vejam a ótima matéria (acesso livre) que saiu na última edição do periódico EMBO Reports sobre o processo de revisão por pares ("Peer review: today and tomorrow"), processo que analisa e emite parecer justificando o aceite ou a rejeição de manuscritos submetidos para publicação. Este é um tópico que merece maior discussão, devido a sua importância na evolução da forma como se faz ciência e suas possíveis consequências. Mesmo nós "tupiniquins" que contribuímos com menos de 1% da produção científica mundial (deixo apenas um valor simbólico, pois ainda tenho que verificar este índice... e como ele foi obtido) devemos estar a par desta discussão, até para questionarmos como promover nossa participação e identificarmos viés no sistema que podem minar nosso esforço. Copiando o estilo recém lançado pelo João Alexandrino no "blog" Ciência e Idéias: "depois volto a comentar este assunto" (ou algo assim, não é João?)
um pequeno trecho da matéria:
"In entering this cycle, researchers display paradoxical behaviour. When acting as authors, they seek recognition from a wide readership; as readers, they are looking for some degree of validity conferred by journal branding. As critical readers, however, they acknowledge that publications in top journals might reflect the 'trendiness' of a particular area and the political skills of the authors, but that they are often oversimplified or compressed to an extent that severely limits their scientific value (Lawrence, 2003). Researchers might also accept that the number of citations received by a paper is essentially uncorrelated with the impact factor of the journal in which it is published (Seglen, 1997). Moreover, for many, if not all, high-impact journals, the distribution of paper citation rates is so highly skewed that they derive most of their citations from a handful of articles."
ana claudia

Terça-feira, Maio 30, 2006

então tá... futebol

com a proximidade da Copa do Mundo 2006, corre-se o risco de ser anti-patriótico não "postar" uma notinha - que seja - sobre futebol. Então a contribuição do via gene será a indicação de uma matéria que saiu no Jornal da Unicamp sob o título: "O dom, a ginga, as estratégias de jogo, as cifras e a violência no futebol" da autoria de Manoel Alves Filho. Interessante a pergunta que consta de uma dissertação de mestrado da Faculdade de Educação Física, feita a técnicos de futebol e jornalistas esportivos: o que (eles) entendiam por tática, estratégia e sistema de jogo (note que são 3 coisas diferentes - eu só descobri isso hoje!!) . O resultado foi uma grande divergência de respostas, principalmente por parte dos jornalistas que, segundo a autora, comentam futebol mais por afinidade e gosto pelo tema (na maioria das vezes), enquanto os técnicos possuem formação superior que contempla conteúdos específicos sobre futebol (normalmente formados em Educação Física). Pelo jeito, os desentendimentos entre jornalista esportivo e técnicos de futebol se parecem bastante com a polêmica relação entre jornalistas científicos e cientistas. Para alguns exemplos deste último cenário recomendo o "blog" Ciência em Dia do jornalista Marcelo Leite, com especial atenção à seção de comentários (pule os comentários sobre o astronauta Marcos Pontes, pois são inúmeros e 80% deles são agressivos e inapropriados para menores :)) . Recentemente, os comentários a um "post" sobre futebol no SEMCIÊNCIA reavivaram esta polêmica, onde jornalistas seriam pouco críticos e comprometidos com relação às matérias publicadas sobre ciência e cientistas seriam corporativistas, promovendo a idéia de que ciência é para poucos iluminados (ao algo mais-ou-menos assim...). Quem sabe meu "post" sobre futebol também pega carona nesse "efeito-borboleta" do "post" do Osame...

ana claudia

Quinta-feira, Maio 25, 2006

acessos... de riso também!


Anexei uma relação de termos que direcionaram à página do "via gene" durante este mês. Estes resultados podem ser consultados pelo botão MAPSTAT (serviço do Blog Flux) que está ao final da coluna direta do blog, sendo apenas uma das categorias de resultados apresentados. Também é possível visualizar qual a origem geográfica dos acessos, o número de acessos por dia (distribuído pelo horário), por semana e por mês, a "via de acesso" (sites que "linkam" para o via gene de algum modo), os buscadores utilizados, os browsers mais comumente utilizados, as mátérias acessadas e vários outros dados interessantes que informam sobre o "quem, como e porques" dos acessos ao via gene.

Termos em negrito e itálico estão destacados por serem os mais divertidos encontrados nesta diversidade surpreendente de possibilidades!!

O que vocês acham?

Search Engine Referrals

gene (13 - 9%)
*note e anote (4 - 3%)
ciencia forense (3 - 2%)
semplagio (2 - 1%)
wikipeia (2 - 1%)
cbmeg home (2 - 1%)
genoma mitocondrial (2 - 1%)
doutorado genetica forense (2 - 1%)
*vantagens e desvantagens da midia (1 - 1%)
o que e mitocondrial? quais sua origens? (1 - 1%)
fotos Cochliomyia hominivorax (1 - 1%)
aspectos negativos e positivos celulas tronco (1 - 1%)
*o que fazer de bom na semana (1 - 1%)
*analise historica e social do orkut (1 - 1%)
*ciclo de las collembolas (1 - 1%)
Defeitos+DNA+Mitocondrial (1 - 1%)
matematica no laboratorio de biomol (1 - 1%)
o conceito de doutor (1 - 1%)
GENE outubro (1 - 1%)
genetica forense (1 - 1%)
"d-loop" "dna mitocondrial" (1 - 1%)
significa: titulo recebido por algumas pessoas ... (1 - 1%)
*o que devemos fazer em caso de picada de inseto... (1 - 1%)
artigo cientifico sobre genetica de vegetal (1 - 1%)
ciencia genetica evolução (1 - 1%)
processo mitocondria utiliza duplicar (1 - 1%)
evolução do genoma (1 - 1%)
tabelas comparativas- vantagens e desvantagens ... (1 - 1%)
dnamt marcador (1 - 1%)
nomenclatura animal (1 - 1%)
Sociedade Brasileira de Genética (1 - 1%)
o que é gene (1 - 1%)
identificaçao de um gene (1 - 1%)
reportagens recentes sobre genes (1 - 1%)
defeitos do DNA mitocondrial (1 - 1%)
DNA Barcodes (1 - 1%)
"habeas corpus" + chimpanzé (1 - 1%)
gene (1 - 1%)
google teses (1 - 1%)
mitocondrial, função estrutura e origem - Bio... (1 - 1%)
DNA barcoding in brazil (1 - 1%)
aspectos positivos e negativos da genética for... (1 - 1%)
limitaçoes do dna barcoding (1 - 1%)
*bom gene (1 - 1%)
portugues gene proprio (1 - 1%)
o que e gene? (1 - 1%)
ciência forense (1 - 1%)
quais as porcentagens para dar erro no diagnost... (1 - 1%)
dna mitocondrial - 2005 (1 - 1%)
taxonomia de Bos taurus (1 - 1%)
Congresso de genética (1 - 1%)
*sana +corpus (1 - 1%)
genoma mitocôndrial (1 - 1%)
"discutindo a sociedade do conhecimento" (1 - 1%)
herança mendeliana e o que é (1 - 1%)
papel da genetica na sociedade (1 - 1%)
RELAÇÃO EMPRESA (1 - 1%)
Genetica e evolução (1 - 1%)
unicamp cbmeg (1 - 1%)
wikipéia (1 - 1%)
unicamp (classificação dos seres vivos (1 - 1%)
Indice de impacto Nature (1 - 1%)
o que é Ciência Forense (1 - 1%)
dna taxonomia (1 - 1%)
investigação forense usando microssatélites (1 - 1%)
índice de impacto de revistas de quimica (1 - 1%)

CIENCIA FORENSE (1 - 1%)
"congresso de genética" (1 - 1%)
*origem genetica dos portugueses (1 - 1%)
gene é um genio (1 - 1%) !!!!
laboratorio gene sp (1 - 1%)
o que e gene (1 - 1%)
taxonomia Haematobia irritans (1 - 1%)
quais as consequencias causada pelo dna (1 - 1%)
tese hereditariedade (1 - 1%)
"formação do povo português" (1 - 1%)
trabalhos cientifico com anfibios (1 - 1%)
*gene do mal wikipedia (1 - 1%)
tabelas comparativas das vantagens e desvantage... (1 - 1%)
como montar um seminario utilizando a metodolog... (1 - 1%)
unicamp (1 - 1%)
estrutura de um gene eucarioto e principais ele... (1 - 1%)
*"concursos publicos" and "taxonomista" (1 - 1%)
*musicas sobre mitocondria (1 - 1%)
http://viagene.blogspot.com (1 - 1%)
evoluçao na genetica (1 - 1%)
pontos negativos de celulas tronco (1 - 1%)
*mitocondria animada (1 - 1%)
GENE (1 - 1%)
citocromo c+evolução química (1 - 1%)
belica imunologia (1 - 1%)
genética e evolução (1 - 1%)
padrões regiões intergênicas (1 - 1%)
determinismo genetico (1 - 1%)
unicamp (1 - 1%)
*qual eo aspecto positivo da mosca? (1 - 1%)
referencias bibliográficas de engenharia gené... (1 - 1%)
genoma musical (1 - 1%)
*paulo em via distinção (1 - 1%)
*quero ganhar a foto do sagrado coração de jesus (1 - 1%)
ciꮣia forense (1 - 1%)
"conquista profissional" (1 - 1%)
anfíbios (1 - 1%)
dna unicamp (1 - 1%)
filogenetico (1 - 1%)
*vantagens e desvantagens do marmore (1 - 1%)
DNA replicação duplicação dinâmica grupo (1 - 1%)
*revista super interessante reportagem cerveja (1 - 1%)
artigos cientificos em projeto social (1 - 1%)
Adilson Leite Unicamp bio (1 - 1%)
habeas corpus teses (1 - 1%)
taxonomia do mosca (1 - 1%)
"congresso de genetica" (1 - 1%)
Célula tronco pontos positivos e negativos (1 - 1%)
genética forense (1 - 1%)
"genotipo X fenotipo" (1 - 1%)
GENOMA MITOCONDRIAL (1 - 1%)
cbmeg unicamp (1 - 1%)
genoma mitocondrial (1 - 1%)
MOSCAS VAREJEIRAS (1 - 1%)
Pontos negativos do Projeto Genoma (1 - 1%)
polemicas de experiencia genética (1 - 1%)
nature vol 441 phd (1 - 1%)
crustaceos+aspectos+negativos (1 - 1%)

Sexta-feira, Maio 19, 2006

idéia fixa: mais sobre "ads"

Rapidinho... a referência é meio antiga (12/abril/2005) mas está atual para a complementar os “posts” sobre anúncios (ou ads) virtuais que uns abominam (eu me incluo) e outros promovem (chega a ser um “ícone” da cultura blogística). E claro que têm aqueles que não ligam ou perambulam em diferentes pontos deste gradiente...

Achei um “press release”
aqui, derivado da matéria que aparece no “blogkits news” comentando os resultados de uma pesquisa sobre o que os bloggueiros pensam a respeito dos anúncios ("BlogKits has released their first blogger survey focusing on bloggers attitudes about blogs and advertising”). Há uma certa tendência favorável à prática de incluir anúncios em blogs, devido ao próprio público que “freqüenta” este site e que participou da pesquisa, mas já é um começo...

As questões apresentadas pela pesquisa podem ser acessadas
aqui.

Quarta-feira, Maio 17, 2006

PLoS Biology dá brinde


Reproduzo uma mensagem de email interessante que recebi há poucos dias sobre a vantagem, em termos de números de citações, dos artigos de acesso livre (ou "open access"). Aproveito para manifestar apoio à iniciativa das publicações de formato "open access", onde o artigo científico (ou o conhecimento científico, se ampliamos a perspectiva...) é de acesso livre, ou seja, não é preciso fazer a inscrição (= pagamento de anuidade, por exemplo) na revista para poder ter acesso ao artigo, nem "loggar" de um computador institucional (desde que a instituição tenha acesso aos conteúdos publicados, um tipo de consórcio).
Uma cópia (de acesso livre, lógico) do artigo está aqui.
Mensagem de e-mail:
May 16, 2006

Dear Colleague,

I would like to draw your attention to a research paper published online today in PLoS Biology, entitled "Citation Advantage of Open Access Articles" by Gunther Eysenbach (University of Toronto).

The Study
In this study, Eysenbach compared the rate of citations of open access (OA) with non-OA articles from the same journal, PNAS.

Key findings include:
OA articles are twice as likely to be cited 4 to 10 months after publication and almost three times as likely between 10 and 16 months.
Self-archived articles are cited less often than OA articles from the same journal.
Ah, sim! Sobre o brinde... a instrução é essa:
"Sign up for regular e-mail table of contents alerts. We will send the first 50 respondents a laser pointer (one per individual) just to say thanks for joining us. "
Ainda não recebi o meu... :(

mais sobre o Google AdSense Nonsense

Achei hoje um site chamado Webmaster Articles and Tools, onde encontrei uma referência sobre "Google AdSense: Pitfalls & Alternatives", que apresenta algumas dificuldades relacionadas a este serviço. O engraçado é que os "pitfalls" ou problemas são apresentados sob a ótica dos anunciantes (e não dos "webpublishers" ou autores do site/blog). Achei interessante registrar aqui quais são as questões apontadas como "pitfalls" (traduzi/modifiquei alguns trechos para o português por questões de "copyright") .

Informação complementar sobre o Google AdSense:
Cada "click" recebido por um "ad" (anúncio "linkado" ao site que oferece o produto ou serviço) é contabilizado a favor do dono do site para que este receba uma remuneração equivalente à quantidade de "clicks" (proporcionando uma medida da "penetrância" (por falta de termo mais adequado) da propaganda naquele site). "Ads" de sites/blogs populares têm mais chances de serem clicados, caso o visitante se interesse por algum dos anúncios, como se cada site fosse também um "outdoor", aqueles em avenidas mais movimentadas trariam mais retorno ao anunciante. A tecnologia dos "ads" vem tentando adequar o conteúdo dos anúncios aos conteúdos apresentados no blog, utilizando palavras-chave e outras ferramentas de "match" de conteúdos, aumentando assim a chance do anúncio interessar ao "público-alvo" que frequenta determinado site e, consequentemente, otimizando também a divulgação da propaganda (tipo fazer propaganda de bebida em barzinho ou de vitaminas em academias).

"... open issues with Google AdSense:

1. Click Fraud: a fraude ocorre quando o próprio blogueiro clica sistematicamente (ou usa um programa que automatize a "clicagem") no anúncio que aparece em seu site de modo a simular a divulgação do anúncio (e receber por isso!). Devido ao aumento crescente desta prática, o Google tem inadvertidamente descredenciado sites legítimos do programa de "ads".

2. Ad Blocking: algumas instituições estão bloqueando ativamente os anúncios do Google AdSense. Mas ainda é cedo para especular sobre o impacto desta iniciativa (e de algumas soluções) na divulgação de "ads".

3. Poor Quality Websites: qualquer um pode se inscrever no programa de anúncios AdSense, o que implica em anúncios associados a sites de qualidade duvidosa. Isso nem sempre agrada os anunciantes, especialmente se seus anúncios aparecem em sites de conteúdo ofensivo (pornográficos, racistas, etc.). Apesar das constantes reclamações, nenhuma providência foi tomada no sentido de controlar este aspecto."
Além do Google AdSense, existe um programa similar da Yahoo!, o Yahoo! Publisher Network. Mas ainda ficam as mesmas questões...
Uma vez que os "pitfalls" que interessam aos autores do site (ou webpublisher) não foram considerados (apenas aqueles que afligem os anunciantes), resolvi encaminhar uma nota ao pessoal do site. A nota está reproduzida abaixo, com pequenas edições (e desde já me desculpo pelos eventuais crimes contra a língua inglesa que insistem em me acompanhar...):

"The pitfalls listed here relate to websites/webpublishers that fraud the Ads program or publish bad quality content that do not please the advertisers… well, but there are many examples where the contrary happens: bad advertisements (even frauds, non-ethical and almost - if not - criminal ads) that shows up on very good quality websites and blogs. The owners of these sites have no practical tools for removing those ads that he/she may find offensive or that disagrees with the website theme (if one writes the word “religious” in a post from an atheistic weblog, he may find an ad that links to a catholic website or institution… completely non-sense! In another example I found an academic weblog that advertises on illegal practices of writing-thesis services… Absurd!). I have sent email messages to Google alerting about this, but noting happens… so the only solution would be to delete the ad “service” from your webpage… Isn’t that a kind of a huge pitfall?"
Este link indica um blog que recebeu um aviso de "Google AdSense Account Disabled" e conta um pouco desta história, só por curiosidade...

Quarta-feira, Maio 10, 2006

receita para fazer um bom doutor?


Vi isso hoje na Nature (referência: vol 441, pg 252, doi: 10.1038/nj7090-252b)
Obs. 1: apenas uma fração do conteúdo original está "postado", espero assim "ferir" o menos possível os direitos de "copyright", mas deixar algumas reflexões em um fórum aberto. Onde achei pertinente incluí - em português - minha opinião pessoal a respeito desta receita (?!). Fiquem à vontade para listar outros atributos importantes ou discordar destes que aqui se apresentam.
Obs. 2: uma questão de conceito - o "doutor" do título do "post" se refere ao título acadêmico concedido àqueles que defenderam uma tese de doutorado (PhD, conforme a sigla em inglês), não inclui médicos, advogados, delegados ou afins.
So what should we be telling prospective PhD students?
1 - Choose a supervisor whose work you admire and who is well supported by grants and departmental infrastructure.
anac: identidade com o tema de pesquisa do orientador/supervisor ajuda, mas 1) um bom orientador pode ser mais importante na formação do aluno do que o tema em si e 2) se você for apaixonado por um tema, você tem grandes chances, independente do orientador (bem, um mínimo de respeito é importante).

2 - Take responsibility for your project.
anac: sim, na medida do possível... há uma certa ingenuidade aqui... nem sempre o aluno está maduro o suficiente para perceber a dimensão de um novo projeto de doutorado. Não raramente, alunos estão envolvidos em projetos de risco (com poucas chances de sucesso) propostos pelos orientadores e assumidos por um aluno com pouca experiência para avaliar o risco inerente. O que quero dizer é: bons alunos assumem a responsabilidade de seus projetos, MAS bons orientadores têm a responsabilidade de propor projetos que os alunos possam responsabilizar-se.

3 - Work hard — long days all week and part of most weekends. If research is your passion this should be easy, and if it isn't, you are probably in the wrong field. Note who goes home with a full briefcase to work on at the end of the day. This is a cause of success, not a consequence.
anac: se você não passa o fim-de-semana rindo ao fazer sua pesquisa de laboratório enquanto um dia ensolarado acontece do lado de fora... calma, vc ainda pode ser um bom cientista. Acho este comentário bem "americano", no sentido "workaholic" de vida. Sim, é verdade que um doutorado consome finais-de-semana, principalmente àqueles em véspera de entrega de relatório, participação em evento científico (congressos) e exames e afins. Mas, sabendo planejar seu tempo, esse "uso" de finais-de-semana podem ser minimizados e você pode - sim - ter uma vida saudável, mental e fisicamente.

4 - Take some weekends off, and decent holidays, so you don't burn out.
anac: óbvio, senão você vai ser tornar um monstro viciado em café e bancada, não vai ter nenhum amigo (família, nem pensar) e não vai saber que existe um mundo do lado de fora do laboratório, bem mais real que aquele que nós cultivamos "inside".
5 - Read the literature in your immediate area, both current and past, and around it. You can't possibly make an original contribution to the literature unless you know what is already there.
anac: óbvio também... seja normal, se optou pelo doutorado, mantenha-se informado sobre o "state-of-art" da sua área e, periodicamente (1x/semana), assista a seminários abrangendo outros temas, não seja um/a bitolado/a, isso não é vida.

6 - Plan your days and weeks carefully to dovetail experiments so that you have a minimum amount of downtime.
anac: já comentei em algum lugar aí em cima... algum planejamento e grade de horário são necessários para um mínimo de organização e para facilitar o trabalho de equipe (aliás, segundo estas "dicas", saber trabalhar em equipe - super fundamental para ser um bom cientista - nem foi mencionado... êta visãozinha "selfish" do aluno de pós... promova a equipe e o trabalho em equipe sempre que puder!)

7 - Keep a good lab book and write it up every day.
anac: claro: tenha seus registros em ordem para não se perder em sua pesquisa.

8 - Be creative. Think about what you are doing and why, and look for better ways to go. Don't see your PhD as just a road map laid out by your supervisor.
anac: confesso, nunca entendi bem essa história de "seja criativo", soa como "seja talentoso"... ou você nasce assim ou vai ralar um bocado tentando aprender a ser criativo. Não acho que seja uma coisa que se quer e imediatamente se consegue, alguns seres são naturalmente criativos, outros bons cientistas aprenderam com a experiência (foram "ficando" mais criativos) e muito espírito crítico (aliás outra coisa importante que não foi mencionada no artigo ou manual). Se alguém te diz: "Tenha uma boa idéia agora", você simplesmente a tem? Então o ítem poderia ser algo como "Só tenha idéias boas ou excelentes"

9 - Develop good writing skills: they will make your scientific career immeasurably easier.
anac: fácil falar... essa é uma daquelas coisas que você passa a vida toda aprimorando... melhor já nascer sabendo, mas com algum esforço e dedicação você pode ser um bom cientista mesmo se não nasceu dotado deste talento. E, se não for americano ou inglês (incluíndo colônias), esforçe-se ainda mais para reverter sua habilidade para a esta línguagem não-nativa...

10 - To be successful you must be at least four of the following: smart, motivated, creative, hard-working, skilful and lucky. You can't depend on luck, so you had better focus on the others!
anac: e ainda – bem-humorado, otimista, crítico, agregador (saiba trabalhar em equipe) e humilde (a natureza vai te surpreender sempre com infinitos enigmas e desafios, mesmo que você passe uma vida toda dedicado a desvendá-la).

Um manual com este conteúdo está disponível aqui.

Segunda-feira, Maio 08, 2006

inovações ao DNA barcode

um "copy & paste" relâmpago só para alertar que a busca pelo código-de-barras da vida (ou por uma "assinatura molecular" onde, através da análise de um trecho-específico de uma sequência de DNA, seríamos capazes de identificar espécies) tem cada vez mais suporte na bioinformática e inova ao incluir a análise da estrutura secundária de genes de RNA ribossomal (16S e outros) como caráter válido para identificação taxonômica.
"Tradicionalmente", a análise de taxonomia molecular conhecida como "barcode DNA" ou "DNA barcoding" utiliza-se de alinhamentos da sequência primária de um trecho do gene que codifica a subunidade I da Citocromo Oxidase (COI ou cox1), especificamente, um trecho da extremidade 5' (leia-se: cinco linha) do gene. Este gene localiza-se no genoma mitocondrial (DNAmt).
obs 1: estrutura secundária: estrutura bidimensional formada a partir de interações (ligações entre nucleotídeos) da sequência primária de DNA com ela mesma (ligações "intra-fita" que geram a formação de "alças" e "grampos") .
obs 2: genes e regiões gênicas possuem orientação de leitura: de 5' --> 3'.
obs 3: a idéia de caracterizar espécies através de sequências de DNA (primárias ou secundárias) já tem longa data nos estudos envolvendo microrganismos. Mas ganhou uma nova "roupagem" e nome (código-de-barras de DNA) ao utilizar o gene COI do DNAmt para identificação de grupos animais, principalmente. Atualmente há uma tendência em minimizar a polêmica em torno desta estratégia experimental (marketing do marcador universal absoluto para identificação de espécies X defensores da falácia do "DNA barcoding" como ferramenta de identificação taxonômica) , de modo que o "barcoding DNA" tem sido reconhecido como uma ferramenta que agrega informação taxonômica válida e que tem como vantagem a caracterização de "etiquetas taxonômicas" em uma estrutura de larga-escala, baseada em uma plataforma operacional envolvendo isolamento de DNA, sequenciamento e bioinformática (bancos de dados e análises comparativas). Aliado a isso, há o esforço genuíno de integrar conhecimento taxonômico tradicional e inovações (como a digitalização e construção de amplos bancos de dados com imagens de alta resolução), incentivar a multidisciplinaridade (reconhecendo o mérito e a contribuição de taxonomistas, sistematas, geneticistas e biólogos moleculares, entre outros) e integrar a comunidade científica interessada na caracterização de biodiversidade, absorvendo críticas (o "DNA barcode" não substitui a taxonomia), abandonando paradigmas ultrapassados (taxonomia é para poucos) e buscando inovações (o artigo abaixo é um pequeno exemplo).
Veja resumo do trabalho recentemente publicado - versão eletrônica - na revista "Bioinformatics"de 13 de Abril de 2006:
Ribosomal RNA as molecular barcodes: a simple correlation analysis without sequence alignment.

Chu KH, Li CP, Qi J.
Department of Biology, The Chinese University of Hong Kong, Hong Kong, China.

MOTIVATION: We explored the feasibility of using unaligned rRNA gene sequences as DNA barcodes, based on correlation analysis of composition vectors derived from nucleotide strings. We tested this method with seven rRNA (including 12S, 16S, 18S, 26S and 28S) datasets from a wide variety of organisms (from archaea to tetrapods) at taxonomic levels ranging from class to species. RESULT: Our results indicate that grouping of taxa based on composition vector analysis is always in good agreement with the phylogenetic trees generated by traditional approaches, although in some cases the relationships among the higher systemic groups may differ. The effectiveness of our analysis might be related to the length and divergence among sequences in a dataset. Nevertheless, the correct grouping of sequences and accurate assignment of unknown taxa make our analysis a reliable and convenient approach in analyzing unaligned sequence datasets of various rRNAs for barcoding purposes. AVAILABILITY: The newly designed software (CVTree 1.0) is publicly available at the Composition Vector Tree (CVTree) web server
http://cvtree.cbi.pku.edu.cn.

Quarta-feira, Maio 03, 2006

"ads" do goooooogle

Definitivamente, por incrível que possa parecer a outros blogueiros, sou contra a inclusão de "ads" ("advertisements" ou propaganda mesmo) em blogs de conteúdo importante (bem, cada um com seu gosto e liberdade para escolher o que considera "importante"...). E não é por uma questão ideológica do tipo blogar = movimento com certa dose de anarquia e liberdade que não se rende ao capitalismo selvagem, que alguns eventualmente defendem (nada contra também). Mas muito mais pela quantidade de anúncios inconsistentes e pela incapacidade de filtrar anúncios de natureza altamente conflitante com o conteúdo principal do blog, como um blog científico fazendo propaganda do "Sagrado Coração de Jesus" - ver comentário aqui - ou o blog científico/acadêmico do Osame, SEMCIÊNCIA (que por mais engraçado que seja, também é sério), fazendo propaganda de encomenda de monografias acadêmicas e... sem plágio diz o anúncio!!!). Acho que já comentei por aqui o absurdo que se chegou com esses negócios especializados em vender serviços de teses e monografia, trabalhos exigidos pela academia - normalmente para a conclusão do curso de graduação - que pretende capacitar o aluno no desafio e na aventura de se expressar e apresentar o "estado da arte" de um tema relacionado ao seu curso (que quase sempre é o próprio aluno que escolhe e que deveria ser estimulante para o mesmo, afinal foi ele que optou pelo ensino superior). É simplesmente degradante este cenário... pior ainda a contribuição de blogs científicos na propagação destes anúncios (que se não forem formalmente criminosos - os anúncios, não os blogs - devem estar próximos desta condição...) que sangram o esforço acadêmico e docente - isto sim, quase uma ideologia - de uma forma absolutamente trivial.
Por esta incoerência que beira o ridículo: nota Zero aos "Ads".
Observação: não é também incrível a ironia? O monografista profissional busca o recurso da ÉTICA para fazer sua propaganda: SEM PLÁGIO... será que a gente merece?!

Quinta-feira, Abril 20, 2006

palestra no CBMEG - Unicamp

Aviso aos navegantes:

Na próxima segunda-feira, 11:00hs da manhã, teremos a oportunidade de assistir à palestra intitulada: "Escalas de espaço/tempo e os padrões de diversidade genética e biodiversidade", que será proferida pelo Dr. João Alexandrino (UNESP - Rio Claro), no auditório Dr. Adilson Leite, no Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética (conhecido como CBMEG), da UNICAMP. Não percam esta oportunidade de aprender mais sobre como natureza e evolução operam em conjunto. Quem sabe de bônus a gente ainda possa apreciar uma ou outra imagem do mundo dos anfíbios?! Fica a expectativa e o convite...
ana claudia

publicando o "código de barras" da vida

Mais uma iniciativa que promove a análise de DNA barcodes (ou código de barras de DNA): o periódico científico Molecular Ecology Notes, uma expansão da revista original Molecular Ecology, acabou de incluir 3 novas seções de modo a comportar a publicação de artigos técnicos (tanto opiniões quanto trabalhos completos) e... artigos de DNA barcoding! Esta seria a primeira revista científica a incluir em sua estrutura básica um espaço permanente para a publicação deste tipo de conteúdo. A revista Philosophical Transactions of the Royal Society B: Biological Sciences já havia dedicado um volume exclusivamente para artigos analisando estudos de DNA barcoding (Volume 360, Number 1462 / October 29, 2005) no ano passado, e agora foi a vez da MEN expandir este tipo de iniciativa de forma mais concreta. A inclusão de um espaço para diviulgar trabalhos técnicos também é muito bem-vinda, pois na investigação científica de determinado fenômeno, o pesquisador (ou pesquisadora, claro!) muitas vezes desenvolve novas metodologias, estratégias ou adaptações que geram informações valiosas que podem - e devem - ser publicadas em foro específico (nem sempre há espaço para a publicação de discussões técnicas mais extensas em artigos cuja temática principal é outra).
Reproduzo abaixo a mensagem original da revista anunciando esta expansão:
The editors of Molecular Ecology Notes (MEN) and the Consortium for the Barcode Of Life (CBOL) are pleased to announce an expansion of the journal to include:
1. Technical views
2. Full-length technical papers
3. A new section on barcoding papers
The first two initiatives are intended to provide an outlet for comprehensive technical papers and reviews that currently do have not have a home in the journal. The third initiative is intended to recognize the tremendous promise bar-coding holds for ecological studies and to provide a suitable venue for these kinds of papers. We envision that barcoding papers would deposit their data to appropriate databases such as BOLD and GenBank and to follow the standards developed by CBOL. To facilitate this expansion, we are pleased to announce that Brian Golding, McMaster University, has agreed to join our Editorial Board as an Associate Editor for barcoding papers. Jared Strasburg, Indiana University, will assume editorial responsibilities for technical reviews and full-length technical papers.
To read a statement from CBOL endorsing Molecular Ecology Notes (MEN) as a publishing vehicle for DNA barcoding papers visit
Kevin Livingstone, Harry Smith, and Loren Rieseberg, Molecular Ecology Notes
David Schindel, Executive Secretary, Consortium for the Barcode Of Life

Terça-feira, Abril 18, 2006

Quinto lugar também se comemora!

Um rápido cut-&-paste do periódico científico Bioinformatics sobre o impacto de seus artigos. A revista orgulhosamente divulga que teve um de seus artigos como o quinto artigo mais citado de 2005 (90 citações). E ainda faz propaganda de 3 artigos publicados no periódico Nucleic Acids Research, da mesma editora, que estão entre os 40 artigos mais citados do ano. Um dia a gente chega lá!

Red-Hot Research:
Bioinformatics publishes the 5th ?Hottest? paper of 2005
Oxford Journals are proud to announce that Bioinformatics published the 5th most highly cited paper of 2005. This is according to the March/April issue of Science Watch, the bimonthly newsletter from Thomson Scientific. In their annual round-up of the most influential research of the year, Thomson Scientific evaluated the number of citations received by each paper as indexed in its Web of Science database. In 2005, only the New England Journal of Medicine published articles that received more citations than the most highly cited paper from Bioinformatics. The paper, which received 90 citations, was published in Volume 21, Number 2 of Bioinformatics and is entitled Haploview:analysis and visualization of LD and haplotype maps by J. C. Barrett, B. Fry, J. Maller and M. J. Daly. You can read the abstract of this article, view the full text, and see a list ofthe papers that cited it, free of charge. You may also be interested to know that 3 articles from another Oxford Journal, Nucleic Acids Research, were ranked in the top40 most highly cited papers from 2005. They are: The Universal Protein Resource (UniProt), Amos Bairoch et al. CDD: a Conserved Domain Database for protein classification, Aron Marchler-Bauer, et al. NCBI Reference Sequence (RefSeq): a curated non-redundantsequence database of genomes, transcripts and proteins, Kim D. Pruitt, Tatiana Tatusova, and Donna R. Maglott.

blog na academia

Recentemente recebi um e-mail interessado na minha opinião sobre a relação blog/jornalismo. Não sei se minhas respostas foram utéis para o interessado, mas foi um exercício curioso responder as suas 7 questões. Aproveito para repassar aqui esta experiência, pois acredito que outros "blogueiros" tenham sido também contactados e assim poderíamos compartilhar nossas opiniões. Ressalto que não fiz nehuma reflexão muuuito profunda a respeito dos tópicos abordados, apenas uma rápida impressão. Assim aproveito também para atualizar este pobre blog que carece que uma blogueira mais assídua e dedicada... são tempos corridos estes... espero que ainda algum (a) amigo (a) fiel visite o site e veja (quiçá comente) este post... :). Fiquei curiosa com o resultado do trabalho do Leonardo, tomara que esta curiosidade acadêmica se amplie e possamos ter acesso a este tipo de análise. Sucesso ao Leonardo!
ana claudia
E-mail do Leonardo:
Cara Ana Cláudia,
Meu nome é Leonardo, sou estudante de jornalismo da Faculdade Cásper Líbero. Estou fazendo uma matéria sobre a ascensão dos blogs como fonte de informação jornalística. Para compor o texto, gostaria de inserir dados sobre blogs jornalísticos brasileiros (seu blog, ainda que somente científico, tem um perfil informativo que pode caracterizá-lo como jornalístico) e opiniões dos blogueiros sobre a nova conjuntura do jornalismo. Envio sete questões bem simples sobre o assunto. Se não for incomodar, gostaria que elas fossem respondidas até segunda-feira às 20h. Obrigado pela atenção.
1. Quando surgiu a idéia de montar um blog?
2. Quais são suas principais fontes?
3. Qual é a média de visitas do seu blog? Como elas chegam a seu blog e por que elas procuram essa fonte de informação?
4. Com que freqüência você posta? Quanto tempo do seu dia você dedica ao blog?
5. Você trabalha com o quê?
6. Até que ponto o blog ameaça o jornalismo tradicional? O que faz oleitor abandonar o jornal e buscar o blog?
7. Quais são as vantagens e desvantagens dos blogueiros em relação aos jornalistas da mídia tradicional?

Minha resposta:

Olá Leonardo,

Obrigada pela sua mensagem e interesse. Infelizmente só vi sua mensagem agora. Vc ainda tem interesse nas respostas? Estão abaixo:
>1. Quando surgiu a idéia de montar um blog?
R. Um pouco depois que comecei a visitar e comentar periodicamente no blog do jornalista Marcelo Leite (fev de 2005), na época situado no "blogspot", e verifiquei a facilidade técnica de montar um blog e sua utilidade para estender assuntos que normalmente comentava no lab. de pesquisa e que poderiam ter interesse mais amplo.
>2. Quais são suas principais fontes?
R. Material do meu dia-a-dia de pesquisa, notas de revistas científicas (Science, Nature e outras mais específicas da minha área - biologia molecular e evolução), notícias do CNPq, notícias do Jornal da Ciência (da SBPC), notas comentadas em outros blogs científicos (ciência em dia, semciência, ciência e ideias, entre outros), notícias sobre ciência ou política científica veiculadas no jornal Folha de SP, discussões do laboratório sobre questões gerais da academia, e qualquer outro material que eventualmente me chame atenção e que eu tenha uma opinião a respeito.
>3. Qual é a média de visitas do seu blog? Como elas chegam a seu blog>e por que elas procuram essa fonte de informação?
R. Não sei a resposta da primeira pergunta. A divulgação do meu blog é feita via o meu Currículo Lattes (CNPq), minha assinatura de e-mail acadêmico e um link - inicialmente - no site/blog do Marcelo Leite (recebi muitas visitas depois de ser "linkada") e - mais recentemente - em outros sites científicos (ciência e idéias, semciência, gluon), além de ter divulgado o blog via orkut (aliás um dia vou postar algo com relação a este "fenômeno" da internet brasileira). Uma busca no google pelo meu nome resulta em entradas que apontam para matérias do blog, o que pode facilitar que as pessoas encontrem este site. As pessoas buscam estas informações porque gostam de conversar sobre aspectos diversos da ciência em um fórum mais informal que a mídia jornalística, onde o formato dinâmico permite a interação dos leitores com o blogueiro e promove a troca de idéias com total democracia: há diversidade e conhecer esta diversidade de opiniões - muitas vezes de especialistas - sobre temas polêmicos atrai visitas ao blog.
>4. Com que freqüência você posta? Quanto tempo do seu dia você dedica ao blog?
R. Frequência irregular (no momento faz mais de 1 mês que não atualizo o blog). Não posso estimar, depende muito das minhas outras atividades de pesquisa que são prioridade.
>5. Você trabalha com o quê?
R. Genética e evolução, de modo geral. Estrutura e função de genomas mitocondriais, mais especificamente e atualmente.
>6. Até que ponto o blog ameaça o jornalismo tradicional? O que faz o>leitor abandonar o jornal e buscar o blog?
R. Não entendi bem a pergunta... São concepções diferentes, não há ameaça. Leitor de jornal pode ir buscar mais informação e opiniões - principalmente - em blogs especializados, uma vez que o jornal nem sempre tem espaço suficiente para apresentar todo conteúdo associado à determinada reportagem, muito menos há espaço para que se possa opinar a respeito (e ser respondido em sua crítica), em tempo - quase - real.
>7. Quais são as vantagens e desvantagens dos blogueiros em relação aos>jornalistas da mídia tradicional?
R. Não sei como é a "vida" do jornalista de mídia tradicional, então posso apenas especular a respeito... sem muito compromisso. Então acho que essa já é uma vantagem: o blogueiro não tem compromisso formal com uma instituição (o blogspot não fica me "cobrando" por eu não postar diariamente ou exige que eu siga critérios formais de postagem). Ter um blog é uma opção pessoal, não profissional, e esta é uma grande diferença. Uma vantagem seria esta flexibilidade de forma, conteúdo, regularidade, expressão e possibilidade de interação direta e - online - com os leitores, que é muito estimulante e promove maior inclusão de idéias e opiniões. Desvantagem... novamente: blogar não é uma profissão... pode ser um gosto, uma necessidade de expor idéias, se expor, divulgar por idealismo, etc. É um gosto que envolve dedicação e tempo (se se quer um blog dinâmico, como todos deveriam ser...) e este tempo é normalmente o tempo livre do pesquisador (que também é usado para a família, tarefas pendentes, manutenção básica, etc). Mas, desculpe, achei a pergunta um pouco mal-formulada... vantagens e desvantagens com relação a o quê, especificamente?
É isso aí!
ana claudia

Segunda-feira, Março 13, 2006

SEM CIÊNCIA?

Opa! A temporada de blogs científicos está em alta: mais um blog científico identificado - SEMCIÊNCIA, do Dr. Osame Kinouchi. Nasceu hoje, apesar do Osame ser frequentador assíduo do blogue do jornalista Marcelo Leite, com colocações sempre muito pertinentes. Mais uma boa notícia para a divulgação de ciência na pátria amada. Bem-vindo Osame e sucesso!
Observação: engraçado que uma das principais motivações que fomenta a existência destes novos blogs - SEMCIÊNCIA E CIÊNCIA & IDÉIAS (ao menos pelo que indicam alguns dos artigos "postados" recentemente) é apresentar uma crítica a muitas das opiniões e comentários veiculados no "blogue" do próprio Dr. Marcelo Leite, auto-denominado Dr. Anti-determinismo (ou ao menos reconhecido como tal pela maioria dos visitantes do seu "blogue"). De um jeito ou de outro devemos ao jornalista a mobilização dos cientistas para divulgar ciência e popularizar opiniões e conhecimento antes restritos ao âmbito acadêmico. Querendo ou não, parte do mérito, ao menos a veia provocativa, é do Dr. Milk! A vida tem destas ironias, não é? Por isso mesmo é fascinante!
Abraços, ana claudia

Sexta-feira, Março 10, 2006

incoerência de contextos...


Comentário-relâmpago: acabei de me deparar com uma união incomum causada, aparentemente, pela inclusão de anúncios do Google em páginas de "blog" (artifício que pode ser configurado pelo usuário para, eventualmente, ampliar a divulgação da sua página ou obter algum outro benefício, não me lembro bem...). Fato é que ao ler o texto entitulado "Alguns Milagres do Êxodo Descodificados" do blog português Divagar Ciência, aparecia ao lado um anúncio do Google com a foto do Sagrado Coração de Jesus com a mensagem: "Veja porque você precisa ter em casa o Sagrado Coração de Jesus." Assim ficou na mesma tela, lado a lado, um artigo mundano desmistificando - através de argumentos científicos - alguns dos milagres mais famosos da Bíblia e um anúncio "sagrado" divulgando religião. Achei curiosa esta associação e interessante como uma pequena nota aqui neste "blog".

Quarta-feira, Março 08, 2006

Novo blog científico: Ciência & Idéias

Aviso aos navegantes, mais um blog científico discutindo ciência em águas brasileiras. O blog Ciência e idéias tem alguns meses de vida no blogspot, mas como eu só o descobri hoje, passa por novo neste comentário. São 4 autores que se revezam nos textos e reflexões. Tive a oportunidade de conhecer um deles, o cientista de nacionalidade portuguesa João Alexandrino, e pelas amostras "postadas" no blog acredito que surgiu mais um espaço sério e comprometido para divulgar ciência... e idéias. Parabéns ao time (aliás a referência ao timão - desculpem-me os gaviões de plantão - é o único aspecto que eu criticaria do blog :)). Saudações e parabéns pela iniciativa. Bem-vindos! Nota? 10, claro!

ana claudia

Terça-feira, Janeiro 24, 2006

uma nova AMiGA na rede...

Aproveito este espaço para comentar e divulgar uma experiência recente em Bioinformática (como o próprio nome diz: biologia + informática, uma união promissora e fascinante que visa promover a análise de grande volume de informação biológica - normalmente sequências nucleotídicas - através do desenvolvimento de ferramentas computacionais específicas) do nosso laboratório: o banco de dados AMiGA. Esta simpática sigla significa Arthropodan Mitochondrial Genomes Accessible database, numa tradução livre seria algo como: banco de dados acessível para genomas mitocondriais de artrópodes (insetos, aranhas, crustáceos, etc). O artigo descrevendo este banco de dados está em vias de publicação no periódico científico Bioinformatics, uma revista onde ~80% dos manuscritos submetidos são rejeitados conforme rígidos critérios editoriais (informou o editorial de 15 de dezembro 2005). O genoma mitocondrial animal (sim, mitocondria tem um genoma próprio), é uma pequena molécula de DNA dupla-fita circular (16.000 pares de bases), conservada em conteúdo gênico (normalmente 37 genes: 13 genes codificadores de proteinas, 22 RNAs transportadores e 2 RNAs ribossomais), sem introns ou extensas regiões intergênicas (não-codificadoras) e abundantemente utilizada em análises comparativas e estudos evolutivos. O DNA mitocondrial (ou DNAmt) é um dos mais populares marcadores moleculares empregados em estudos evolutivos para uma ampla diversidade de grupos animais, especialmente informativa é a sequência do gene codificador da subunidade I da Citocromo Oxidase c (iniciativas de pesquisa recentes - e em andamento - adotaram ~600pb deste gene como "marcador universal" para inventariar a biodiversidade global, uma iniciativa ambiciosa que se baseia na técnica conhecida como "DNA barcodes"). Mesmo não tendo o apelo conquistado pela área de Genômica "tradicional" (se é que se pode cunhar de "tradicional" uma área de pesquisa ainda recente, especialmente no Brasil), a Genômica Mitocondrial e Comparativa vem obtendo cada vez maior reconhecimento e produzindo importantes contribuições ao conhecimento científico com relação à evolução deste sistema genômico (acredita-se que a mitocondria tenha se originado de uma associação simbiótica entre um organismo eucarioto ancestral e uma bactéria primitiva) e a sua utilidade como marcador filogenético para entender a evolução e as relações entre as diferentes espécies. A bioinformática tem sido extremamente generosa para a investigação biológica, otimizando a análise simultânea de grandes quantidades de dados e trazendo uma nova dimensão de possibilidades para resolver as sempre intrigantes questões das Ciências Biológicas. Desculpem-me pela possível auto-promoção (será?), mas foi uma desculpa para divulgar um pouco mais o mundo do DNA mitocondrial e começar a alimentar este blog que andava meio parado... é isso.
ana claudia

Sábado, Dezembro 31, 2005

adeus ano velho...


Feliz 2006! Que surjam mais oportunidades para o desenvolvimento científico do Brasil, que a ciência renove seus compromissos éticos, promovendo e disseminando conhecimento, educação e cidadania. Que seja um ano de oportunidades para a pesquisa e os pesquisadores (principalmente os jovens doutores!). Que haja investimento na universidade pública, na formação de recursos humanos qualificados, valorização dos profissionais de ensino/educação (fundamental, médio, superior...), etc, etc, etc...
e por aí vai...
Abraços a todos e sucessos em 2006!
ana claudia

Sábado, Dezembro 17, 2005

encontro internacional

Depois de uma ausência prolongada, retorno para avisar que está em andamento o "2005 Annual Meeting of the Entomological Society of America", encontro anual da sociedade Americana de Entomologia (= estudo de insetos). O encontro estava originalmente previsto para ocorrer na segunda semana de Novembro, em Fort Lauderdale na Flórida, EUA. Mas devido ao "mau-tempo", leia-se Furacão Wilma, o encontro foi adiado para esta semana (de 15 a 18 de dezembro). Hoje serão apresentados vários painéis do lab. de Genética Animal da Unicamp, que conta com uma "comitiva" expressiva este ano (incluindo 5 alunos de pós-graduação!). Semana que vem estarei de volta ao laboratório e pretendo retomar a atividade deste blog - desculpem-me aqueles que eventualmente consultam este site pela defasagem... Aliás, hoje encontrei uma Brasileira, professora assistente da Penn State University, com artigos publicados na Science e na Nature (área de Ecologia Química), que me perguntou sobre a situação da pesquisa científica no Brasil e a oportunidade de inserção de jovens pesquisadores. Pergunta difícil... ela tem vontade de voltar para o Brasil, mas dúvidas quanto ao país ter uma política científica de continuidade e investimento que valorize o pesquisador e lhe dê condições de trabalho. Pois depois de uma maratona de concursos em 2005 só posso dizer que eu também tenho mais dúvidas do que certezas com relação ao futuro da pesquisa científica brasileira. Só esqueci de perguntar se ela era menor de 35... para poder continuar atiçando minha velha birra... É isso, espero estar "postando" de forma mais constante a partir de agora, ao menos vale a intenção.

Terça-feira, Novembro 08, 2005

gênio ou ingênuo?

Sei que vocês não vão acreditar, mas vou arriscar assim mesmo: acho que a idéia que tive (sério, pensei nisso sozinha!) de realizar uma mini-entrevista com pesquisadores brasileiros no exterior revelando alguns "flashes" curiosos sobre expectativa e realidades conquistadas (originalmente uma idéia para não deixar a "II Semana Nacional de Ciência e Tecnologia" passar em branco) foi maquiada, ampliada e contextualizada pela Folha de SP no seu caderno MAIS! de Domingo (06/11/2005). Para agregar valor jornalístico, foram eleitos "gênios" ao invés de pesquisadores comuns (esclarecimento justo: ao menos um dos autores da reportagem - ML - considerou a posteriori que o termo "gênio" não "pegou bem") e compilada uma lista de "perfis" (o que deixa a coisa toda mais sofisticada), ao invés de um mini-questionário impessoal e mínimo. Me desculpem vocês que contribuíram aqui, mas a notícia da Folha, reproduzida no "blogue" do jornalista Marcelo Leite, teve mais IBOPE. Um dia a gente chega lá... primeiro será preciso a medalha de mérito da Nature (= ter uma publicação lá) ou da Science para poder ter passe na mídia. Não se enganem: acho que esses caras (ah é, tem que ser homem também) devem ser feras mesmo e sua contribuição deve ser reconhecida e aplaudida (é verdade!), mas vamos também relevar o importante papel da infra-estrutura Norte Americana de fazer pesquisa no sucesso destes jovens doutores do balacobaco (ah sim, tem que estar ou ter estado sob os gloriosos céus da terra prometida - EUA), para ampliarmos um pouco mais nossos horizontes e vislumbrarmos outros autores do processo de produção de geniosidades. Pensei que minha crise (oriunda de um certo constrangimento com alguns pontos da reportagem) tinha passado, mas vejo que ela é resistente (ô praga!) ... vou submeter um artiguinho para a Nature para ver se passa (a crise, porque o artigo ainda tá difícil, oxalá meu dia virá :) :) )... mas não deve ser antes dos 35 anos - em breve (ah é, tem que ser menor de 35). Eventuais gênios (improvável...) e humanos comuns (alguém, talvez?) que possam estar lendo este comentário, me desculpem pelo tom azedinho do "post", mas estou numa maratona de atividades sem precedentes e acho que preciso injetar células-tronco no cérebro (mas não daquelas contaminadas, como as descobriu o Alysson (um dos perfilados da Folha de SP), quero as que não foram tratadas com tripsina: as células-tronco ISO9000, que provavelmente serão descobertas nos EUA, com financiamento do NSF, publicadas na revista Nature por um líder de equipe do sexo masculino com menos de 35 anos, com formação acadêmico-científica e nacionalidade brasileiras! É isso aí! Sucesso aos perfís brasileiros, incluindo os da supra-citada reportagem, e criatividade e bom-senso ao jornalismo científico do Brasil, em especial ao da Folha SP, que merece reconhecimento e... algumas críticas também, construtivas, por que não?
Desculpem-me aqueles que não entenderam nadica-de-nada deste post-desabafo. Ufa! Chega de crise!

Quem dá mais?!

Incrível: li hoje no Jornal da Ciência sobre a compra e venda de teses que tem movimentado o mercado negro da academia. Uma tese pode render 2.000 reais para o autor-traficante e promover o status, a carreira e o salário do autor-laranja. Só falta conseguir promover também a auto-estima do sujeito (bem, remorso ou conflitos éticos esse pessoal não deve ter mesmo!). Se não fosse piada de mau-gosto, diria que o mercado para pós-graduandos e pós-docs está se ampliando e se diversificando... Peloamordedeus alguém faz alguma coisa: isso já é o fim da picada. Tese agora virou CNH, que se compra de despachantes obscuros?!?! Que frustrante... Nota ZERO!

Domingo, Outubro 09, 2005

doutores sem fronteira...2

Continuando com os depoimentos sobre a experiência de pós-docs/doutorandos no exterior e a perspectiva quanto ao retorno ao Brasil...
Caso 2: PA
1) Nome ou alguma forma de identidade

PA – 37 anos natural de SP, mas carioca de coração.

2) área de formação/especialização no exterior

Biólogo formado em licenciatura pela UFRJ/92; mestre/96 e doutor/05 pelo IOC/FIOCRUZ; Pos-doutorado em imunologia da tuberculose/em andamento

3) expectativas quanto à experiência no exterior

Tive alguns percalços no início aqui nos EUA, como de praxe para quem está mudando de cultura e ambiente, mas nada que não pudesse ser superado aos poucos. Hoje, posso dizer que esta fase inicial nos serve de pavimentação para que ganhemos maturidade e encaremos as coisas sob uma outra ótica. Assim, vemos o Brasil com outros olhos, e as maravilhas de nosso povo com ainda outros. Mas também vem as comparações culturais, que deixam muito a desejar ao nosso povo quando se trata de coerência, ética, respeito e boa vontade. No que se refere ao trabalho em si, muitas coisas que vejo por aqui poderíamos implementar no Brasil, salvo as limitações orçamentárias e tecnológicas.

4) avaliação do confronto "expectativa X realidade"

Não tive este tipo de conflito pois venho de um laboratório na FIOCRUZ onde quase tudo o que faço por aqui, também poderia ser feito por lá. Porém, as facilidades que aqui encontro são tamanhas em comparação ao Brasil. Do tipo: uma análise que estamos fazendo e que teremos resultados já no mês que vem demoraria pelo menos um ano por lá, caso já tivessemos também os equipamentos montados.

5) expectaiva ou realidade quanto ao retorno ao Brasil

NENHUMA. Infelizmente, nosso país não me deu alternativas senão migrar para os EUA em busca de oportunidades. Não teria condições de viver de bolsas por uma eternidade, mesmo com um diploma de Doutor na mão. Isso sim me deu garantias de emprego por aqui. Concursos públicos são muito escassos na área de pesquisas, apesar do déficit de pessoal. Uma grande pena, pois apesar do investimento e apoio que o Estado brasileiro me deu ao longo dos últimos anos, e quando me sinto mais produtivo do que nunca em minha vida profissional para retornar este investimento ao povo brasileiro na forma de produção científica para nosso país, vim produzir e trabalhar para um país que não me formou ou investiu em minha carreira, mas veio colher os frutos deste investimento alheio.

6) top 5 aspectos positivos e top 5 aspectos negativos sobre sair do Brasil/viver no exterior

POSITIVOS:

Mudança cultural, Recompensa monetária justa, Contato facilitado com cientistas top na minha área, Domínio de uma segunda lingua e Amigos de outras nacionalidades.

NEGATIVOS:

Saudades da família, Saudades da pátria, Frio muito intenso, Inverno depressivo, distância da nossa cultura e Saudades dos amigos do Brasil.

Saudade não tem fim... abraço e sucesso PA, ana

doutores sem fronteira...

Para não deixar passar em brancas nuvens: a segunda SEMANA NACIONAL DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA reuniu inúmeros eventos em instituições de ensino e pesquisa de todo País. Uma proposta deste blog foi apresentar algumas impressões de doutores brasileiros no exterior, de modo a tirar algumas questões da "marginalidade" nesta oportunidade de discutir o futuro da ciência e tecnologia no Brasil. Os textos enviados para este blog foram publicados na íntegra, o anonimato foi sugerido como uma opção e a proposta foi enviada no formato de um questionário, cada questão pode ser respondida individualmente ou na forma de um texto, integrando todas as respostas. Nas próximas postagens estarei apresentando estes testemunhos e agradeço sinceramente àqueles que gentilmente dedicaram um pouco do seu tempo nestas reflexões. Muito obrigada e sucesso, no Brasil ou fora dele.

As questões:

Texto introdutório: "Estou pensando em publicar no blog respostas de pesquisadores brasileiros, que estiveram ou estão no exterior, a um curto questionário. Pensei em ilustrar as "expectativas e realidades" enfrentadas pelo pós-doc ou doutorando nesta experiência. Seria algo assim:

1) nome ou alguma forma de identidade (apelido, pseudônimo - se quiser ficar anônimo);
2) área de formação/especialização no exterior;
3) expectativas quanto à experiência no exterior;
4) avaliação do confronto "expectativa X realidade";
5) expectaiva ou realidade quanto ao retorno ao Brasil;
6) top 5 aspectos positivos e top 5 aspectos negativos sobre sair do Brasil/viver no exterior"

Caso 1: Helô

"Meu nome é Heloisa, ou simplesmente Helô. Graduei-me em Ciências Biológicas pela UNICAMP, onde também fiz meu mestrado (em Microbiologia) e doutorado (em Biologia Celular). Agora estou nos Estados Unidos, em Nashville, TN, na Vanderbilt University, para um pós-doc, em Biologia Celular, na área de Nefrologia.

A minha expectativa em relação ao meu futuro após essa experiência é que eu consiga um diferencial para, quem sabe, conseguir um emprego no Brasil que me agrade. Quando digo que me agrade, estou falando que seja numa cidade boa, numa universidade/faculdade legal. A chance de vir pra cá apareceu meio que de bandeja, já que uma amiga minha estava aqui, soube da vaga e me avisou. Eu achei que seria uma boa oportunidade, pois, embora trocasse de tecido (de próstata para rim), eu ainda estaria dentro da Biologia Celular e mais especificamente, continuaria com Matriz Extracelular. Outro ponto importante e que me deixou um pouco animada foi ver que existem poucas pessoas no Brasil que publicam nessa área. Será uma chance a mais de poder “introduzir” uma linha nova!

Acho que logo que a gente chega num lugar novo (e nem precisa ser fora do país), a gente cria muitas expectativas, principalmente querer trabalhar muito para ter vários resultados. Bom, logo os ânimos acalmam pois a gente se dá conta de que o tempo passa muito rápido, mas as coisas acabam não andando na velocidade que você gostaria que fosse. Agora estou com seis meses de trabalho e se tivesse que apresentar resultados, não os teria... Chega a ser um pouco desanimador, mas por outro lado as promessas são grandes e a isto associa-se o fato de sermos mais “experientes” e sabermos que as coisas demoram um pouco a acontecer. Meu chefe diz que um bom pós-doc é de 2-3 anos. Tenho que concordar. Por outro lado, acho que para nós, qualquer experiência é válida. O problema de ficar pouco tempo (1 ano) é que provavelmente não dará tempo de fechar um paper (mas isso também depende um pouco da área) e, embora não se perca a publicação, provavelmente seu nome não será mais o primeiro... Mas eu penso que um ano é melhor do que nada. É legal ver o jeito como eles pensam, a realidade do trabalho deles e ver o porque de algumas coisas serem fáceis aqui e também ver alguns defeitos e até mesmo inexperiências, coisas talvez que a falta de dinheiro ou a ciência mais básica resolve mais facilmente.

Por enquanto sei que quero voltar pro Brasil e não penso em outra possibilidade. Mas as oportunidades aqui são muito boas e dependendo do grau de descomprometimento que se tem com pessoas/coisas do Brasil, profissionalmente não há dúvida de que aqui é um bom lugar pra um biólogo. Como faz pouco tempo que estou aqui, não tenho pensado muito sobre as expectativas que tenho em relação ao Brasil. Sei que a realidade é difícil e vejo isso pelos meus amigos que aí estão!

Minha lista de pontos positivos: crescer pessoalmente, trabalhar num país onde se investe na pesquisa, aprender a discutir resultados, conviver com pessoas de toda parte do mundo, aumentar a “network”. Os pontos negativos: estar longe da família e dos amigos, muitas vezes não conseguir se fazer entender (mas este é um problema que varia de pessoa pra pessoa)... Que bom que por enquanto só sei dois! Isso quer dizer que ainda estou bem :)!!!"
É isso aí Helô! Estamos na torcida pelo seu sucesso! ana

Sexta-feira, Setembro 30, 2005

Contra, a favor ou muito pelo contrário

Às vezes me parece que não tem nada que combine mais com americano do que marketing... Uma batalha judicial está mobilizando leigos e cientistas nos Estados Unidos: pais preocupados com o educação dos filhos entraram na justiça para evitar que o "Intelligent Design" ou teoria do Design Inteligente seja ensinado nas escolas como alternativa à teoria da evolução de Darwin, baseada na seleção natural. Alternativamente, explicam a complexidade e a diversidade biológica pela intervenção sobrenatural. Esta polêmica já não é de hoje, ontem chamavam-se criacionistas, o termo moderno é ID (Inteligent Design), e sabe-se lá o que nos aguarda o futuro. Seja como for, há um abaixo-assinado sendo divulgado na internet (eu recebi um email de um dos pesquisadores mais renomados da área de genômica mitocondrial, o Dr. Jeffrey Boore do Joint Genome Institute) por um período de 4 dias que pretende obter mais de 4000 assinaturas de cientistas (parece que já conseguiu), incluindo arqueólogos, biólogos, evolucionistas, paleontólogos, biologistas moleculares e teólogos até! E vejam pela foto que há opções para todos os gostos, para recém-nascidos, dorminhocos, bebedores de café, animais e, claro, a tradicional camiseta para divulgação da proposta. Depois, com tempo, eu incluo os links para um ou outro site interessante que foi comentado aqui, OK? Inclusive dos fornecedores de "material de propaganda" para quem quiser dar um presente para seu sobrinho recém-nascido... haja criatividade!

Segunda-feira, Setembro 26, 2005

projeto genoma musical

O "Music Genome Project (MGP)", fundado por Tim Westergren e colaboradores em 6 de janeiro de 2000, desenvolve a idéia de criar um ambiente onde a essência musical de um indivíduo fosse captada (seria por aí a analogia genômica?) . Foram compiladas centenas de "genes" musicais (???) resultando num abrangente "Music Genome". Seria como se cada música carregasse uma identidade musical, algo além do que simplesmente o gênero muscial, uma combinação de atributos mais fundamentais como melodia, harmonia, ritmo, instrumentação, orquestração, arranjo, letra e canto (seriam estes os "genes"?). Nos últimos 5 anos esta iniciativa (MGP), ouviu mais de 10.000 músicas de diferentes artistas, analisando cada atributo individualmente, de modo a criar uma "extraordinária coleção de análises musicais" - segundo seus autores. A proposta é servir como guia pessoal para explorar seu universo musical preferido (mesmo que desconhecido para o próprio interessado) . Confira se seu genoma se identifica com a proposta em www.pandora.com (mais sobre o projeto aqui)

Essa nota (sem abusar do trocadilho musical) saiu semana passada na Folha (de São Paulo) Informática, e como é mais uma alusão ao termo genoma que foge do convencional, achei curioso incluir este comentário.

Quinta-feira, Setembro 22, 2005

dar nome aos Bos taurus

Bos taurus Linnaeus, 1758. Apesar do inconveniente fonético, este é o nome científico que batiza o boi (ou mais rigorosamente, uma espécie de bovídeo). A nomenclatura binomial de Lineu foi uma das contribuições mais significativas para o desenvolvimento das ciências biológicas. A taxonomia, a ciência que estuda a classificação dos seres vivos, é bombardeada com a descrição de novas espécies continuamente, 24hs/dia... a necessidade de uma descrição criteriosa para a correta identificação dessa mega-diversidade biológica traz consequências: o conhecimento em taxonomia é visto, muitas vezes, como um conteúdo hermético, de difícil acesso e, deste modo, pouco "democrático". A Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica (ICZN) lançou a proposta de criar um registro "on-line" de acesso público para a nomenclatura animal, e acaba de publicar esta intenção como um comentário na revista Nature desta semana ("A universal register for animal names"). A idéia é ter um banco de dados (ZooBank) para armazenar e gerenciar novos nomes taxonômicos, de modo a promover uma maior padronização destes dados e disponibilizar um cadastro com acesso otimizado para a comunidade científica, instruída na arte da taxonomia ou não. Andrew Polaszek (secretário executivo da ICZN) cita a iniciativa e o formato do GenBank como modelos pra o ZooBank, e acredita que eventuais conflitos (cadastro no banco X registro via publicação científica) serão facilmente administrados. Ele aproveita também para sugerir que métodos de taxonomia molecular (como o DNA barcodes) poderiam beneficiar-se imensamente desta iniciativa.
Li uma crítica recente no Jornal da Ciência da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) onde o Dr Mário de Vivo, curador do museu de zoologia da USP, afirma ser muito fácil para ele encontrar qualquer informação taxonômica sobre sua área de especialidade na literatura científica disponível e não vê maior relevância na implementação de algo como o ZooBank... pois eu só vejo benefícios (mas não sou taxonomista)!

PS - A crítica do Dr. Vivo pode estar sujeita a algum viés de memória, pois li o comentário apenas uma vez e não sei se distorci de alguma forma seu conteúdo (estou tentando recuperar o artigo onde li isso, se alguém tiver o texto original pode me mandar uma cópia? Obrigada!)